População limpa prateleiras para estocar comida no Espírito Santo

Situação na Grande Vitória é de calamidade pública devido à ausência da Polícia Militar no patrulhamento da cidade. Mesmo com chegada da Força Nacional, sensação é de insegurança. Lojas estão fechadas e ruas vazias

 

Ruas desertas, lojas saqueadas e crescimento de assaltos e homicídios. Este é o resultado da ausência da Polícia Militar nas ruas do Espírito Santo. Com medo, a população se recolhe em suas casas e sai delas apenas para necessidades básicas, como comprar alimento e ir a hospitais. Em um supermercado na Praia das Gaivotas (foto acima), em Vila Velha, por exemplo, os clientes limparam as prateleiras e formaram filas gigantes nos caixas para aproveitar enquanto a loja ainda está aberta. Alguns mercados têm filas até para entrar.

Segundo o auxiliar administrativo e morador de Vila Velha, Douglas Passamani, a sensação é de total insegurança. "O comércio em geral está todo fechado, as pessoas evitam ao máximo sair nas ruas, empresas e escolas não estão funcionando e notícias de mortes chegam a todo momento", relatou ao Congresso em Foco.

Reprodução/Twitter
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Em uma das principais avenidas de Vitória, chamada Dante Michelini, a cena é chocante. Mesmo à beira-mar e considerada local nobre da capital capixaba, a avenida está às moscas. Com medo, moradores preferem ficar em suas casas a arriscar andar pelas ruas.

Desde sábado, a região da Grande Vitória já registrou mais de 70 mortes, gerando transtornos até mesmo na liberação de corpos no Departamento Médico-Legal (DML) da capital.

A insegurança registrada no estado levou a prefeitura de Vitória a suspender a volta às aulas na rede municipal e o atendimento em todas as unidades de saúde da capital do Espírito Santo. Até mesmo a vacinação contra a febre amarela está temporariamente suspensa.

Força Nacional

Para auxiliar no combate à criminalidade, o governo federal enviou 200 militares da Força Nacional para a Grande Vitória. Apesar de ser bem recebida, e até aplaudida, pela população local, a tropa tem dificuldades para se ambientar à cidade quando precisa agir como a Polícia Militar.

A ajuda se fez necessária devido ao protesto das famílias dos policias militares - que estão dificultando a saída de viaturas de todos os batalhões do estado. Nas manifestações os policiais reivindicam reajuste salarial e o pagamento de auxílio-alimentação, periculosidade, insalubridade e adicional noturno para os agentes.

A justiça decretou a ilegalidade do movimento e proibiu a realização de qualquer tipo de paralisação dos serviços de segurança pública pelos policiais, sob pena de multa diária de R$ 100 mil para as associações de classe dos militares. O desembargador do Tribunal de Justiça do Espírito Santo Robson Luiz Albanez determinou ainda que os piquetes montados nas sedes da PM e do Corpo de Bombeiros sejam desfeitos.

De acordo com o secretário de Segurança Pública, André Garcia, a manifestação é uma "greve branca". Já para o diretor Social e de Relações Públicas da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar do Estado do Espírito Santo (ACS), Thiago Bicalho, o movimento de mulheres dos policiais militares foi espontâneo.

Além da crise de segurança pública, o Espírito Santo também sofre com um problema pessoal do governador – que está no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Ele passou por uma cirurgia para retirar um tumor na bexiga na sexta-feira (3). A previsão é que ele receba alta apenas na próxima quarta-feira (8). Até lá, o vice, César Colnago, tem atuado para conter a crise.

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