Nos jornais: Planalto revê estratégia para enfrentar Campos-Marina

Ideia é reforçar o perfil realizador de Dilma Rousseff em oposição ao "sonhático" de Marina Silva, informa O Estado de S. Paulo. Em O Globo, documentos oficiais mostram que o Ministério das Minas e Energia foi espionado por canadenses

O Estado de S. Paulo

Planalto revê estratégia para enfrentar Campos-Marina

O Palácio do Planalto já reavalia a estratégia para a sucessão presidencial de 2014 após o anúncio, anteontem, da aliança entre Marina Silva e Eduardo Campos. Petistas que integram o primeiro escalão da presidente Dilma Rousseff acreditam que ela terá de forçar a tática de construção da imagem de realizadora.

A ideia é se opor ao perfil "sonhático" da ex-ministra do Meio Ambiente, que deverá integrar a chapa presidencial do PSB com o governador de Pernambuco, Um ministro de Dilma chega a brincar que ela terá de ser apresentada como a "realizática". A parceria entre Marina e Campos, dois ex-ministros do governo Luiz Inácio Lula da Silva, pegou de surpresa integrantes do governo Dilma. Os assessores do Planalto dizem que a presidente apostava que, sem ter conseguido registrar a Rede na Justiça Eleitoral por falta de assinaturas de apoio, Marina iria sair candidata pelo PPS.

No acordo com Campos, ainda não está claro quem será o cabeça da chapa. Apoiadores tanto de Marina quanto de Campos dizem que a ex-ministra topa ficar como vice. No anúncio de anteontem em Brasília, a ex-ministra afirmou que iria "adensar o projeto de uma candidatura já posta".

Membros do PSB reclamam de boatos sobre privatização

No dia seguinte ao anúncio da aliança entre Eduardo Campos e Marina Silva, integrantes do PSB afirmam ser vítimas de boatos organizados pelo PT na internet. Entre os temas divulgados, o que mais incomodou os aliados foi a versão segundo a qual o governador de Pernambuco poderia privatizar o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e até o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

PSDB e PT discutem sobre quem perdeu mais

Petistas, tucanos e seus aliados entraram numa disputa pela "melhor tradução" do anúncio da parceria entre a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Os primeiros afirmam que o projeto de Aécio Neves, senador mineiro que deve ser o nome do PSDB na sucessão ao Planalto, é o principal atingido pelo acordo. Já os segundos adotaram o discurso de que a aliança de Marina e Campos, dois antigos aliados dos petistas, fortalecerá a oposição à presidente Dilma Rousseff.

Dilma não desapropriou para reforma agrária este ano

Do ponto de vista da redistribuição de terras, 2013 caminha para ser o pior ano da reforma agrária desde o inicio do período da redemocratiza-ção, em 1985. Faltando menos de três meses para o fechamento das atividades do ano, a presidente Dilma Rousseff ainda não assinou nenhum decreto de desapropriação de imóvel rural, por interesse social, destinando-o para a criação de assentamentos rurais.

Se mantiver a caneta imobilizada, ela vai ficar atrás de Fernando Collor de Mello - o presidente que menos se interessou pela reforma nos 28 anos da redemocratização. Em 1992, ele assinou apenas quatro decretos declarando imóveis rurais de interesse social para a reforma - o menor índice de todos (o maior coube a Fernando Henrique Cardoso, com 845 decretos assinados em 1998).

Ministério de Minas e Energia foi espionado

Após o vazamento de documentos secretos apontando que a presidente Dilma Rousseff e a Petrobrás teriam sido alvos de espionagem por parte Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, novas denúncias do ex-agente da CIA, Edward Snowden, revelam que o Ministério de Minas e Energia também foi espionado. Desta vez a ação teria sido efetuada pela agência de inteligência canadense.

Reportagem exibida ontem pelo programa Fantástico, da Rede Globo, apresentou documentos secretos de Snowden contendo informações sobre como a rede do ministério teria sido invadida pela agência canadense, com o rastreamento das linhas de telefonia fixa e móvel, além de e-mails enviados por servidores do ministério. De acordo com a denúncia, até mesmo comunicados do ex-embaixador brasileiro no Canadá, Paulo Cordeiro, teriam sido interceptados pela agência.

Presidente comenta espionagem da NSA

Pelo twitter, a presidente Dilma Rousseff voltou a comentar a espionagem da NSA, dos EUA. “Ganhei um livro de um jornalista chamado James Bamford", disse. “A votação do nosso projeto do Marco Civil da Internet deve ocorrer nas próximas semanas", completou.

Porto de Paranaguá vira alvo de disputa política no PR

O Porto de Paranaguá está no centro de uma disputa silenciosa do governo federal, estado do Paraná, cooperativas e empresários locais. Mal recebida no setor privado, a proposta de arrendamento do porto ameaça virar bandeira eleitoral que pode atrasar a licitação, sob acusações de favorecimento a grandes empresas, e também prejudicar a candidatura da ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT), ao governo estadual.

A consulta pública, lançada na semana passada, provocou discussões acaloradas. Há divergências conceituais e políticas. O governo federal busca resolver questões legais por meio de arranjos pontuais e os empresários querem soluções operacionais para dobrar a capacidade logística do porto o mais breve possível. O governador Beto Richa (PSDB) tenta, nos bastidores, debitar o desgaste do contencioso na conta de Gleisi, sua provável adversária.

STF deve abrir prazo de recursos nesta semana

Publicada a decisão, estará aberto o prazo de 30 dias para que as defesas dos 25 condenados peçam novas explicações sobre as sentenças. Esse é o mesmo prazo que terão para entrar com s os embargos infringentes os advogados dos 12 condenados por determinados crimes em votações apertadas - com pelo menos quatro votos pela absolvição. Nesta nova fase, as condenações por formação de quadrilha podem ser revistas, o que tiraria expoentes do caso, como o ex-mmistro José Dirceu e p ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, do regime fechado de prisão.

Cristina se afasta e vice argentino anda de moto

A presidente argentina, Cristina Kirchner, deve ficar um mês de repouso por ordem médica em razão de um hematoma no cérebro, diagnosticado na noite de sábado em Buenos Aires, O afastamento -não está claro se ela vai deixar oficialmente o cargo neste período ou só limitará sua atuação - ocorre a três semanas de eleições .legislativas cruciais para o futuro do kirchnerismo.

O anúncio oficial foi feito pelo porta-voz da presidência da República, Alfredo Scoccimarro. Ele declarou que Cristina padece de arritmia no coração e tem uma "coleção subdural crônica", isto é, um hematoma abaixo da membrana do cérebro.

Os médicos ordenaram à presidente que não faça "esforços intelectuais" durante este período de repouso, embora o governo Kirchner esteja na reta final da campanha para as eleições parlamentares.

Negócios: ‘Optamos por perder o controle’

Otávio Azevedo, presidente da Gutierrez, sócia da Oi, diz que após fusão com a Portugal Telecom, pode comprar qualquer empresa no mundo.

Enem tira aluno do Ciência sem Fronteiras

Alunos de ITA, USP, Unicamp e Instituto Militar de Engenharia não poderão usar notas do Enem 2013 para bolsas do Ciência sem Fronteiras. A prova será realizada depois da divulgação das convocações do primeiro semestre.

O Globo

Canadá rastreou Minas e Energia

Documentos confidenciais do govemo americano mostram que o Ministério de Minas e Energia (MME) do Brasil também foi alvo da espionagem  internacional. A denúncia foi feita ontem pelo "Fantástico" da TV Globo, em reportagem de  Glenn Greenwald e Sonia Bridi — dupla que já identificou a investida americana contra as comunicações da presidente Dilma Rousseff e da Petrobras. Desta vez, eles revelam o funcionamento de uma ferramenta de espionagem da Agência Canadense de Segurança em Comunicação (Csec) — parceira dos americanos — e como ela mapeou as ligações e os e-mails do ministério.

O documento foi vazado por Edward Showden, o ex-agente da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA) que atualmente está exilado na Rússia e que também denunciou a espionagem feita contra a presidente e a Petrobras.

A apresentação dos canadenses ocorreu em junho do ano passado, numa reunião anual de analistas ligados a agências de espionagem de cinco países. O grupo é chamado de "Five Eyes" (cinco olhos) e é composto por Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. De acordo com o "Fantástico" Snowden estava nesta conferência.

Concessões e políticas públicas ficam expostas

As discussões para elaboração do novo Código da Mineração, lançado pela presidente Dilma Rousseff, em junho, poderiam ser, em tese, um dos motivos que despertaram o interesse de espiões, canadenses ou americanos, pelo Ministério de Minas e Energia, segundo avaliação de ex-funcionários do governo entrevistados pelo GLOBO. O novo código eleva a Contribuição Financeira sobre Exploração Mineral (Cfem), o royalty do setor, para até 4% do faturamento das empresas.

— O ministério estava modificando toda a regulamentação; então grupos internacionais têm interesse de saber o mais rápido possível quais vão ser novas regras, para saber se vale a pena investir. Esta espionagem deve ter sido feita, talvez até impulsionada pelas empresas do setor — disse Peter Greiner, ex-secretário do Ministério de Minas e Energia.

Lobão: espionagem é grave e merece repúdio

Por meio de sua assessoria de imprensa, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, classificou como "grave" a revelação de ações de espionagem contra a pasta e anunciou que adotará medidas para reforçar os sistemas que possam ter sido objeto de monitoramento.

"A invasão dos sistemas de comunicação e de armazenamento de dados do Ministério de Minas e Energia é grave, na medida em que sugere a tentativa de obtenção de informações estratégicas relacionadas com as áreas de atribuição da pasta, e merece o nosso repúdio. (...) A Presidenta Dilma Rousseff já manifestou, com clareza, a indignação do seu governo e de todo o povo brasileiro com a espionagem praticada contra o Brasil. Trata-se de uma prática que fere o direito internacional e afronta os princípios que devem reger as relações entre os países."

Decisão de Marina eleva a pressão sobre Dilma

A inesperada aliança entre Eduardo Campos e Marina Silva para a disputa de 2014 aumentou a pressão sobre a presidente Dilma Rousseff. No PMDB, seu principal aliado, o clima, "que já estava azedo" segundo políticos do partido, piorou com o novo quadro. Os peemedebistas voltaram a falar em liberar os diretórios regionais para fazer coligações estaduais como eles próprios quiserem. Reclamam de que, para se vingar de Campos, Dilma e o PT tiraram do PMDB o Ministério da Integração Nacional para entregá-lo aos irmãos Cid e Ciro Gomes, fortalecendo seu grupo no Ceará.

— A aliança de Marina com Eduardo está provocando um rebuliço enorme — disse o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), que não descarta a construção, no Ceará, de um palanque duplo para Aécio Neves e Eduardo Campos, com o tucano Tasso Jereissati na chapa para o Senado, contra o candidato de Cid Gomes.

Outro motivo de irritação do PMDB é que, para tentar barrar o crescimento de Campos, o Planalto estaria operando fortemente para tirar do partido líderes regionais e parlamentares para fortalecer o PROS, nova legenda de Cid Gomes.

'Vamos abalar as estruturas!', repetia Campos, eufórico

Foi difícil baixar a adrenalina. Em jantar com correligionários e familiares na noite de sábado, depois de um dia de fortes emoções, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), continuava pilhado e, a todo momento, se beliscava tentando acreditar nas últimas mudanças.

— Demos um grande passo hoje (sábado)! Vamos abalar as estruturas! Marina fez política com P maiúsculo, e vamos ocupar o espaço da emoção, do novo, do que é decente — disse ele, creditando a articulação por trás da ida de Marina e de seus seguidores para o PSB ao deputado Walter Feldman, novo filiado.

Mensalão: acórdão de embargos deve sair esta semana

É aguardada para o início desta semana a publicação do acórdão dos embargos declaratórios do mensalão, os primeiros recursos analisados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Com isso, será aberto o prazo para que os réus entrem com outros recursos — inclusive os embargos infringentes, que darão a 12 dos 25 condenados no processo o direito a um novo julgamento. A publicação será feita antes do prazo final da Corte, que vence em 4 de novembro. A antecipação abre a possibilidade de julgamento de parte da nova leva de recursos ainda este ano. O relator do processo, ministro Luiz Fux, já deixou clara a sua intenção de concluir o caso o quanto antes, para que as penas comecem a ser executadas logo.

Lins é ocupado e Maré terá UPP até março

Numa ação pacífica que durou 50 minutos, sem que um único tiro fosse disparado, as forças de segurança ocuparam na manhã de ontem 12 favelas do Complexo do Lins de Vasconcelos e o Morro Camarista Méier, na Zona Norte. A região, que vinha sofrendo nos últimos meses com cracolândias e com a ação de bandidos refugiados de áreas pacificadas, receberá, em um mês, duas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) — a 35º e a 36º do programa, que completa cinco anos em dezembro. O governador Sérgio Cabral anunciou que o Complexo da Mare será pacificado no primeiro trimestre do ano que vem.

Uma das sedes será instalada em um contêiner, numa praça do Morro da Cachoeirinha, onde bandeiras do Brasil e do Estado do Rio foram hasteadas ontem. A outra ficará num prédio já ocupado por um destacamento do 3e BPM (Méier), no Camarista Méier. Promessa de mais tranquilidade para 150 mil moradores dos bairros do entorno. Com essas novas UPPs, o número de beneficiados pelo programa chegará a 1,65 milhão de pessoas.

Uma ‘nova Opep’ no Atlântico Sul

Descobertas no Brasil e na África, junto às de EUA e Canadá, mudam o mapa geopolítico do petróleo, com o aumento da produção fora do Oriente Médio.

Torturadores na tropa de Anísio

A tropa da contravenção comandada por Aniz Abraão David, o Anísio da Beija-Flor, contou com um torturador da Casa da Morte de Petrópolis e outro envolvido na morte de Rubens Paiva.

Os riscos eleitorais para o programa de privatizações

No ano das eleições presidenciais, o governo tentará assegurar dois terços dos investimentos previstos no programa de privatizações, ou R$ 317,1 bilhões. Mas especialistas avaliam que as eleições aumentam a incerteza e, portanto, o risco de frustração.

Gestos que valem palavras

Professores e alunos se reúnem a cada três meses no Instituto Nacional de Educação de Surdos, no Rio, para “batizar” novas palavras e pensadores.

Folha de S. Paulo

Acordo de Marina e Campos esquenta disputa por alianças

A aliança da ex-senadora Marina Silva com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), acirrou a disputa entre petistas e tucanos por aliados para a eleição presidencial do próximo ano.

Por recomendação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal estrategista da campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição, o Palácio do Planalto vai intensificar negociações para manter o PDT e o PP a seu lado e tirar o recém-criado Solidariedade da órbita tucana.

Dilma planeja usar a reforma ministerial prevista para o fim deste ano para amarrar suas alianças tanto no plano federal como nos Estados.

Do lado do PSDB, o senador Aécio Neves (MG) vai buscar o apoio do PPS, que tentou sem sucesso atrair o ex-governador tucano José Serra e Marina para lançá-los como candidatos à Presidência.

"Maioria está perplexa", diz marineiro

Admitindo clima de "perplexidade" entre os adeptos de Marina Silva, dirigentes da Rede Sustentabilidade realizarão nesta semana a primeira reunião de avaliação do acordo fechado com o PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e seus reflexos nos Estados.

O encontro deve ocorrer amanhã, em Brasília. A Executiva Nacional da sigla de Marina vai discutir uma estratégia para incorporação de seu programa e aferir a reação dos militantes da Rede à aliança.

"A maioria está perplexa. Tínhamos apenas dois dias para decidir e não houve tempo para uma consulta ampla", disse Pedro Ivo Batista, dirigente da Rede e assessor de Marina desde sua passagem pelo Ministério do Meio Ambiente.

Promessa de apoio a Campos selou acordo

Um dos principais aliados de Marina Silva e responsável na Rede pelas negociações com o PSB, o deputado federal Walter Feldman (SP) disse que o governador Eduardo Campos (PE) só aceitou dialogar pessoalmente com a ex-senadora após ter garantias de que não seria "constrangido" a retirar sua candidatura à Presidência.

Segundo Feldman (que deixou o PSDB para se filiar ao PSB), Marina informou a familiares e assessores mais próximos sua intenção de se aliar à candidatura de Campos às 4h de sexta-feira, horas depois de a Justiça Eleitoral barrar a criação da Rede.

Àquela hora, rumava para o encerramento uma tensa reunião com apoiadores. "O pessoal ficou perplexo", disse o deputado, incumbido por Marina de sondar a aceitação do PSB à proposta.

Marinha fez cópias de arquivos da ditadura

Documentos encontrados pela Comissão Nacional da Verdade revelam a existência de um arquivo desconhecido das Forças Armadas sobre o período da ditadura militar (1964-85) com pelo menos 1,2 milhão de páginas.

Batizada de Netuno, operação realizada entre 1972 e 1974 pelo Cenimar (serviço de informações da Marinha) microfilmou papéis do regime - classificados como sigilosos, oficiais, secretos e ultrassecretos - com o objetivo de preservar a documentação. Foram produzidos cerca de 1,2 milhão de fotogramas, divididos em dez temas, tais como "mortos", "agentes" e "operações".

Os microfilmes preservam arquivos por um tempo superior e, por serem compactos, também facilitam o armazenamento de documentos.

Novo procurador-geral reforça área criminal

Sete dos treze procuradores convocados para auxiliar o novo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, têm carreira na área criminal ou estiveram em operações contra o crime organizado. Embora prometa atuação discreta, Janot anunciou que o combate à corrupção será prioridade em sua gestão.

Os procuradores que vão atuar em seu gabinete têm entre dez e 21 anos de carreira; a maioria chefiou unidades do Ministério Público Federal. Hoje, se dedicam ao estoque de processos acumulados na gestão de Roberto Gurgel. Janot deve apresentar um "inventário" nos próximos dias.

Horas que salvam

Na escola, Mikael, 9, não conseguia fazer a lição. Cada vez que era chamado para escrever na lousa, ficava parado, mudo. Às vezes, chorava. As outras crianças riam. "Me zoavam o tempo todo. Não conseguia enxergar as linhas do caderno, ficava tudo bagunçado. Também não enxergava o que a professora escrevia na lousa", conta.

Euvacir Alves, a mãe, tentou marcar consulta no posto perto de casa, na zona norte de São Paulo, porém não havia oftalmologista. "Me mandaram entrar numa fila de espera, mas avisaram que não tinham previsão." Há um mês, o problema do menino foi diagnosticado: nove graus de miopia no olho direito e oito graus no olho esquerdo. E resolvido com um par de óculos.

A consulta e o tratamento do foram possíveis graças a um projeto social lançado em São Paulo, o Horas da Vida, que tem apoio de personalidades como o médico Drauzio Varella e o maestro João Carlos Martins. A iniciativa desembarca hoje no Rio.

Indicados por políticos são 1/5 dos diretores de escolas públicas

Um em cada cinco diretores de escolas públicas no país é alçado ao cargo por políticos, segundo levantamento da Folha a partir de dados de um sistema de avaliação do Ministério da Educação.

A proporção equivale a 21,8% do total: de 56.911 diretores das redes estaduais e municipais, 12.413 foram definidos por indicação política, prática condenada por especialistas em educação.

Os dados integram questionário respondido pelos próprios diretores no mais recente Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), de 2011. A proporção é ainda maior se considerada só a rede municipal --na qual um terço assumiu por interferência de vereadores, deputados, prefeitos e partidos, por exemplo.

Choques entre polícia e islamitas matam ao menos 50 no Egito

Novas manifestações em apoio e contrárias ao presidente deposto do Egito, Mohammed Mursi, terminaram em mais violência ontem. Pelo menos 50 pessoas morreram e mais de 240 ficaram feridas em confrontos entre os islamitas apoiadores de Mursi e policiais pelo país. O enfrentamento coincidiu com o feriado em que os egípcios lembraram o 40º aniversário da guerra do Yom Kippur, travada com Israel.

Os islamitas convocaram protestos com o objetivo, na capital, de chegar à praça Tahrir, que estava cercada por forças de segurança. Milhares de pessoas, no entanto, também se concentraram para demonstrar apoio à gestão dos militares na mesma praça, que foi sobrevoada por caças da Força Aérea.

Justiça bloqueia R$ 47 mi em ações de filho de Maluf

A Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de R$ 47 milhões em ações da Eucatex pertencentes ao empresário Flávio Maluf e mantidas desde 2001 sob a guarda de um banco na Suíça.

A medida foi determinada pela juíza Celina Toyoshima, a pedido do promotor estadual Silvio Marques, que investiga desvios ocorridos na época em que o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), pai de Flávio, foi prefeito de São Paulo, entre 1993 e 1996.

A suspeita do promotor é que as ações tenham sido adquiridas com recursos desviados de obras públicas executadas pela prefeitura. Se isso for provado, a prefeitura poderá mover uma ação na Justiça para reaver o dinheiro.

Relatório do painel do clima não é alarmista, é estúpido

O climatologista Richard Lindzen não acredita que as emissões de combustíveis fósseis sejam a principal causa do aquecimento global. Conseguiu, porém, algo raro para alguém de sua opinião: teve seus estudos analisados pelo IPCC, o painel da ONU que avalia as evidências da mudança climática.

As menções a Lindzen no quinto relatório de avaliação do IPCC, porém, não são elogiosas. Seus estudos sobre mecanismos de feedback - que cancelam ou amplificam o efeito estufa - foram citados e, logo em seguida, contestados. Falharam tentativas de reproduzir seu trabalho sobre "sensibilidade" do clima (medir quanto a Terra aquece se o nível de CO2 dobrar).

Correio Braziliense

Uma nova ordem eleitoral

Na próxima quinta-feira, quando irá ao ar em rede nacional o programa partidário do PSB, não será apenas o governador de Pernambuco e presidente nacional da sigla, Eduardo Campos, que será visto pelos brasileiros. Menos de uma semana depois de assinar sua filiação ao Partido Socialista Brasileiro, a ex-senadora Marina Silva vai ser a atração do vídeo.

Com 10 minutos de duração, o programa dedicará boa parte de seu tempo à união formalizada entre os dois líderes políticos no último sábado, mas discutida nos bastidores desde o início do ano. Depois da repercussão da filiação de Marina ao PSB, que tomou conta das redes sociais e do noticiário político por todo o final de semana, Campos vai telefonar para a ex-senadora ainda hoje.

PSB aposta no aumento do voto de legenda

Os antigos aliados PMDB e PT desdenharam a união de forças entre o presidente do PSB, Eduardo Campos, e a ex-senadora Marina Silva, mas os socialistas estão convictos de que esse pouco caso é jogo de cena. Em especial, no que se refere a uma das eleições que mais agita os políticos: a de bancadas de deputados federais, fundamentais para obtenção de tempo de tevê e recursos do fundo partidário. O PSB já fez as contas, e dada a corrida para filiação de pessoas interessadas em ingressar na política, a chances de crescimento de bancadas na Câmara dos Deputados e nas assembleias legislativas estaduais no ano que vem é real e não apenas coisa de sonhático. Em oito anos, o PV, por exemplo, cresceu a sua votação na legenda em 524%, de 127 mil, em 2002, saltou para 824 mil.

Dilma e PT ainda mais reféns de aliados

A inesperada aliança entre a ex-senadora Marina Silva e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), obrigará o PT e o governo a cederem mais espaços para as legendas que continuam na base. Vendo as candidaturas de oposição se fortalecerem, partidos que sempre reclamaram de pouca atenção da presidente Dilma Rousseff e seus correligionários agora enxergam uma via de centro esquerda alternativa na qual podem se abrigar. Com isso, PT precisará preparar estratégia para não perder aliados e, com isso, tempo de televisão durante a campanha e a maioria no Congresso Nacional.

No Brasil

A adesão da ex-senadora ao palanque de Campos deve aumentar o número de votos de legenda para o PSB, aposta o partido. Mas é difícil prever se os pessebistas conseguirão vantagens nos estados.

No DF

Pré-candidatura de Rodrigo Rollemberg ganha força com o novo cenário nacional. Apoio do PDT à chapa do senador é dado como certo, mas o PT não desistiu de tentar se aliar ao partido de Reguffe.

O voo da ministra de olho nas urnas

Pré-candidata por Santa Catarina ao Senado, a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti (PT), intensificou a agenda de missões oficiais em sua base eleitoral. Para turbinar as aparições públicas em todo o estado, a ministra utiliza o único helicóptero da Polícia Rodoviária Federal de Santa Catarina, justamente a aeronave destinada à remoção de pacientes graves resgatados em acidentes e tragédias naturais. O equipamento modelo Bell 407 (prefixo PT-YZJ), conveniado ao Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), é equipado com uma maca, tubo de oxigênio e materiais de primeiros socorros. À disposição de Ideli, o helicóptero tem os equipamentos retirados e a escala de atendimento de urgência suspensa.

Planos de saúde penalizam os idosos

Correções decorrentes da mudança de faixa etária são previstas em lei, mas, quando forem abusivas, o consumidor pode questionar o valor na Justiça.

DF pode ganhar um novo nome

"Você é de onde?" Ao ouvir essa pergunta, quem vive no Distrito Federal e está longe de casa não pensa duas vezes: "Sou de Brasília". Pouco importa se a pessoa mora no Guará, em Taguatinga, no Lago Sul, no Riacho Fundo, em Sobradinho ou em Santa Maria. O assunto, que pode causar arrepios em quem leva ao pé da letra o que determina a Constituição Federal e a Lei Orgânica do DF e é visto por alguns especialistas como avanço contra a segregação social, chega agora à Câmara dos Deputados. Uma proposta de emenda à Constituição (PEC) prevê a correspondência entre as áreas geográficas de Brasília e do DF e deve movimentar o debate que há muito tempo confunde os moradores do quadradinho.

Multidão colorida invade o Eixão Sul

Nem a chuva intimidou a mobilização. Cerca de 20 mil manifestantes, segundo cálculo da Polícia Militar, participaram da passeata, que partiu de uma concentração, na altura da 112 Sul, em direção à Rodoviária, animada pelo som de trios elétricos. Não foram registradas ocorrências policiais graves. No trajeto, políticos discursaram contra a homofobia.

Também nos jornais de hoje os seguintes assuntos publicados ontem pelo Congresso em Foco:

Troca-troca envolve um em cada dez no Congresso

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