CPI: Marcos Tolentino nega ser sociedade com FIB Bank e mantém silêncio em depoimento

Apontado como sócio oculto do FIB Bank, o empresário Marcos Tolentino, dono da Rede Brasil de Televisão, prestou depoimento nesta terça (14) à CPI da Covid no Senado. Em depoimento, Tolentino negou quaisquer ligações com a empresa Fib Bank. "Não sou sócio da empresa", disse.

O advogado afirmou ao relator da Comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), não existir documentos que provem sua relação com a empresa. No entanto, Calheiros refutou a declaração e exibiu vídeo e documentação que apontam que, em 2011, a Benetti Prestadora de Serviços emitiu uma procuração de plenos poderes a Tolentino para representar legalmente uma empresa sócia da FIB Bank, a Pico do Juazeiro.

Segundo ele, as ligações com a empresa Benetti Prestadora de Serviços foram encerradas há 12 anos. Desde então, por ter imóveis, ativos e precatórios em comum com empresas da antiga sociedade, ele possui procurações que o ligam ao atual sócio Ricardo Benetti.

O FIB Bank é acusado de emitir cartas de  fiança, mesmo sem ser um banco. A Precisa Medicamentos usou o documento para tentar negociação da compra de vacinas da Covaxin junto ao Ministério da Saúde. 

Requerimentos 

Os senadores aprovaram um requerimento do senador Rogério Carvalho (PT-SE)  para que a Procuradoria-Geral da República (PGR)  tome providências e solicite que o  Ministério da Saúde suspenda todos os contratos nos quais a  empresa FIB Bank seja fidejussória. Além disso, o requerimento solicita ao Tribunal de Contas da União (TCU) auditoria nos contratos existentes.

Outro requerimento aprovado foi o do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que requisita informações ao Ministério da Economia, Casa Civil, Advocacia-Geral da União e demais ministérios a respeito da suspensão das cartas de fiança emitidas pelo FIB Bank.

A comissão também aprovou os pedidos de informações apresentados pelos senadores Humberto Costa (PT-PE), Rogério Carvalho (PT-SE) e Marcos Rogério (DEM-RO), para consulta à Junta Comercial de São Paulo sobre empresas supostamente ligadas a Marcos Tolentino.

Confira os principais pontos do depoimento 

Por força de liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal, o depoente tinha o direito de ficar calado em questionamentos que possam o incriminar.  Porém, no início da reunião da CPI, Marcos Tolentino discursou e se comprometeu a dizer a verdade sobre os fatos que tem conhecimento.

Ele se desculpou com os senadores membros da Comissão por ter comparecido no dia do depoimento do líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR). De acordo com Tolentino, a intenção não era "afrontar a CPI", disse. O advogado compareceu ao colegiado acompanhado de um médico. A justificativa para o comparecimento junto a um profissional de saúde são as sequelas da infecção por covid-19.

O advogado negou que recebeu o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e o dono da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano, em um jantar para tratar de vacinas em sua residência. O advogado  alegou que durante as negociações irregulares da vacina Covaxin, ele estava em uma Unidade de Terapia Intesiva (UTI).

"Sou um sobrevivente, mesmo. Eu me encontrava internado na UTI do Hospital Sírio-Libanês. Fui intubado, extubado, fiquei quase 90 dias lá. Tive duas paradas cardíacas, infecção generalizada em todo esse período: fevereiro, março, abril, tendo que reaprender a andar depois, em estado de coma... Pessoas com quadro semelhante tiveram 2% de chance, e por Deus eu consegui sobreviver", justificou.

O depoente informou que não é amigo pessoal do presidente Jair Bolsonaro. De acordo com Tolentino, ele e o presidente se encontraram "casualmente" no período que o atual dirigente do Planalto era deputado na Câmara dos Deputados. Sobre os filhos do presidente Bolsonaro, Marcos Tolentino afirmou conhecer o senador Flávio Bolsonaro (Patriotas-RJ) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Ele também disse que conhece o deputado Ricardo Barros há alguns anos.

Em todos os questionamentos, Marcos Tolentino negou que tenha negociações com o deputado Ricardo Barros na propriedade de precatórios federais. Apesar disso, Tolentino disse que foi convidado para ir até a CPI da Covid acompanhar Barros em seu depoimento.

O depoente não quis se pronunciar sobre as relações com a empresa Benetti. Marcos Tolentino também ficou em silêncio sobre ter comprado a massa falida da empresa Chocolates Pan. Segundo Renan Calheiros (MDB-AL), a empresa teve como diretor o pai de Danilo Trento, diretor da Precisa Medicamentos.

Randolfe Rodrigues (Rede-AP) questionou a ligação de Tolentino com a advogada Karina Kufa, representante da família Bolsonaro. À CPI, o depoente respondeu que Karina o representou em um processo na Justiça Eleitoral.

Em depoimento, Randolfe apresentou documentos que comprovam que Tolentino possui 6 CPF's cancelados pela Receita Federal e dois ainda ativos.

“Por que V. Sa. tem tantos CPFs cancelados na Receita Federal? Tem um CPF de terminação 09, 00609: cancelado; um CPF 0053, terminação 81: cancelado; o CPF 005, terminação 80: cancelado; um CPF 101, terminação 60: cancelado. E algo curioso: o CPF de terminação 84 e o CPF de terminação 05 estão como regulares, mas ninguém pode ter dois CPFs regulares”, questionou o senador.

O depoente se recusou a responder.

Entenda:

O nome de Tolentino é ligado ao líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), também alvo da CPI. De acordo com o depoimento do deputado federal Luís Miranda (DEM-DF), o presidente Jair Bolsonaro atribuiu a Barros a coordenação de um esquema de irregularidades nos processos para aquisição de vacina contra a covid-19 dentro do Ministério da Saúde.

O depoimento de Tolentino estava agendado para o dia 1 de setembro, mas a oitiva foi cancelada após ele apresentar um atestado médico. Na segunda (14) a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Carmen Lúcia, negou pedido de reconsideração da defesa para que o depoimento dele fosse cancelado. Ela também indeferiu outro pedido, este para que não houvesse risco de condução coercitiva, conforme já autorizado pela Justiça Federal, caso ele não comparecesse ao Senado.

Esta deve ser a penúltima semana de trabalhos do colegiado e a expectativa é de que o relatório final seja apresentado até o dia 24 de setembro. Nestes últimos dias, a CPI deve focar nas investigações sobre o caso Covaxin e o papel da Precisa nesse esquema. Para a quarta-feira (15) há previsão do depoimento do advogado Marconny Faria, lobista da Precisa Medicamentos e apontado como pessoa próxima ao filho mais do presidente, Jair Bolsonaro, Renan Bolsonaro.

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