Psol vai questionar Bolsonaro no Conselho de Ética

Em visita à antiga sede do DOI-Codi, deputado fluminense teria agredido o senador Randolfe Rodrigues. Para presidente do partido, parlamentar extrapolou "todos os limites". Não é a primeira vez que ele se envolve em confusões

O presidente do Psol e líder do partido na Câmara, Ivan Valente (SP), informou nesta segunda-feira (23), que vai apresentar uma representação no Conselho de Ética contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) por quebra de decoro parlamentar. Ele é acusado de ter agredido com um soco o senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP), durante uma visita de senadores ao 1º Batalhão do Exército, no Rio de Janeiro.

A confusão ocorreu durante visita da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro ao local, que durante a ditadura militar abrigou o DOI-Codi. Os relatos iniciais dão conta que, ao tentar entrar no quartel, Bolsonaro forçou a passagem e chegou a dar um soco na barriga em Randolfe, que tentava impedir a entrada do deputado federal. Representantes de movimentos como o Tortura Nunca Mais e o Levante Popular da Juventude exigiam, aos gritos, a saída de Bolsonaro, que conseguiu entrar.

De acordo com nota divulgada pelo Psol, Ivan Valente dará entrada a uma representação contra Bolsonaro no Conselho de Ética da Câmara por quebra de decoro, com agravante de agressão física a um senador da República. “Ele usou de violência contra um senador. O Bolsonaro, mais uma vez, extrapola todos os limites”, afirmou Ivan Valente.

Recorrente

Esta não é a primeira vez que Bolsonaro se desentende com parlamentares do Psol. Em maio de 2011, o deputado fluminense e a então senadora Marinor Brito (Psol-PA) trocaram insultos enquanto a senadora Marta Suplicy (PT-SP) dava entrevista a jornalistas, explicando o motivo de ter retirado de pauta o projeto de lei que torna crime a discriminação de homossexuais. Os dois trocaram acusações e quase se agrediram no corredor que dá acesso ao plenário da Comissão de Direitos Humanos do Senado, interrompendo a entrevista da petista.

Na época, o partido também representou contra Bolsonaro no Conselho de Ética. No entanto, o órgão rejeitou a abertura de processo recomendada pelo relator, Sérgio Brito (PSC-BA). Ele defendeu a continuidade das investigações por entender que as declarações não estavam protegidas pela imunidade parlamentar. Para a maioria dos deputados, o processo feria o direito constitucional dos parlamentares à livre expressão.

Também em 2011, sem fazer alarde, a Mesa Diretora da Câmara livrou Bolsonaro de responder a processo por quebra de decoro parlamentar por supostamente abusar das prerrogativas de parlamentar ao disseminar preconceito e estimular violência com declarações contra negros e homossexuais. Ele havia participado de um quadro do programa CQC, da TV Bandeirantes, e dito que não iria discutir "promiscuidade com quer que seja" ao ser questionado pela cantora Preta Gil.

Além destes casos, Bolsonaro se envolveu em outras questões. No início do ano, após a polêmica escolha do deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) para presidir a Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara, ele disse que o colegiado fechado seria "melhor para a família". Também foi acusado pela psicóloga Tatiana Lionço de editar uma palestra dela em seminário na Câmara para dar a entender que ela defendia a pedofilia e o sexo entre crianças. Já se envolveu em uma briga com a então deputada Maria do Rosário, em 2003, quando chegou a afirmar que "não vou estuprar você porque você não merece" e a empurrou.

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