Cada povo tem o Bolsonaro que merece

Heitor Peixoto*


Era uma vez um país que punia deslizes.


Era uma vez. Eram duas... Três. Mil. Três mil. Três mil e três talvez. Ou mais. Um país que punia seus Moraes. Você se lembra? Ou também se lixa? Se tem decoro, se tem ficha? Você se importa? Se a conduta é reta ou se é conduta torta? Se o cara é de lata ou se é de ouro? Se o ouro é bom ou se é de tolo? Se tem folha de serviços ou se é folha corrida?


Um país que punia deslizes e declarações infelizes. Preconceito racial, sexual... É tudo igual.
Preconceito não tem meio termo, ou vira coisa banal. Conceito ermo... Etcetera e tal.


Um país que tinha faro. Pra pegar Roriz, pra pegar Bolsonaro.


Esse país... Pois é! Não era o Brasil. Que por ora só pune quem não pune os escorregões. Seja dos pequenos, seja dos barões.


Como pode o eleitor não enxergar que seu flagelo é, antes de tudo, uma autopunição? Chicotada nas próprias costas. E como gosta!


Projeto ficha limpa já é coisa da gente. Seja agora ou mais pra frente. Mas quem tem o poder do voto precisaria de um projeto assim?


No nosso caso, temo dizer que sim. Pelo menos enquanto durar o analfabetismo cívico, político, cidadão. E nesse passo, ficha limpa vira diferencial, quando deveria ser coisa normal. O mínimo, algo trivial.


Mas seguimos pagando por nossos erros, apatia, comodismo e preguiça mental. E vendo lá longe, bem longe, no que até parece ser outro país (de outra língua, aliás), parcas discussões sobre uns bichos muito estranhos: distritão, lista aberta, lista fechada, cláusula de barreira... candidatura avulsa. Vixe!


Ah, deixa isso pra lá! Vamo vê Big Brother, vê Maria ganhá! E lá na enquete? Como é que tá lá?


*É repórter da  TV Assembleia MG. www.twitter.com/heitor_peixoto

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