Congresso dos EUA vê em Bolsonaro uma ameaça à democracia e ao ambiente

Um documento elaborado pelo Congresso dos Estados Unidos aponta que o governo chefiado por Jair Bolsonaro representa riscos para a democracia, direitos humanos e meio ambiente. O relatório foi publicado no último domingo (5) e tem 26 páginas. Leia a íntegra. O texto foi revelado pelo jornal Folha de São Paulo nesta quinta-feira (9).

“Apesar de parecer haver considerável apoio no Congresso para formar uma parceria estratégica de longo prazo com o Brasil, muitos membros [do Senado e Câmara americanos] podem relutar em fazer avançar grandes acordos comerciais bilaterais ou iniciativas de segurança no curto prazo”.

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A justificativa para a relutância são as “preocupações acerca da erosão da democracia, direitos humanos e proteções ambientais sob Bolsonaro”.

O relatório é a versão mais recente da análise interna das relações Brasil - Estados Unidos feita pelo Serviço de Pesquisa do Congresso. Quem escreve o texto é o especialista em América Latina Peter J. Meyer.

A ação do Poder Legislativo estadunidense contrasta com que o governo de Jair Bolsonaro alega nas relações diplomáticas com Estados Unidos. Bolsonaro e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmam ter proximidade com a atual administração do país e que isso geraria ganhos diplomáticos para o Brasil.

O chanceler brasileiro chegou a mencionar na reunião ministerial do dia 22 de abril que, após a pandemia do coronavírus, o Brasil estaria entre as cinco ou seis potências que influenciariam o rumo mundial.

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"Muitos analistas argumentam que há risco à democracia no Brasil sob Bolsonaro. Desde que tomou posse, o presidente continuou celebrando a ditadura militar brasileira, e seus filhos - que têm um papel influente no governo - têm questionado a democracia e sugerido que medidas autoritárias talvez fossem necessárias em certas circunstâncias. Bolsonaro também participou de atos nos quais seus apoiadores pediram uma intervenção militar para fechar o Congresso e a Suprema Corte", consta em trecho do relatório.

Também são citados os conflitos provocados por Bolsonaro em relação às medidas de combate ao coronavírus. Em diversos casos, o presidente desrespeitou o isolamento social e participou de aglomerações, algumas das vezes sem máscara. “A politização da pandemia e a falta de coordenação entre diferentes níveis de governo podem ter contribuído para a resposta ineficaz do país”.

Outro caso mencionado foi a demissão de Sergio Moro do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O ex-juiz da Lava Jato saiu do governo acusando Bolsonaro de tentar interferir politicamente na Polícia Federal.

"Bolsonaro também tentou exercer interferência política em agências aplicadoras da lei, potencialmente escondendo investigações e pondo em dúvida a questão da independência das instituições brasileiras. O ex- ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro renunciou ao cargo em abril de 2020 após Bolsonaro ter demitido o diretor geral da Polícia Federal, alegando pressão do g0verno para ter acesso a informações confidenciais de investigações em andamento. Bolsonaro nega as acusações."

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