Witzel se retira da CPI, mas promete reunião sigilosa com senadores membros

Na linha de apurar a gestão dos governos estaduais durante a pandemia, os senadores receberam na CPI da Covid  nesta quarta-feira (16) o ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. Afastado pela Justiça em setembro do ano passado por suspeita de corrupção na área da saúde durante a construção de hospitais de campanha, Witzel foi destituído do cargo por um processo de impeachment no dia 30 de abril deste ano. Ele também perdeu os direitos políticos por cinco anos.

Convocado para a CPI da Covid para explicar as denúncias de corrupção que enfrenta, Witzel chegou a entrar com um pedido de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) para que tivesse a possibilidade de não comparecer à comissão. O ex-governador conseguiu o habeas corpus, mas mesmo assim informou que iria “responder a todas as perguntas”.

Em depoimento aos senadores, nas duas reuniões em que esteve com Bolsonaro e prefeitos para tratar sobre a epidemia de coronavírus, o ex-governador se viu desamparado para comprar equipamentos.

“Os governadores, prefeitos de grandes capitais, prefeitos de pequenas cidades, ficaram totalmente desamparados do apoio do Governo Federal. Isso é uma realidade inequívoca, que está documentada em várias cartas que nós encaminhamos ao presidente da República. E o fórum de governadores que eu integrava, como um dos organizadores, ao lado do governador João Doria, fizemos vários pedidos ao presidente para reunião.”

Em seu discurso inicial, Witzel afirmou acreditar que  o início do seu processo de impeachment se deu a partir do momento em que, enquanto governador, a Polícia Federal iniciou as investigações do caso da vereadora Marielle Franco, vereadora do Psol morta a tiros no Rio de Janeiro, em 2018.

"Quando foram presos os dois executores da Marielle o meu calvário e a perseguição contra mim foram inexoráveis. Ver um presidente da República, numa live lá em Dubai, acordar na madrugada pra me atacar, pra dizer que eu estava manipulando a polícia do meu Estado, ou seja, quantos crimes de responsabilidade esse homem vai ter que cometer até que alguém o pare?", disse.

Bate-boca

Em depoimento tenso desde o início, Witzel chegou a dizer que corre risco de morte. Randolfe Rodrigues (Rede-AP) sugeriu que o depoimento do ex-governador fosse feito de maneira sigilosa. Houve bate-boca entre Witzel e o senador Flávio Bolsonaro, que acompanhava a sessão e também discutiu com colegas da Casa.  O ex-governador do Rio de Janeiro negou a necessidade de um depoimento em reservado nesta quarta-feira.

Witzel afirmou que a presença de Flávio Bolsonaro não o intimidava, mas solicitou que ele tivesse respeito. “Se você fosse mais educado e menos mimado você ouviria”, disse ao filho do presidente.

O ex-governador disse ainda que carreatas a favor do presidente Bolsonaro e contra o isolamento social no Rio de Janeiro contaram com a organização dos deputados estaduais Alana Passos (PSL-RJ), Anderson Moraes (PSL-RJ), Filippe Poubel (PSL-RJ) e o congressista Otoni de Paula (PSC-RJ).

Por volta das 14h15, o ex-governador interrompeu a fala do senador Eduardo Girão e se retirou da sessão, com a promessa de retornar e falar sigilosamente com os membros da CPI sobre seu processo de impeachment.

A nova oitiva ainda não tem data para acontecer. Protegido pelo habeas corpus, Witzel não se opôs aos questionamentos dos senadores, mas disse ter pedido a sessão sigilosa "para poder aprofundar questões sobre o financiamento do seu impeachment e quem o financiou.

Antes disso, Jorginho Mello disse a Witzel que ele foi uma "negação" na política brasileira.

Novos requerimentos

Novos requerimentos apresentados pelo vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), de quebras de sigilo telefônico, telemático, fiscal e bancário  foram aprovados na CPI da Covid nesta quarta-feira (16). O empresário Carlos Wizard, apontado como integrante do “gabinete paralelo”, grupo de aconselhamento do presidente Jair Bolsonaro fora das diretrizes do Ministério da Saúde na gestão da pandemia, teve a quebra de sigilo aprovada pela Comissão.

Os executivos da farmacêutica Apsen, que produz hidroxicloroquina, Renata Spallici e Renato Spallici também tiveram os sigilos  telefônico, telemático, fiscal e bancário quebrados. A empresa foi favorecida com pedidos do presidente Jair Bolsonaro do remédio sem eficácia comprovada para a covid-19 a autoridades indianas.

Na segunda-feira (14), o ministro Luís Roberto Barroso suspendeu as quebras de sigilo dos servidores do Ministério da Saúde Camila Giaretta Sachetti e Flávio Werneck. A ideia dos senadores é refazer todas as votações de sigilos bancários barrados pelo Supremo Tribunal Federal.

 

 

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