Conselheiro de Bolsonaro, Terra foi comunista e teve esposa torturada na ditadura

A CPI da Covid ouve, nesta terça-feira (22), o primeiro deputado federal da lista, o gaúcho Osmar Terra (MDB-RS), que deve responder perguntas que vão além de suas atividades no Congresso.  Terra foi convocado para falar sobre o papel desempenhado por ele em um suposto "gabinete paralelo" de aconselhamento ao presidente Jair Bolsonaro no combate à pandemia.

Sob a aposta em uma imunidade da população por contágio massivo, o Brasil de Jair Bolsonaro chegou no último sábado (19) a 500 mil mortos pela covid-19.

Terra é médico, formado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Nos anos 1960, enquanto líder estudantil na PUC, também se envolveu com a luta contra a ditadura militar.

A então namorada, Mônica, que depois virou sua esposa, chegou a ser torturada durante o regime de exceção. Anos depois, o torturador, Carlos Alberto Brilhante Ustra, foi elogiado pelo então companheiro de Câmara de Osmar Terra, o na época deputado federal Jair Bolsonaro.

O casal, hoje divorciado, teve de deixar o país para escapar da repressão. Os dois, que integravam o PCdoB, viveram exilados na Argentina e depois no interior do Rio Grande do Sul.

Entre janeiro de 2019 e fevereiro de 2020 Osmar Terra foi ministro da Cidadania do governo Bolsonaro. Apesar de ter deixado o comando da pasta, permaneceu como um dos principais influenciadores do presidente e hoje orbita ao redor dele, repetindo falas negacionistas em relação à pandemia.

A expectativa para esta terça é de que o deputado tenha que explicar algumas de suas previsões sobre a pandemia que jamais se realizaram. Em março de 2020, por exemplo, ele disse que a covid-19 não mataria, em um ano, mais que as 730 vítimas da H1N1 no mesmo período.

Em 18 de março de 2021, um ano após essa previsão falha, o país registrou 2.096 mortos em apenas um dia, além de 288 mil vítimas pela doença no acumulado do período pandêmico.

Desde o início da CPI da Covid  o nome de Osmar Terra voltou aos holofotes por acusações de que ele integrava o "gabinete paralelo" do presidente Jair Bolsonaro, tomando decisões de maneira extraoficial e ignorando autoridades da saúde e da ciência. A articulação entre infectologistas a favor de um inexistente "tratamento precoce" contra a covid encontraram em Terra um poderoso articulador.

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