Santana deve admitir caixa dois em 2014, diz jornal

Para os amigos do publicitário João Santana, vai ser difícil ele contestar os indícios colhidos pela Lava Jato que mostram pagamentos feitos por meio de caixa dois a ele para a campanha de Dilma à Presidência de 2014

O marqueteiro de Dilma na campanha eleitoral de 2014, João Santana, deve admitir que recebeu dinheiro por meio de caixa dois na campanha de 2014. As informações são da colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo, com base no depoimento de amigos do publicitário. As pessoas ligadas a Santana afirmam que será difícil ele contestar os indícios colhidos pela Lava Jato. A mulher dele, Mônica Moura, também presa na Lava Jato, esta fazendo delação premiada e já disse aos investigadores que empresas contribuíram para a campanha usando o caixa dois.

Dilma, por sua vez, questionada sobre as supostas contribuições via caixa dois para a campanha de 2014, nega todas as denúncias. "Se eu paguei R$ 70 milhões [oficialmente a Santana], onde é que está o caixa dois", indagou a presidente em entrevista. Ela disse também que se considera amiga de Santana. "Eu acho que ele é uma pessoa com um caráter muito bom, uma pessoa correta. Eu não nego que tenho amigo quando o amigo fica na dificuldade, não. Ele é meu amigo", afirmou.

O ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, também citou o uso de caixa dois por parte da campanha de Dilma. Em nota, divulgada à época, a presidente questionou o fato e avaliou como “curioso” que aqueles que se mantiveram distantes da coordenação da campanha presidencial possam “dar informações de como foram pagos e contabilizados os recursos arrecadados legalmente para a sua realização”. Disse ainda que “os valores destinados ao pagamento do publicitário, conforme indica a prestação de contas, demonstram por si só a falsidade de qualquer tentativa de que teria havido outro pagamento não contabilizado para a remuneração dos serviços prestados”.

João Santana

Preso desde fevereiro em Curitiba, João Santana está trabalhando na faxina do complexo penal em que está detido. Ele tenta ainda, segundo a Folha, dar aulas de inglês. A cada dois dias trabalhados, os presos tem descontados um dia da pena que têm a cumprir.

João Santana foi responsável pelas últimas campanhas de Lula e Dilma e trabalhava, antes de ser preso pela 23ª fase da Operação Lava Jato, na reeleição do presidente dominicano Danilo Medina. O publicitário e sua esposa são acusados de ter recebido US$ 7,5 milhões de origem ilícita no exterior por meio do lobista Zwi Skornicki e de offshores ligadas à empreiteira Odebrecht.

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