O trator Kassab nas eleições paulistanas

O prefeito de São Paulo mina os espaços de Geraldo Alckmin na campanha de José Serra, informa Vasconcelo Quadros, na Coluna Esplanada

Vasconcelos Quadros

O trator Kassab
O apoio da maioria dos vereadores e a capilaridade municipal construída no comando das subprefeituras dão uma ligeira vantagem ao prefeito Gilberto Kassab na disputa contra o grupo que reúne o governador Geraldo Alckmin e deputado Edson Aparecido na campanha do candidato tucano, José Serra. Kassab não só ocupa novos espaços como também mina as bases de Alckmin. O movimento das pedras nesse tabuleiro, naturalmente, tem como estratégia as eleições de 2014, onde Kassab e Edson Aparecido vão se enfrentar.

Segurança e eleição
O comando e os marqueteiros da campanha tucana na capital paulista estão preocupados com o reflexo das desastradas operações da PM na campanha de José Serra. A segurança pública é atribuição do estado, mas seus reflexos se tornam inevitáveis numa população que vive os sobressaltos da violência na capital.

Rigoroso inquérito
Alckmin assumiu rapidamente a responsabilidade e, antes mesmo que qualquer apuração tivesse sido concluída, falou em “rigorosíssimo” inquérito e “punição exemplar” dos policiais envolvidos. Um empresário e um estudante morreram por engano.

Contramão
A dura política de segurança paulista está na contramão das ações federais para reduzir a violência e a falta de preparo policial.

Denunciado
Personagem polêmico na repressão à Guerrilha do Araguaia, o major da reserva Lício Maciel foi denunciado ontem pelo Ministério Público Federal por sequestro e sumiço de um militante do PC do B, Divino Ferreira de Souza, o Nunes. Uma das principais testemunhas de acusação é um ex-colega de caserna de Lício, o tente da reserva José Varga Jimenez.

A sangue frio
O militar contou em depoimento que Nunes foi preso e, embora ferido, levado vivo para uma das bases do Exército em Marabá em outubro de 1973. Seu nome está entre os 66 ativistas desaparecidos no Araguaia, dos quais 41 teriam sido executados por fuzilamento.

Crack
O programa de combate ao flagelo do crack chegará na semana que vem ao 9º estado, a Paraíba. No total, o governo federal vai investir R$ 4 bilhões até 2014. Pelos convênios já firmados, Minas receberá R$ 476 milhões; Rio, R$ 240 milhões; Rio Grande do Sul, R$ 103 milhões; Pernambuco, R$ 85 milhões; Santa Catarina, R$ 56 milhões; Alagoas, R$ 37 milhões; Acre, R$ 13,3 milhões; e, Espírito Santo, R$ 9,8 milhões.

Casa de ferreiro
Criador de programas que estimulam a parceria entre estados e União quando ministro da Justiça, o governador gaúcho, Tarso Genro, terá de se contentar com menos um quarto do que caberá a Minas.

Saia justa
Fernando Hadad ficou numa saia justa ontem no debate promovido pela Câmara Portuguesa quando um dos participantes perguntou se o fato de ter associado a imagem a Maluf não seria um fator de bloqueio ao crescimento e um eventual sepultamento de sua candidatura.

Grande companheiro
A resposta foi política, mas não impediu os aplausos ao questionador. “A composição é com partidos e não com pessoas”, explicou Hadad. Ele lembrou que desde 2004 o PP faz parte da base de apoio ao governo do PT.

Queda no Incra
Celso Lacerda foi derrubado da presidência Incra. Conforme antecipou a Coluna Esplanada, no dia 13 último, sua permanência era incerta por causa das pressões dentro do governo. Em seu lugar, a presidente Dilma Rousseff nomeou Carlos Guedes, que assume na próxima quarta-feira.

O vencedor
O grande vencedor da disputa pelo controle do Incra é Miguel Rossetto, presidente da Petrobrás Biodiesel, líder da corrente Democracia Socialista do PT, agora com domínio total sobre reforma agrária. Pepe Vargas, ministro do Desenvolvimento Agrário, é da cota de Rossetto.

Agosto vermelho
Quem perde é o MST, que tinha incontestável influência na autarquia e por essa razão havia deixado de lado as invasões de terra de grande impacto. Dilma que se prepare: a onda de invasões conhecidas como abril vermelho agora passa para agosto, o mês das grandes tragédias na história política brasileira.

Reforma agrária qualificada
Ao consumar a troca no Incra, a presidente argumentou que quer qualificar a reforma agrária. Lacerda diz que isso já vinha sendo feito e que a substituição é política. Em conversa com amigos, ele reclamou que dos 140 projetos de desapropriação e compra de terras encaminhados ao Planalto no ano passado, Dilma só assinou 60.

Abílio e os sem terra
São boas as relações do empresário Abílio Diniz, um dos símbolos do capitalismo, com o MST. Chegou ontem a Brasília a primeira carga de arroz orgânico das marcas Terra Livre e Coopan, produzido em assentamentos gaúchos dos sem terra e que serão comercializados pelo Grupo Pão de Açúcar.

Socialismo de mercado
O acordo entre o MST e o Grupo Pão de Açúcar prevê a entrega de 10 toneladas por semana até o final do ano, a um preço de R$ 3,20 o quilo no atacado. Na prateleira custará R$ 6,00, 50% a menos que o arroz orgânico da concorrência capitalista.

Com Gilmar Correa e Marcos Seabra

contato@colunaesplanada.com.br . www.colunaesplanada.com.br

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