Oito réus são condenados por lavagem de dinheiro

Supremo encerra votação de item sobre lavagem de dinheiro. Até agora, 10 réus já têm alguma condenação e três foram absolvidos. Julgamento será retomado na próxima segunda

Ao concluir a análise do item 4 do processo do mensalão, que trata sobre o crime de lavagem de dinheiro, a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que oito réus ligados ao núcleo financeiro-publicitário foram responsáveis pela operação de lavagem dos recursos, que segundo a denúncia, foram utilizados para comprar apoio político de políticos ao governo Lula. Dessa forma, foram condenados por unanimidade o publicitário Marcos Valério, seus ex-sócios Ramón Hollerbach e Cristiano Paz, além de seu advogado Rogério Tolentino e a ex-diretora financeira da SMP&B, de propriedade de Valério, Simone Vasconcelos. A cúpula do Banco Rural também foi condenada por todos os ministros. Estão neste grupo a ex-diretora financeira Kátia Rabello e o ex-diretor José Roberto Salgado.

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O atual vice-presidente do Banco Rural, Vinícius Samarane, foi condenado por 8 votos a 2. Somente o revisor Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio Mello votaram por sua absolvição. O advogado de Valério, Rogério Tolentino, também foi condenado por 8 a 2. Votaram pela absolvição dele Lewandowski e Dias Toffoli. Simone Vasconcelos é a única entre os réus que ainda não havia sido condenada em outro crime. Nos dois itens já julgados, foram condenados o deputado federal pelo PT, João Paulo Cunha e o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato. Dessa forma, dos 37 réus do processo, dez já têm alguma condenação.

Os ministros decidiram por unanimidade absolver a ex-vice-presidente do banco Ayanna Tenório. Já a ex-gerente financeira de uma das agências de Marcos Valerio, Geiza Dias, foi absolvida por sete votos a três. Entenderam que ela é culpada o relator Joaquim Barbosa, Luiz Fux e Marco Aurélio. No entanto, as condenações e absolvições só serão definitivas ao final do julgamento porque, antes da proclamação dos resultados, qualquer ministro pode modificar o voto. No entanto, é improvável que isso aconteça.

Considerada pela própria defesa como uma funcionária "mequetrefe", Geiza teve o placar mais apertado: cinco votos pela absolvição contra quatro. O voto que definiu a sua situação foi proferido pelo presidente da Corte, Ayres Britto, que votou por sua absolvição. "Quanto a Geiza Dias, confesso que tive um pouco mais de dificuldade para chegar à conclusão. O comportamento da Geiza parece que se situou na tênue fronteira entre a extrema eficiência funcional e a cumplicidade criminal. Fiquei em dúvida, mas entendi que a denúncia não me permitiu sair do campo da eficiência funcional", disse.

Já o ministro Marco Aurélio, que votou pela condenação de Geiza, afirmou que  que os pagamentos eram realizados por ela e com o cargo que ocupava tinha plena capacidade de saber sobre a situação contábil da agência. “Se não fosse ela, como os pagamentos seriam feitos? Posso não concordar com o salário dela. Penso que ela merecia mais pelo que fazia. Ela tinha conhecimento da tramóia. [...] Como assistente financeira, ela devia conhecer muito bem a situação contábil da agência e devia saber que esse dinheiro não era limpo”, disse

Segundo o ministro Dias Toffoli, a denúncia do Ministério Público conseguiu comprovar a existência do chamado "valerioduto", mas evitou adiantar se considera que a ponta final dele foi de fato o pagamento em troca de apoio o político, o mensalão.  “Aquilo que a imprensa chamou de mensalão são cenas que assistiremos no próximo capitulo”, disse.

Ao encerrar seu voto, Ayres Britto afirmou que a corrupção é um “comércio ultrajante da função pública” e disse que isso faz com que os cidadãos deixem de acreditar no poder público.

A sessão de hoje foi a primeira desde o início do julgamento em que não foi feito um intervalo. Os ministros estão preocupados com o andamento do processo e querem acelerar a análise da ação penal. No fim da sessão, o ministro Joaquim Barbosa fez novo apelo para que a Corte convoque uma sessão extra. No entanto, os ministros deixaram a decisão para a próxima segunda-feira.

Na segunda-feira, o julgamento será retomado com a análise do item 6, que envolve a participação do núcleo político com ações de corrupção. É a maior fatia do julgamento, com 23 réus.

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