Mourão lamenta morte de Bebianno; Bolsonaro ainda em silêncio

O clima ainda é de silêncio no alto escalão do governo federal a respeito da morte de Gustavo Bebianno. No início desta tarde, o vice-presidente Hamilton Mourão foi o primeiro a se manifestar. Pelo Twitter, o vice-presidente lembrou que Bebianno, morto na última madrugada aos 56 anos, esteve com ele e Jair Bolsonaro desde o início da campanha. Mourão declarou pesar e minimizou as divergências políticas do ex-ministro com o governo após sua saída da Secretaria-Geral da Presidência.

O presidente Jair Bolsonaro e ministros como Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Onyx Lorenzoni (Cidadania), que participaram da campanha presidencial desde o início, ao lado de Bebianno, também não haviam se manifestado até o fechamento deste texto. O advogado presidiu o PSL durante o período eleitoral a pedido do próprio candidato e foi considerado peça-chave na eleição.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), lamentou a morte de Bebianno, que era pré-candidato à prefeitura do Rio de Janeiro.

De acordo com as primeiras informações, Bebianno morreu de infarto. Amigos dele, no entanto, cobram uma investigação sobre as circunstâncias da morte, como mostrou o Congresso em Foco.

Em 29 de outubro de 2019, o ex-ministro revelou com exclusividade ao Congresso em Foco sua filiação ao PSDB e que temia que Bolsonaro desse um golpe de Estado. Recentemente, Bebianno disse em entrevistas que tinha receio do que poderia lhe acontecer em razão de suas manifestações públicas a respeito do presidente e dos bastidores de sua eleição. O advogado disse a jornalistas e amigos que tinha material guardado no exterior para que fosse revelado após sua morte. Também contou que havia enviado cartas a pessoas próximas, contando em detalhes quem seriam as pessoas interessadas em sua morte caso isso ocorresse.

Em dezembro do ano passado, Gustavo Bebianno afirmou em entrevista à Jovem Pan que havia deixado material sobre Bolsonaro no exterior caso acontecesse alguma coisa com ele. “Se o presidente acha que eu tenho medo dele, ele está enganado. Eu sou tão ou mais homem que ele. Tenho um material, sim, e fora do Brasil. Tenho muita coisa e não tenho medo. Uma vez o presidente disse que eu voltaria para minhas origens, mas minha origem é muito boa”, afirmou. Também disse à revista Veja que havia mandado material para que amigos só revelassem após sua morte.

Considerado homem de confiança do presidente, foi o primeiro grande aliado com quem Bolsonaro rompeu após assumir o mandato. Sua permanência no cargo não chegou a dois meses. Foi demitido por influência do vereador carioca Carlos Bolsonaro (PSC), filho do presidente. Carlos via no então ministro o maior obstáculo para sua estratégia de controlar a comunicação do pai. Ele acusava o ex-presidente do partido de tramar contra Bolsonaro.

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