Dilma reclama de versões sobre troca de ministro

Principais jornais do país repercutem a substituição e registram os resultados considerados “pífios” da gestão Florence no Ministério do Desenvolvimento Agrário; substituto é o deputado gaúcho Pepe Vargas, da mesma ala radical petista do que o agora ex-ministro faz parte

A Secretaria de Imprensa da Presidência da República divulgou hoje (sábado, 10) nota por meio da qual a presidenta Dilma Rousseff diz lamentar “interpretações” veiculadas na imprensa sobre a substituição, no comando do Ministério do Desenvolvimento Agrário, do deputado Afonso Florence (PT-BA) pelo colega de Câmara Pepe Vargas (PT-RS), ambos integrantes de uma das mais radicais correntes petistas, a Democracia Socialista. Na nota (confira íntegra abaixo), além de reclamar do teor negativo sobre a gestão do agora ex-ministro, Dilma reitera os agradecimentos a Florence pela “importante colaboração” à frente da pasta.

Governo troca ministro do Desenvolvimento Agrário
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Hoje, as edições dos principais jornais do país repercutem a substituição e registram os resultados considerados “pífios” da gestão Florence, principalmente no que diz respeito à implementação da reforma agrária, análise reforçada depois da pressão crescente pela saída do deputado por parte de grupos de sem-terra com influência histórica junto ao Planalto. A maioria dos impressos apresentou a versão de que o ministro, aos olhos do governo, não teve desempenho satisfatório à frente da pasta – a ponto de sua saída ter sido dada como certa muitos meses antes de iniciada, no início do ano, a tímida reforma ministerial de Dilma. O lento processo de reforma agrária em 2011 está entre as principais reclamações.

“A presidenta lamenta interpretações em contrário e considera que Florence prestou grandes serviços ao processo de inclusão social no campo. No comando do Ministério do Desenvolvimento Agrário, ele participou de ações que fortaleceram a agricultura familiar (...)”, diz trecho da nota, de teor semelhante à que foi divulgada ontem (sexta, 9), por ocasião do anúncio da troca de comando na pasta. Ciente de que sua base aliada em ebulição no Congresso recomenda mais atenção, a presidenta diz ainda que “continuará contando com o valioso apoio e a colaboração” do ex-ministro na Câmara, onde ele tem mandato a cumprir até 2014, quando acaba a atual legislatura.

Instantes após o comunicado, Pepe disse que Dilma alegou necessitar da colaboração dele na equipe ministerial, de forma que não teria sido um convite para que ele ocupasse a pasta, mas uma convocação presidencial. Embora tenha dito se sentir honrado com a indicação, Pepe disse ter informado à presidenta que negociações partidárias já o haviam definido como pré-candidato do PT à Prefeitura de Caxias do Sul (RS), o que não a demoveu da ideia. O novo ministro disse ainda que a presidenta pediu para que ele focasse duas prioridades, na seguinte ordem de importância – a eliminação dos bolsões de pobreza no setor rural e o fortalecimento da agricultura familiar.

Tensão

Coincidência ou não, ontem (sexta, 9) o Congresso em Foco noticiou com exclusividade que uma manobra irregular impediu que R$ 2 milhões fossem repassados pelo governo federal à pasta, para ações relacionadas à reforma agrária, que não veio – como efeito colateral da manobra feita para incorporar emendas no apagar das luzes do ano legislativo, também revelada por este site, empresa que assentou agricultores ficou sem dinheiro. Sem a reforma agrária pretendida por representantes de classe, a pressão de grupos de sem-terra com influência histórica na gestão petista vinha tornando insustentável a permanência de Florence no posto.

A troca acontece em meio à rebelião de partidos da base aliada, encabeçada pelo segundo mais numeroso do Congresso, o PMDB – que, na semana passada, divulgou um manifesto assinado por diversos parlamentares e avalizado pelo vice-presidente da República, Michel Temer, por meio do qual a legenda reclama dos privilégios excessivos conferidos ao PT, com vistas às eleições municipais deste ano, e da falta de diálogo do Planalto com a base no Parlamento. Na indicação de Crivella ao Ministério da Pesca, por exemplo, o próprio Temer ficou contrariado ao ser informado da troca pela TV, como adiantou a coluna de Leandro Mazinni aqui neste site, em 1º de março. Saiba mais sobre o Congresso em Foco (2 minutos em vídeo)

Confira a íntegra da nota:

“Nota à Imprensa

A presidenta da República, Dilma Rousseff, reiterou hoje os agradecimentos ao ministro do Desenvolvimento Agrário, deputado Afonso Florence, por sua importante colaboração à frente da pasta.A presidenta lamenta interpretações em contrário e considera que Florence prestou grandes serviços ao processo de inclusão social no campo. No comando do Ministério do Desenvolvimento Agrário, ele participou de ações que fortaleceram a agricultura familiar e ajudaram a melhorar a vida de milhares de brasileiros.

A presidenta está certa de que continuará contando com o valioso apoio e a colaboração de Afonso Florence, que deixa o cargo para se dedicar a projetos importantes para seu estado, a Bahia.

Secretaria de Imprensa”

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