Operação Drácon: Justiça nega abertura de inquérito contra Liliane Roriz

Deputada foi acusada de falso testemunho e obstrução de Justiça pela colega Celina Leão. Tribunal do DF negou também o pedido dos denunciados pela Drácon para apagar arquivos íntimos investigados pelos procuradores

O Conselho Especial de Justiça do Distrito Federal negou a abertura de inquérito para investigar a deputada Liliane Roriz (PTB) por falso testemunho e obstrução de Justiça no âmbito da Operação Drácon, que investiga um esquema de corrupção na destinação de emendas parlamentares. A deputada foi acusada pela colega e presidente afastada da Câmara Legislativa, Celina Leão (PPS).

Na avaliação dos desembargadores, Celina deveria denunciar o caso a órgãos investigativos como o Ministério Público e a Polícia Civil, e não à Justiça comum. Em suas acusações contra Liliane Roriz, Celina diz que a colega obstruiu a Justiça ao apagar arquivos dos computadores de seu gabinete; apresentou falso testemunho ao relatar o suposto desvio de verbas públicas; e fraudou o processo apresentando provas "fraudulentas".

Liliane Roriz é a pivô das denúncias da operação Drácon. No final de 2015, a deputada gravou colegas combinando um suposto desvio sob uma emenda parlamentar que direcionou R$ 30 milhões da sobra orçamentária da Câmara a um grupo de seis empresas que prestam serviços de UTI. Além de Celina Leão, a Drácon também investiga os deputados Julio Cesar (PRB), Cristiano Araújo (PSD), Raimundo Ribeiro (PPS) e Bispo Renato Andrade (PR).

Privacidade

Os desembargadores negaram também o recurso do deputado Cristiano Araújo contra a divulgação de conteúdos particulares, como vídeos de seu celular. Os arquivos foram tornados públicos quando o Tribunal de Justiça retirou o sigilo do processo, em 22 de novembro. Pertences dos parlamentares apreendidos nas três fases da operação, como celulares e pendrives, continuarão com a Justiça.

Segundo o desembargador José Divino de Oliveira, "o inquérito ainda está na fase de análise da viabilidade da denúncia, quando sequer foi realizado um exame aprofundado dos elementos colhidos, de maneira que ainda não há como verificar o que interessa à investigação e determinar o descarte do restante."

A Operação Drácon investiga um esquema denunciado por Liliane Roriz, filha do ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz. A deputada gravou áudios de Celina Leão e do ex-secretário-geral, Valério Neves, falando sobre um suposto esquema de desvio de recursos da saúde por meio de emendas parlamentares. A Drácon está em sua terceira fase e gerou o afastamento de Celina da Presidência da Câmara Legislativa, além de buscas e apreensões em gabinetes e residências de cinco deputados distritais.

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