Renan reage à PF e vai ao STF ‘conversar’ com Lewandowski

Presidente do Senado vai procurar presidente do STF para debater a “conjuntura” atual da relação entre os Poderes, e avalia medidas judiciais. Alvo da Lava Jato, Renan diz querer preservar “garantias individuais e coletivas”

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), estuda que providência tomar em relação aos supostos excessos da Polícia Federal na Operação Politeia, desdobramento da Operação Lava Jato que ontem (terça, 14) apreendeu carros de luxo do senador Fernando Collor (PTB-AL) e executou outras ações de busca e apreensão nas residências de parlamentares e demais investigados. No calor dos fatos e diante da repercussão na imprensa, Renan e Collor foram à tribuna do Plenário protestar contra a PF e, nas entrelinhas, sinalizaram que reagiriam ao episódio. O peemedebista leu uma nota em que chega a classificar como “invasão” a entrada de agentes em imóveis funcionais.

Ao menos publicamente, Renan diz que a primeira providência a ser tomada a respeito do assunto é recorrer ao diálogo com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski. “Vou procurar o presidente Lewandowski. Vou fazer uma visita a ele para conversar um pouco sobre essa conjuntura. Acho que os Poderes, mais do que nunca, precisam estar voltados para as garantias individuais e coletivas”, declarou o peemedebista.

Reservadamente, no entanto, Renan avalia que tipo de medida judicial poder ser formalizado para apurar os alegados excessos legais das incursões da PF nos imóveis funcionais. O peemedebista quer assegurar a atuação da polícia legislativa do Senado em futuras operações – a avaliação de Renan, Collor e do próprio advogado-geral do Senado, Alberto Cascais, é de que os policiais institucionais foram “atropelados” pelas equipes da PF. Segundo relatos, houve bate-boca e ameaça de prisão desses servidores por parte dos agentes federais.

Renan é um dos 50 políticos e ex-políticos investigados em inquéritos tramitando no STF. Em uma das acusações que pesam contra o senador está o recebimento de propinas em valores que ultrapassaram o teto de 3% definido como limite de repasses para políticos por meio dos desvios na Petrobras. A revelação é do ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa, feita em delação premiada à força-tarefa da Lava Jato. O esquema bilionário de corrupção foi promovido, segundo o conjunto probatório em poder do Ministério Público Federal, por um cartel de empreiteiras que fraudava contratos com a petrolífera.

Além de Collor, foram alvo da Operação Politeia nesta terça-feira (14) o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (PP-PI), e o senador Fernando Bezerra (PSB-PE). Além dos três senadores, a ação Polícia Federal também executou procedimentos de busca e apreensão em imóveis funcionais e privados do deputado Eduardo da Fonte (PP-PE) e dos ex-deputados João Pizzolati (PP-SC) e Mário Negromonte (PP-BA), ex-ministro das Cidades, em Brasília, Salvador, Recife e Florianópolis.

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