Governistas negam saída de Guedes; ala do Congresso vê queda de braço com Bolsonaro

O Congresso em Foco colheu a opinião de deputados e senadores sobre as discordâncias entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Nesta quarta-feira (26), o presidente disse ser contra as ideias da equipe econômica para apresentar o Renda Brasil, reformulação do Bolsa Família. Bolsonaro criticou a sugestão do ministro de excluir o abono salarial para bancar a ampliação do Bolsa Família e disse que suspendeu a iniciativa.

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O líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO), considerou natural a falta de consenso e disse que isso vai ser ajustado.

“Ele é o assessor mais próximo do presidente, já foi provado isso mil vezes. ‘Entramos juntos e saímos juntos’. Sobre a proposta, está em discussão a política de auxílio emergencial, vai ter sempre essas informações até chegar em um consenso e anunciar”, declarou.

Na base governista da Câmara, o clima também é de não dar importância para isso. Aliados do Bolsonaro no Centrão descartam que o ministro vai pedir para sair após ser desautorizado por Bolsonaro.

A senadora Kátia Abreu (PP-TO) viu de forma mais negativa a relação entre o presidente e o ministro. “Um doido pra gastar e se reeleger e o outro doido pra economizar. Vamos ver no que dará esta queda de braços”.

A ex-líder do governo no Congresso deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), que hoje adota discurso crítico a Bolsonaro, comparou o tratamento dado a Guedes com o que Sergio Moro recebeu antes de sair do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

“Tristeza. Jair Bolsonaro desautoriza publicamente Paulo Guedes com discurso demagógico e populista. Joga pra plateia. Dólar sobe e bolsa cai. É o fim da austeridade? Acabou o liberalismo e assumiu o populismo? Vai fritar ministro da Economia como fez com Sergio Moro e outros aliados?”, escreveu no Twitter.

Renda Brasil pode começar a ser apresentado para congressistas na semana que vem

A equipe econômica do governo quer ampliar o número de beneficiários do Bolsa Família e aumentar o valor do benefício. A ideia que o auxílio seja algo entre R$ 250 e R$ 300, hoje o valor máximo do Bolsa Família é de R$ 205.

Uma das formas de bancar o aumento é a exclusão de outros benefícios sociais considerados menos eficientes, especialistas defendem o fim do seguro defeso, abono salarial e salário família. No entanto, os cortes vão ser revistos após a insatisfação externada por Bolsonaro. O objetivo é que o novo programa comece a valer no final de janeiro de 2021, quando terá acabado o auxílio emergencial.

O líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes, disse ao Congresso em Foco que o Renda Brasil pode começar a ser apresentado para aliados do governo no Poder Legislativo na próxima semana. “Vão fazer essa exposição assim que ficar pronto, ou neste final de semana ou na semana que vem, no começo da semana, pelo menos é o que está previsto”, afirmou.

A ideia inicial era divulgar o programa nesta semana, mas o presidente Jair Bolsonaro não ficou satisfeito com as ideias apresentadas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

Já sobre o anúncio da prorrogação do auxílio emergencial, a ideia é que isso aconteça até sexta-feira (28). A configuração atual do auxílio vale apenas até a próxima segunda-feira (31). Bolsonaro já disse que o valor não vai continuar em R$ 600, mas afirmou que será maior que R$ 200, valor defendido por Guedes.

Gomes minimizou os obstáculos para fechar o Renda Brasil e achar espaço fiscal para implementá-lo. “Era difícil também dar o emergencial, eram três meses, já deram dois [além do previsto]. Vamos torcer para que a gente vença mais essa porque é o melhor para acontecer agora neste momento”, disse.

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