Deus quis – eleições na era digital

Em livro, senador conta como se elegeu usando poucos recursos financeiros e muita rede social. "O clamor popular por mudanças na forma de fazer política encontrou seu intérprete no perfil comportamental do então candidato a presidente Jair Bolsonaro. Neste ambiente busquei formular uma estratégia de campanha para a eleição"

Arolde de Oliveira *

Em Deus Quis- Eleições na era digital, procuro apresentar de forma simplificada a situação presente decorrente da convergência tecnológica sobre a comunicação social. Como a comunicação horizontal e desintermediada avançou com a internet e hoje representa, em grande parte do território brasileiro, a principal fonte de informação das pessoas. As redes sociais e seus conexos assumiram a hegemonia da comunicação deixando a mídia vertical e intermediada, formada em especial pela TV, rádio e jornais com reduzido espaço de comunicação.

Hoje todos nós somos agentes e pacientes do fluxo contínuo de informações.

No contexto político a presente narrativa busca contextualizar a insatisfação popular com a piora na qualidade de vida, aumento do desemprego e a corrupção desnudada com o avanço da Operação Lava Jato. O clamor popular por mudanças na forma de fazer política encontrou seu intérprete no perfil comportamental do então candidato a presidente da República Jair Bolsonaro.

Neste ambiente busquei formular uma estratégia de campanha para a eleição ao Senado da República, com ênfase em barrar o avanço da esquerda no Rio de Janeiro, trabalhando em parceria com o também candidato ao Senado Flávio Bolsonaro (PSL).

Os três pilares principais para minha estratégia eleitoral foram:

I – Fazer uma campanha com Flávio Bolsonaro, dando plena visibilidade à nossa parceria e deixando claro que nós dois éramos os votos de Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro.

II - O segundo pilar seria trabalhar a parceria com os candidatos a cargos proporcionais do PSD e do PSL, em especial nas semanas finais, quando eles seriam os responsáveis por levar até a base da população as chamadas “colinhas de voto”.

III - O terceiro e decisivo pilar seria trabalhar de forma massiva as redes sociais, entendendo que a comunicação verticalizada já não possuía a mesma importância e que eu não teria tempo nem recursos financeiros para trabalhar uma campanha nos moldes tradicionais.

Eleição é um projeto com inúmeras variáveis, únicas, que só uma eleição tem, como todo projeto, os recursos são escassos, logo a alocação ótima de recursos é condição fundamental para o sucesso do trabalho.

Os limitadíssimos recursos não me permitiriam fazer uma campanha analógica, de rua, e achar que íamos ter dois ou três milhões de votos. Precisaríamos fazer o que ninguém nunca fez. Resultados extraordinários com recursos limitados só acontecem com uma estratégia inovadora.

Assim foi feito. As campanhas eleitorais com utilização da comunicação digital são uma realidade eficaz, eficiente e muito mais barata que as campanhas de cunho analógico.

Deus quis.

* Arolde de Oliveira (PSD-RJ) é senador. Engenheiro e economista, foi deputado federal por nove mandatos.

>> Outros artigos de opinião

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!