Prêmio destaca bons políticos, diz presidente da Anfip

Fábio Góis


Por dever de ofício, o presidente Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip), Jorge Cezar Costa, diz que a entidade mantém proximidade com o Congresso. E foi por isso que ele resolveu tornar a associação uma das apoiadoras da 5ª edição do Prêmio Congresso em Foco. Para ele, a iniciativa, que busca separar o joio do trigo entre os deputados e senadores no Legislativo federal, dá o devido destaque às boas práticas políticas, em um ambiente acostumado às denúncias de corrupção e mau uso do dinheiro público.


“Como entidade associativa com participação direta e convívio muito grande com o Congresso, achamos que essa é uma iniciativa muito importante. Ela privilegia quem tem um trabalho parlamentar favorável ao eleitor, que vai de encontro aos anseios da sociedade”, disse Jorge ao Congresso em Foco.

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Especialista em auditoria contábil, ele aponta a reforma tributária como principal bandeiras a ser defendida pela Anfip na próxima legislatura, que começa em 2 de fevereiro e vai até 31 de dezembro de 2014. “A reforma tributária é fundamental para garantir os recursos da seguridade social e da Previdência. Aliás,ela vai influenciar de maneira muito direta a questão da Previdência”, avalia, lembrando que questões como a desoneração das folhas salariais, a criação de um imposto único em nível nacional e a extinção da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) estão entre as pretensões da entidade e de determinados setores sociais.


Para Jorge, além de indispensável, a reforma se faz urgente. “É um tema que está se arrastando e essa nova legislatura tem de enfrentar o problema. Os parlamentares têm de implementar a reforma, para acabar, por exemplo, com a guerra tributária entre os estados”, prega o auditor fiscal, para quem o Brasil precisa se atualizar diante de modelos de tributação praticados por países mais bem resolvidos no setor.


“A reforma tributária é essencial e servirá para o Brasil trilhar o caminho do desenvolvimento. O sistema de tributação é difícil de evoluir. Espera-se que a reforma não seja tão regressiva”, acrescenta.


Eleição plebiscitária


Segundo o presidente da Anfip, as eleições presidenciais deste ano não são auspiciosas para o povo brasileiro, uma vez que a polarização em torno dos candidatos José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) acaba por enfraquecer o debate de temas capitais para o país. “Esse otimismo está difícil de ser encontrado, mas vamos esperar evoluir para vermos como vai funcionar. Essa polaridade entre os partidos, esse clima eleitoral acirrado não deixa ninguém otimista”, resignou-se Jorge, para quem a pluralidade dos congressistas eleitos e dos próprios partidos pode representar um alento.


“Essa é a grande preocupação [a falta de alternativas]. O Brasil é um país plural, não dá para se resumir a essa dicotomia de ser um partido de direita e outro de esquerda. Parece até que os outros [partidos] não existem. Mas existem outros partidos e com discurso interessante, que inclusive influenciaram o resultado das eleições”, completou Jorge.


Ele faz referência velada a nomes como Marina Silva (PV), terceira colocada no primeiro turno com 19.636.359 milhões de votos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (19,33% dos votos válidos); e Plínio de Arruda Sampaio (Psol), que movimentou os debates com declarações ácidas e irônicas e preside o partido cujos três integrantes na Câmara dos Deputados lideram a escolha dos internautas.


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Jorge considera que a nova composição “plural” do Parlamento se sobrepõe à eleição de candidatos-celebridade, que em tese não estariam preparados para representar o povo como congressistas. “A gente espera que, ao menos, eles saibam para quê e por que foram eleitos, saibam o que vão fazer no Congresso, entendam como funcionam as Casas [Câmara e Senado]. As celebridades ocupam espaços e, já que eles entraram, espera-se que contribuam de alguma maneira, usem essa condição de celebridade para contribuir”, opinou, destacando que o parlamentar eleito, independentemente de sua experiência, representa “uma camada de determinado extrato social”.


“Eles vêm com um pensamento de uma parte da sociedade. Essa pluralidade é primordial para as discussões, inclusive os temas ligados às áreas tributária e previdenciária”, concluiu, acrescentando que, além da obrigação cívica de votar no próximo domingo (31), vai escolher seus parlamentares também no Prêmio Congresso em Foco.

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