Temer: “Aguardo respeitosamente a decisão do Senado”

Em entrevista veiculada no Jornal Nacional, vice-presidente minimizou o fato de vir a governar, em caso de impeachment, com alguns alvos da Lava Jato. Sobre Cunha na Presidência, desconversou: "Só avaliarei se eu assumir o posto"

A edição do Jornal Nacional desta terça-feira (3) apresentou uma entrevista com o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB-RJ), que intensificou a agenda de reuniões diante da iminência de um provável impeachment da presidente Dilma Rousseff. Primeiro na linha de sucessão presidencial, o peemedebista está prestes a comandar, mesmo que por apenas um período de seis meses, a maior economia da América Latina, mas diz que é necessário aguardar "respeitosamente" a decisão do Senado. Amanhã (quarta, 4), o relator da comissão especial do impeachment, Antonio Anastasia (PSDB-MG), lerá seu parecer, com data prevista para votação na próxima sexta-feira (6). Na próxima semana, caso confirmada em plenário uma eventual aprovação no colegiado, Dilma deve ser afastada por 180 dias.

Na entrevista, gravada por meio de câmara de celular pelo repórter Gerson Camarotti, Temer diz que o problema central do país é a crise econômica. "É claro que espero produzir algo produtivo para o país. Nesse assunto em particular [crise econômica], estou examinando cada matéria com a colaboração de [Henrique] Meirelles e pretendo logo no início apresentar algo palatável e útil ao Brasil", enfatizou, referindo-se ao escolhido para comandar o Ministério da Fazenda.

Ainda segundo Temer, outra dificuldade tem sido a redução da quantidade de ministérios. O vice-presidente contou que quer chegar ao número de 27 pastas, mas que, para isso, prevê a supressão de ministérios ligados a áreas sociais, um dos pontos mais questionados por parlamentares do PT e demais adversários. "Como tenho recebido muitas retaliações sobre as questões sociais, estou analisando com calma", ponderou.

O vice-presidente minimizou o fato de alguns dos nomes especulados para ocupar cargos em seu governo aparecerem na lista de investigados da Operação Lava Jato. "Estamos examinando ainda. Não formalizei nenhum convite. E é importante entender que, em panorama geral, investigação é investigação. Não sei se isso impediria a convocação. Estou examinando esse aspecto ainda, não defini nada a respeito disso", destacou.

Fator Cunha

Sobre uma eventual ocupação da Presidência da República pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), primeiro na linha sucessória no caso de Temer se ausentar do país, por exemplo, o vice-presidente foi enfático: "Só avaliarei se eu assumir o posto", finalizou.

Na manhã desta terça-feira o PSDB entregou um conjunto de medidas para participar de um possível governo Temer. O partido pretende indicar ainda um grupo de tucanos para preparar ações imediatas para apresentar ao peemedebista caso ele assuma a presidência. Aécio Neves, presidente nacional da legenda, afirmou que entre as propostas estão o combate irrestrito à corrupção e a responsabilidade fiscal com a União.

O PSB foi na linha dos tucanos e anunciou hoje que seu apoio a Temer também não depende de cargos. O partido manifestou sua posição em reunião com o próprio Temer na sede da Vice-Presidência, no prédio anexo do Palácio do Planalto. Presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira foi ao encontro com o peemedebista acompanhando de líderes do partido na Câmara e no Senado, e a ele entregou um documento listando dez providências com as quais, segundo a legenda, o eventual governo Temer deverá se comprometer.

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