Adriana Caitano, jornalista, em vídeo e texto: “No Dia da Mulher, não me dê uma rosa”

Adriana Caitano *

Todo ano, no dia 8 de março, a gente recebe uma rosa de presente. Mas, apesar de linda, essa rosa sozinha não tem qualquer serventia.

Ela seria muito útil, se me fizesse invisível toda vez que eu passo na frente de um bar cheio de homens e sou vista como um pedaço de carne que tem que agradecer por ser chamada de gostosa. Ou se me tornasse visível quando eu tô numa reunião de trabalho em que os homens são maioria e mal me deixam falar.

Seria incrível se ela mostrasse ao dono da empresa de que eu sou tão competente quanto o cara que ocupa um cargo igual ao meu, mas ganha mais. Esta rosa seria perfeita se impedisse que – a cada hora – 503 mulheres fossem agredidas por um homem. Seria ainda mais maravilhosa se evitasse que 12 mulheres fossem assassinadas por dia, simplesmente por serem mulheres.

Ela seria um belo presente se me tirasse o peso de ter que fazer cirurgias invasivas e dietas malucas pra ficar como as modelos e atrizes. Seria muito útil se ela fizesse o homem dividir comigo as tarefas domésticas e o cuidado com os filhos. Essa seria a rosa mais linda do mundo se mostrasse que não quero ser superior aos homens. Tudo o que eu quero é igualdade. Então, no Dia das Mulheres, não me dê uma rosa.

Me dê respeito.

Vídeo:

 

 

* Adriana Caitano é jornalista.

 

P.s.: Eu havia decidido não escrever mais aqui neste espaço, ao menos neste dia 8 de Março. Mas minha amiga Ana Volpe, a melhor fotógrafa do Senado, é uma Mulher com tudo o que é bom maiúsculo e me inspira a fazer um brevíssimo registrinho carinhoso. Aninha perdeu sua Rainha há alguns dias. E eu, tão pequeno diante de tudo o que há, deixo neste “p.s.” meu coração, para Aninha e para a Rainha dela. Ana, um dia todos nós estaremos na eternidade da luz, cantando e sorrindo, por todo o sempre. Juntos e envoltos no mais intenso amor que existe;

P.s.: para quem tem paciência e quiser se aventurar nos textos anteriores sobre o 8 de Março:

A “ressaca real” de Duarte Colombina, a mulher que chorou porque sorriu demais (2017)

A mais pura das mulheres (2016)

Touché, Élora (2015)

Mulher com H (2014)

O azul onírico do plenário em verso e Rosa (2013)

A mulher quando as ruas eram de fogo (2012)

Mulher, a auto-homenagem (2011)

Sobre Iemanjá, Clarice e a “menina do pedido de criança” (as três marias) (2010)

Mais flores em vocês (2009)

Flores em vocês (2008)

 

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