Tereza Cristina é pressionada a disputar o comando da Câmara

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, é pressionada por aliados para voltar ao mandato de deputada federal e concorrer à presidência da Câmara em fevereiro de 2021. Ela é deputada licenciada pelo DEM do Mato Grosso do Sul.

Em conversas com deputados, a ministra nega a intenção de concorrer. O Congresso em Foco confirmou que há um movimento para a candidatura. A articulação não foi iniciada por Tereza, mas  por congressistas ligados a ela, e conta com o apoio de segmentos das bancadas ruralista e feminina e base do governo na Câmara.

"Ela nunca aceitou falar desse assunto. É um movimento natural... Uma conversa que ganhou força. Na verdade, a primeira meta seria convencê-la de aceitar", disse um deputado que se reuniu com a ministra recentemente.

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Por enquanto não há uma posição unificada. Esses três grupos da Câmara também estão divididos no apoio às candidaturas de Marcos Pereira (Republicanos-SP), Arthur Lira (PP-AL) e Baleia Rossi (MDB-SP).

>Disputa pela presidência da Câmara e eleições paralisam votações

Antes de conseguir ter votos para que Tereza Cristina ganhe força na disputa, os partidários da candidatura dela têm como desafio adicional convencê-la a disputar. Um deputado próximo à ministra entende que uma candidatura dela encontraria grande resistência, por levantar questionamentos sobre sua independência em relação ao Palácio do Planalto. “Ficaria parecendo uma encomenda do Planalto, uma tentativa de interferência ou cooptação do Executivo em relação ao Legislativo”, afirmou.

O líder do Solidariedade, deputado Zé Silva (MG), que é da bancada ruralista, elogia Tereza Cristina, mas afirma que ela cumpre um papel melhor no ministério. "Ela tem uma missão como ministra muito estratégico para o agro brasileiro. Acho que Governo não irá entrar nesta batalha".

O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), afirma que desconhece a possibilidade de Tereza disputar a Câmara e defende que o governo não faça grandes interferências na disputa do Legislativo. "Todos podem [ser candidatos]. Não ouvi isso. Governo não deve se meter na eleição da Câmara".

Outro movimento que pode mexer na configuração atual da Esplanada dos Ministérios é a ação de parte do Congresso para que o Ministério da Economia seja desmembrado. Aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmam que ele sempre ouviu pedidos de congressistas para a recriação do Ministério da Indústria e Comércio Exterior e que a pressão para isso voltou a ganhar força nos últimos dias.

O presidente Jair Bolsonaro se manifestou nas redes sociais e classificou como "fake news" a recriação da pasta. O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou na quinta-feira (8) em entrevista coletiva que o desmembramento é "conversa fiada".

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