O rei está nu: a fantasia dos royalties

Eduardo Lopes *

Na fábula A nova roupa do rei, de Hans Christian Andersen, a vaidade do monarca o leva a contratar um farsante que lhe promete uma roupa mágica, linda e cara, mas que apenas os mais sábios poderiam ver.

Vestida a peça, por ninguém vista, pois não existia, os elogios foram unânimes. Ao rei e aos súditos, não convinha parecerem estúpidos. Durante o cortejo que se seguiu a admiração foi total. Mas, do meio da multidão, um jovem grita inadvertidamente: o rei está nu! Passado um instante de perplexidade, os ares de sabedoria são retomados e a festa prossegue.

Isso é o que se passa no Congresso com a distribuição dos royalties do petróleo aos estados não produtores. Para alento das consciências e para dar manto de virtude a uma atrocidade contra os estados produtores, criou-se espetáculo no qual os personagens se revezam na afirmação da legalidade e justiça da medida.

O grito da minoria, em meio à festiva multidão, é ignorado. Mas, eis que se levanta um brado vigoroso do outro lado da praça, da sede do Supremo Tribunal Federal, a denunciar: o rei está nu! A lona cai. Diferentemente do que se dá na fábula, resta ceder à costura política, democrática e sensata, que cubra a nudez constrangida da ganância indisfarçada.

* É senador pelo PRB do Rio de Janeiro e líder do partido no Senado.

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