Adoráveis grandões

Tenho na sala de casa uma estante com quase 800 livros, que raramente passa despercebida pelas pessoas que nos visitam. As reações são as mais diversas: tem gente que se encanta, que percorre todas as prateleiras (exceto as mais altas, que nem todo mundo alcança), que questiona minhas preferências literárias, que compartilha o mesmo prazer que sinto quando tenho em mãos um bom livro. Tem gente que pergunta “pra que tanto livro”, que me diz “que ler é chato”, que me conta (às vezes até com certo orgulho) que nunca leu um livro na vida, que me manda colocar a estante no quarto, “porque os livros enfeiam a sala”, que arregala os olhos com a largura de alguns volumes e diz “não leio livro com mais de 100 páginas, demora muito pra saber o final”.

Acho engraçado que muitas dessas pessoas avessas aos livros mais, digamos, gordinhos (sem bullying) são, em muitos casos, as mesmas que passam meses a fio assistindo a todos os episódios do Big Brother (e muitas vezes também ao pay per view), a todos os capítulos de todas as novelas de todas as emissoras, que seguem dezenas de séries norte-americanas. Exageros à parte, o problema – em muitos casos – não é a falta de tempo, mas de hábito ou de interesse. Para quem gosta realmente de ler, tamanho não é documento.

Alguns dos grandões da minha estante são, para mim, tão emocionantes, imaginativos e hipnotizantes como a série Guerra nas Estrelas para um cinéfilo obcecado por ficção científica. Um deles é Musashi, de Eiji Yoshikawa, que conta a história de Miyamoto Musashi, o mais famoso samurai da história japonesa. Li as cerca de 1.800 páginas do livro (lançado em edições de dois ou três volumes) em pouquíssimo tempo. A história, com personagens históricos e fictícios, é o tempo inteira atrativa, com momentos de aventura, romance, drama e uma verdadeira aula sobre o povo japonês, os costumes da época e a vida e os códigos dos samurais. Cheguei ao final do livro lamentando que não houvesse outras mil páginas pelo caminho.

Outro livro peso pesado que merece destaque em qualquer estante é o clássico de literatura fantástica O Senhor dos Anéis, do inglês J. R. R. Tolkien, cuja edição brasileira, em um ou três volumes, tem cerca de 1.200 páginas. Já li o livro várias vezes e sempre me empolgo com a rica mitologia criada pelo autor, com os desafios enfrentados pelos personagens (sejam eles humanos, elfos, hobbits, anões, orcs ou outros), com o enredo que fascina leitores de todo o mundo desde 1954, quando foi escrito. Não é à toa que os três volumes da obra (A Sociedade do Anel, As Duas Torres e O Retorno do Rei), aliados ao ótimo trabalho do diretor Peter Jackson e equipe, geraram filmes vencedores de Oscars e campeões de bilheteria.

Se há alguém que, hoje em dia, poderia ser chamado de Tolkien moderno, é o norte-americano George R. R. Martin, autor da série As Crônicas de Gelo e Fogo, que terá sete volumes, cada um com, em média, 600 páginas. Em inglês, já foram lançados quatro livros (o quinto sai no dia 12 de julho), e em português, dois (A Guerra dos Tronos e A Fúria dos Reis). A história é contada pelo ponto de vista de vários personagens (o protagonista muda a cada capítulo), o que garante boa dinâmica, versões diferentes dos fatos e aguça a curiosidade do leitor, que às vezes tem de esperar vários capítulos para saber o que aconteceu com determinada pessoa. Além disso, as inúmeras reviravoltas deixam a trama imprevisível. Tédio, com Martin, nem pensar. Espero ansioso pelo terceiro livro em português (A Tormenta de Espadas), que será lançado em setembro, durante a Bienal do Livro do Rio de Janeiro.

Epílogo

O maior e mais pesado livro que tenho em casa é o Grande Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, com 2.922 páginas. É também um dos mais usados, afinal, quem quer escrever corretamente não pode prescindir, de vez em quando, de uma ajudinha do “pai dos burros”.

Segundo o Guiness Book, o livro mais grosso do mundo é uma coleção completa das obras da inglesa Agatha Christie protagonizadas pela personagem Miss Marple. Publicado pela HarperCollins, o livro (com 12 romances e 20 contos) tem 32,2 centímetros de espessura. Já o romance mais longo, também segundo o Guiness, é Em Busca do Tempo Perdido, do francês Marcel Proust, com cerca de 9,6 milhões de caracteres.

A Guerra dos Tronos, primeiro livro das Crônicas de Gelo e Fogo, foi adaptado este ano pela HBO. A primeira temporada da série, com 10 capítulos, fez enorme sucesso, e a segunda temporada, baseada em A Fúria dos Reis, começa a ser filmada neste mês de julho.

Livros citados:

 

Musashi, de Eiji Yoshikawa (1935/1939, em pequenos capítulos diários) - Editora Estação Liberdade

 

 

 

 

O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien (1954/1955) - Editora Martins Fontes

 

 

 

A Guerra dos Tronos (1996) e A Fúria dos Reis (1998), de George R. R. Martin - Editora Leya

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