Bolsonaro ignora protocolos de saúde para liberar vacinados de máscara

O presidente Jair Bolsonaro indicou, nesta quinta-feira (10), que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, vai editar uma norma desobrigando o uso de máscara por pessoas já vacinadas e por aqueles que já foram infectados pelo coronavírus. A medida vai contra todos os protocolos médicos, que indicam o uso de máscara para conter a pandemia, que tem apresentado diferentes variantes.

"Acabei de conversar com um tal de Queiroga, e ele vai ultimar um parecer visando a desobrigar o uso de máscara por parte daqueles que foram vacinados ou já contaminados", disse o presidente durante evento do Ministério do Turismo, "para tirar esse símbolo que tem sua utilidade para quem está infectado".

Durante sua fala, Bolsonaro foi aplaudido ao propor a norma. O assunto, no entanto, tem sido regulamentado por estados e municípios.

A fala de Bolsonaro vai contra diretrizes difundidas no mundo todo pelo uso de máscaras. Apenas países onde a vacinação contra a covid-19 alcançou níveis superiores a 60% começam a autorizar a circulação sem máscaras – como Israel e partes dos Estados Unidos.

No Brasil, onde a taxa completa de imunização não chegou a 15% da população maior de 18 anos, autorizar pessoas a ficarem sem máscaras na rua pode aumentar a circulação do vírus, já que vacinados ainda são capazes de transmitir a doença.

Após a fala de Bolsonaro, o ministro Marcelo Queiroga disse que recebeu a proposta e que "Vamos atender esta demanda do presidente Bolsonaro, que tá sempre preocupado em pesquisas em relação à covid", disse o ministro – o quarto desde o início da pandemia.

Queiroga, no entanto, deixou uma mensagem indireta – a de que a flexibilização do uso de máscara só ocorre quando a vacinação avança. "O presidente acompanha o cenário internacional, e vê que em outros países onde a campanha de vacinação já avançou, as pessoas já estão flexibilizando o uso das máscaras", comentou.


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