PF retorna aos grampos para investigar políticos

Delegado da PF Polícia Federal diz que analistas vão ouvir de novo os áudios que mencionam políticos na Operação Monte Carlo para produzir relatórios que esclareçam os interlocutores e o contexto das conversas. Dados serão enviados à CPI

O delegado da Operação Monte Carlo, Matheus Rodrigues, disse na quinta-feira (10) aos parlamentares da CPI do Cachoeira que os analistas vão ouvir novamente as gravações que citam políticos a fim de identificarem melhor a participação deles em supostos crimes em parceria com o bicheiro Carlos Augusto Ramos. A comissão investiga as ligações do contraventor com autoridades, como o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), e empresas com contratos com governos, como a empreiteira Delta.

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“Nossos analistas da PF vão fazer um novo trabalho de audição de todas das ligações em relação ao trabalho desta CPI”, afirmou Matheus Rodrigues, ao se referir às pessoas com foro privilegiado. Neles, vão identificar condutas que antes tinham passado despercebidas dos policiais pelo fato de não conhecerem os contextos desses diálogos “mais completos”. A PF vai encaminhar à CPI os novos relatórios e transcrições desses grampos.

Matheus disse que 90% das ligações de políticos observadas na Operação Monte Carlo foram tratadas apenas “como breve indício de culpa”. “E às vezes, no início das investigações, nem isso ficou conhecido, porque não conhecíamos os interlocutores e não tínhamos o contexto das conversas”, afirmou o delegado.

Agora, com essas informações, será possível fazer um trabalho mais profundo sobre a participação de políticos e autoridades nos negócios e supostos crimes da quadrilha de Cachoeira. “Há muito trabalho a ser feito para aprofundar esse tipo de investigação”, concluiu.

Quantidade de grampos

Para chegar a uma análise mais completa da participação de políticos com os supostos crimes atribuídos a Cachoeira, os parlamentares precisarão conferir se têm em seu poder todos os áudios produzidos pelas Operações Vegas e Monte Carlo. Na primeira, foram 61 mil interceptações telefônicas; na segunda, mais de 200 mil. Mas os deputados e senadores afirmam nos corredores da CPI não possuírem nem metade desse grampos na CPI.

O relator da comissão, Odair Cunha (PT-MG), disse que vai chamar um perito da Polícia Federal para conferir a base de dados à disposição da CPI e comparar com a quantidade de grampos das Operações Vegas e Monte Carlo. "Vamos requerer um perito para fazer essa checagem", disse ele na noite de quinta-feira, antes de deixar o Congresso. 

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