Economia perde luz

A noite caiu. E cá estava dado sujeito a procurar algo sob um poste aceso. Alguém passa e pergunta pelo objeto extraviado, buscando ajudar. Recebe como resposta que o dito cujo fora perdido em um matagal das redondezas - porém, como estava escuro lá, era mais fácil procurar ali!

Nosso país vem perdendo - há muito tempo - o brilho de sua economia. Seu povo, angustiado e perplexo, saiu pela noite das crises sem fim a procurá-lo. Mas estaria agindo como na piada acima?Nossa busca, até aqui, limitou-se a basicamente três espaços: o do aumento de tributos, o da redução de direitos e o dos cortes nos serviços públicos. Todos comportam fácil convencimento de suas vítimas, digo, da população - iludem sob o poste aceso, afinal. Mas estaria neles a solução?

Após várias décadas de reformas sem fim podemos afirmar que não. Nossa carga tributária, elevada aos mais altos patamares do planeta, só tem feito prejudicar a produção, desnacionalizar a economia e aumentar sua informalidade. Ao reduzirmos direitos - a torto e a direito - temos criado uma sociedade mais amarga, conflituosa e com menor poder aquisitivo. E, quanto aos serviços públicos, já os temos sucateados sob todo e qualquer aspecto - humano e material. Assim, que tal irmos procurar a solução em locais outros?

Inicio pelos juros da dívida pública. Li que gastamos entre 30% e 40% de todos os tributos arrecadados somente para o pagamento de juros - situados dentre os mais altos do mundo. Haveria alguma solução “fora da caixa” para este sério problema? Deve haver, dada a riqueza do nosso país. Não é possível que não haja, máxime em tempos de tantas alienações.

O olhar seguinte bem poderia ser na redução do que se convencionou chamar de “Custo Brasil”. Nos gargalos que fazem empacar - sim, empacar - nossa economia. Que tal iniciarmos por uma redução brutal da burocracia que nos sufoca? Ou pela criação de uma cultura de estabilidade jurídica? Não nos esqueçamos, claro, da revisão de nossas matrizes energética e de transportes.

Resultaria, já daí, um mercado interno fortalecido. Uma indústria nacional mais pujante. Um povo menos dividido e mais preparado para enfrentar os grandes - e reais - desafios que este início de milênio nos apresenta.

O único problema é que estas soluções não estão… aos pés do poste aceso!

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