Tabata acusa PDT de perseguição: “Espalharam mentiras sobre mim”

Decidida a sair do PDT, a deputada Tabata Amaral (PDT-SP) afirmou nesta terça-feira (15) que houve perseguição política dentro do partido. Ela disse que, após a votação da reforma da Previdência, o PDT escolheu "alguns Cristos". São deputados que, segundo Tabata, sofreram críticas, foram alvo de mentiras e ficaram isolados não apenas porque votaram a favor da Previdência, mas porque estavam tentando inovar o fazer político.

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"Havia perseguição contra alguns mandatos", revelou Tabata, ao lado de mais três deputados do PDT, ao comentar os motivos que a levaram a apresentar uma ação na Justiça Eleitoral para reivindicar o mandato na Câmara do PDT. "O que move cada um de nós é uma perseguição muito individualizada. Quando vocês tiverem acesso aos processos vão entender que cada um de nós sofreu uma perseguição do partido dentro nos seus estados. Foram acusações nominais. Foram ao rádio e à TV para falar coisas horríveis e mentirosas sobre a gente", atacou a deputada.

Além de Tabata, os deputados Flávio Nogueira (PDT-PI), Marlon Santos (PDT-RS) e Gil Cutrim (PDT-MA) vão à Justiça contra o PDT para tentar sair do partido sem perder o mandato e, assim, se livrar da suspensão parlamentar sofrida após a votação da reforma da Previdência. Flávio Nogueira concordou com a fala da Tabata e disse que foi "cassado" da presidência estadual do PDT. "Não existe diálogo", acrescentou Nogueira. "O PDT vive uma situação extremamente autocrática. O partido tem um dono e fez com que eu e meus colegas nos sentíssemos deputados abaixo do esperado. Não dá para ficar em um partido que fecha questão sem conhecer a reforma e sem falar com os deputados e depois quer que os deputados votem 'a cabresto'", completou Marlon Santos.

Santos disse ainda que a punição imposta aos "dissidentes da reforma" comprova que há dois pesos e duas medidas no PDT. Afinal, no Senado, Kátia Abreu (PDT-TO) também votou a favor da reforma e, mesmo assim, não sofreu nenhuma das críticas ou punições aplicadas aos deputados que votaram dessa forma. "Respeito e admito a coragem da senadora Kátia de votar assim. Mas a votação do Senado mostra que o comportamento não é igual, é bem individualizado", reforçou Tabata Amaral.

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A deputada ressaltou ainda que só a direção partidária pode dizer porque o PDT escolheu "alguns Cristos". Ela diz, porém, que cada um desses "Cristos" "tem muito claro suas razões, o nível da perseguição e o quão desproporcional ela foi". Tabata, por exemplo, acredita que a perseguição está relacionada com os deputados que tentaram inovar o fazer político do PDT. "É bem individualizada, com os parlamentares que estavam incomodando. E, na minha visão, incomodava mais quem tentava trazer uma inovação. Quem queria debater, queria negociar e não quis virar as costas para o problema. Quando tem alguém que quer inovar um pouco nas práticas, fazendo essa boa política, isso incomoda mais do que tudo", afirmou.

Por conta disso, Tabata promete conversar com todos os partidos que possam acolher sua visão de mundo caso de fato consiga na Justiça o direito de sair do PDT sem perder o mandato na Câmara. Ela quer defender um alinhamento que "se preocupa com a desigualdade social, mas é fiscalmente responsável" e trabalhar no processo de renovação partidária. "Tem espaço para minha visão de mundo e se tem espaço para eu construir um partido mais ético, com mais mulheres e mais democracia? Se tem, então eu vou", afirmou Tabata, contando que, se encontrar esse partido, não vai sozinha porque sabe de outros parlamentares que também estão cansados com a "polarização política".

"A população está muito angustiada e desgostosa com os partidos. Esses partidos, para sobreviver, precisam se reinventar. Existe uma visão de mundo que vai além da extrema-esquerda ou da extrema-direita", acredita a deputada, que se coloca no centro-esquerda.

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