Em SP, dois terços reprovam veto de Bolsonaro à Coronavac, indica pesquisa

Dois em cada três moradores de São Paulo afirmam reprovar, em alguma medida, a postura do presidente Jair Bolsonaro de se posicionar contra a vacina Coronavac, produzida pelo governo do Estado de São Paulo com a farmacêutica chinesa Sinovac.

A pesquisa do Ibope, em parceria com o Estadão e a TV Globo, apontou que 54% dos paulistanos entrevistados "discordam totalmente" do veto proposto pelo presidente da República, enquanto 13% discordam "em parte".

A pesquisa aponta que o apoio à postura do presidente na maior cidade do país está em 27%: 19% dos ouvidos concordam totalmente com a postura de Bolsonaro, e outros 8% concordam em parte com o chefe do governo federal. Outros 3% não souberam ou quiseram responder, e 2% afirmou não concordar nem discordar da postura presidencial.

Bolsonaro tem adotado uma postura combativa em relação à vacina sino-brasileira, desenvolvida pelo Instituto Butantan, ligado ao governo paulista, e a Sinovac. Em seguidas vezes, Bolsonaro disse que não compraria o que chamou de "vacina chinesa" para o Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde. A Sinovac, porém, já atuava no Brasil antes da pandemia – inclusive produzindo doses de imunizantes contra a H1N1 para o governo federal.

Há duas semanas, o Ministério da Saúde iniciou as tratativas para comprar doses da Coronavac e aplicá-la já em janeiro – mas o presidente mudou de ideia e passou a criticá-la fortemente após ver que a sua base de apoio nas redes sociais estava refratária à imunização. O presidente também considera o aspecto político da questão, já que a vacina pode ser um trunfo de João Doria (PSDB), governador de São Paulo e possível concorrente de Bolsonaro nas eleições de 2022.

O Instituto Butantan conseguiu, nesta semana, aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para importação de insumos para produzir mais doses da Coronavac. A expectativa de João Doria é que o instituto seja capaz de produzir 100 milhões de doses mesmo sem verba federal.

O Ibope ouviu 1.204 pessoas entre os dias 28 e 30 de outubro para esta pesquisa.


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