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O retorno de Procusto e o necro-ruralismo

Parte das medidas também passam por mudanças nas estratégias, pois se os ruralistas antes queriam acabar com a Funai, agora suas novas medidas passam por indicar nomes para alguns cargos, como um delegado que auxiliou a bancada ruralista durante a CPI do Incra e Funai, na Câmara dos Deputados. Também passam pela justa medida dos ruralistas o estabelecimento do Marco Temporal, implementado pelo maître no Executivo e sua Advocacia Geral (AGU) através do Parecer 001/2017. Parecer anti-demarcação costurado de maneira espúria pelo deputado ruralista Carlos Heinze, que divulgou o acordoantes mesmo da publicação do parecer.

Se no mito grego Procusto é vencido por Teseu, também as medidas ruralistas são combatidas por aqueles e aquelas que se negam a deitar-se na cama agro-ajustada. Os povos indígenas vêm dando exemplo de que não estão dispostos a cederem suas terras aos mesmos arrendamentos que os levaram a perdê-las na região sul e centro-oeste, por exemplo. Deixaram isso evidente no dia 18 de outubro, quando buscando opinar sobre uma audiência promovida pelos ruralistas na Câmara dos Deputados, foram duramente reprimidos. Continuam a se manifestar, como fizeram 17 povos no dia 23 de novembro, quando manifestaram-se contra o Parecer 001 da AGU, para o qual exigem a revogação, visto que o mesmo choca-se frontalmente com decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), como afirma o Secretário Executivo do Cimi, Cleber Buzatto.

Enquanto os necro-ruralistas, patrocinados pela venenosa empresa, viajam para Suíça para visitar as dependências da Syngenta – aquela mesma empresa que fabrica um dos mais terríveis agrotóxicos, o paraquat – os povos indígenas juntam-se aos quilombolas, quebradeiras de coco e outras comunidades tradicionais para trocar experiências e reafirmar sua não adequação à cama ruralista e sua perspectiva de desenvolvimento. Juntos buscam trocar camas por redes, construindo outras perspectivas, como fizeram no Terceiro Encontro Tocantinense de Agroecologia.

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