Chefs tentam novos formatos de restaurantes para driblar a crise

Com a crise econômica, tem sido frequente a leitura de notícias sobre fechamento de restaurantes, mesmo os icônicos como o Antiquarius, no Rio. Dias atrás, o empresário e restaurateur Rogério Fasano falou ao Globo sobre o atual cenário gastronômico na cidade maravilhosa, afetado pelo medo das pessoas da violência e pelo efeito da Lava Jato. Para evitar serem vítimas de assaltos e de crimes, os cariocas voltam cedo para casa.

O famoso chef Claude Troisgros passou o comando do Olympe ao filho Thomas e aposta em restaurantes de bairro no Leblon. O pequeno Chez Claude voltou ao endereço onde tudo começou quando ele chegou ao Brasil e abriu o Roanne numa pequena loja de galeria na Rua Conde Bernadotte. Troisgros também tem outro restaurante, o Le Blond (na Ataulfo de Paiva, 1.321), que nem manobrista tem. Afinal, sua clientela chega a pé para o jantar. Claude, em expansão com novos restaurantes menores, diz que o momento atual não é para gastronomia elitista.

Em São Paulo, centro da gastronomia, não há garoa nem crise que impeçam novos endereços. O Futuro Refeitório, em Pinheiros, é uma casa que aposta numa proposta diferente. Num galpão onde antes havia um estacionamento, o restaurante funciona do café da manhã ao jantar. A proprietária é a chef Gabriela Barretto, também do restaurante Chou. No mobiliário, cadeiras que eram usadas em uma igreja. Há filas na porta na Rua Cônego Eugênio Leite, 808.

Outro endereço que brilha bem no alto do terraço do prédio do MAC, no Parque Ibirapuera, é o Vista, do chef Marcelo Correa Bastos, o mesmo do badalado (e premiado) Jiquitaia. Posso garantir a vocês que não só a vista vale, mas especialmente as receitas brasileiras, criativas, inesquecíveis ofertadas no cardápio. Fui num almoço de domingo e estava lotaaaaddooooo!

Em Brasília, também despontam alguns nomes da nova geração que prometem boas surpresas na culinária. Um deles é o jovem chef Rafael Massayuki, que passou por várias cozinhas até conhecer Simon Lau, do Aquavit, de quem foi subchefe por um tempinho quando o restaurante reabriu no Jardim Botânico.

Hoje ele toca o La.Mê, num contêiner no complexo do MimoBar (projeto itinerante), e vende cozinha asiática. Também chefia a cozinha da Embaixada da Dinamarca. A fama do seu lámen tem se alastrado: ele dedica pelo menos 24 horas para obter a base do caldo do tradicional prato oriental.

Há outros promissores talentos que já brilharam em restaurantes temporários, como o chef Paulo Tarso, que conduziu o restaurante Mosaico na última Casa Cor. Ele tem um curso de culinária, mas quem provou as criativas invenções culinárias no charmoso espaço do Mosaico torce para que ele abra logo um endereço permanente.  E há Rodrigo Sato, aplaudido pelas receitas do cardápio do B Hotel e Ariela Lana, do IVV Swine Bar, local muito frequentado pelos brasilienses.

A coluna não pretende aqui fazer listas, mas não poderia deixar de fora nomes como Marcelo Petrarca (do Bloco C e Lago Restaurante, na 211 Sul e QI 5 do Lago Sul)) e André Castro, do Authoral (302 Sul), eleito melhor chef de Brasília (Veja Comer & Beber).

A crise econômica pode ser (e é) grande, mas talentos culinários acabam por se reinventar e encontrar novos caminhos. Nós aplaudimos e seguimos degustando!

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