Nos jornais: FHC entra na campanha de Aécio para neutralizar Lula

Ex-presidentes voltam a protagonizar disputa pelo comando do país, desta vez, como padrinhos de Aécio e Dilma, tentando destacar as diferenças entre seus governos

O Estado de S. Paulo

FHC entra na campanha de Aécio para neutralizar Lula

Após se enfrentarem nas eleições de 1994 e 1998, os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso voltarão a protagonizar a disputa pelo comando do País. Serão os padrinhos dos candidatos do PT, Dilma Rousseff, e do PSDB, Aécio Neves. Nesse período de duas décadas, Lula não deixou o palanque. A novidade, agora, é o resgate de FHC pelos tucanos.

Aécio assumiu o discurso de defesa da gestão do fundador do PSDB, algo que os dois últimos candidatos do partido - José Serra e Geraldo Alckmin - não fizeram abertamente nas campanhas de 2002, 2006 e 2010, vencidas pelos petistas.

FHC, apresentado como "o pai do Plano Real" e da estabilização econômica brasileira, vai correr o País para promover o senador mineiro num momento delicado para o governo petista, de baixo crescimento do PIB - algo que pode se tornar um dos principais percalços da campanha à reeleição da presidente no ano que vem.

Já Lula será o principal articulador político da campanha de Dilma com um discurso de comparação com o governo tucano, inclusive no que se refere a desempenho econômico, apresentando números favoráveis à gestão petista no Planalto. Vai voltar a explorar, inclusive, a rejeição a medidas como as privatizações.

O 'costureiro' político de Dilma Rousseff

 Ela fará tudo para tirar a economia das cordas e ele cuidará da política. Assim ficou acertada a distribuição de tarefas entre a presidente Dilma Rousseff e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, para o projeto petista da reeleição. Embora a disputa seja em 2014, a estratégia já foi traçada. Depois de lançar a candidatura de Dilma a um segundo mandato, na última quarta-feira, o ex-presidente atuará como "facilitador" das alianças para o palanque da herdeira e porta-voz do PT no embate com os tucanos.

Lula vai se encontrar, nos próximos dias, com o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), e com os governadores Eduardo Campos (Pernambuco), Sérgio Cabral (Rio) e Cid Gomes (Ceará). A troca de Temer (PMDB) por Campos (PSB), na chapa da reeleição, chegou a ser cogitada por Lula como forma de manter o governador pernambucano, que sonha com a Presidência, na coalizão de Dilma.

Cabo eleitoral assumido de Aécio Neves

Escanteado pelo PSDB nas três últimas eleições presidenciais, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso vai ganhar um lugar de destaque na campanha tucana à sucessão de Dilma Rousseff. A um ano e meio das eleições, o ex-presidente se transformou no principal cabo eleitoral do senador Aécio Neves (PSDB-MG), pré-candidato à Presidência da República, em 2014.

A estreia de FHC na nova função está marcada para amanhã, em Belo Horizonte, onde ele abre um ciclo de palestras encomendadas pelo PSDB mineiro para reafirmar a candidatura de Aécio ao Palácio do Planalto. Desde dezembro do ano passado Fernando Henrique defende, publicamente, a candidatura do mineiro ao Planalto.

O "road show" de FHC para "apresentar" o senador tucano como candidato continua em março, desta vez em São Paulo, também em evento do partido.

Financiamento expõe "Pirâmide Social" da Rede de Marina

O partido qua a ex-se­nadora Marina Sil­va pretende criar neste ano, o Rede Sustentabilidade, deverá con­sumir pelo menos R$ 500 mil no processo de captação de as­sinaturas pelo País. O finan­ciamento desses recursos re­produzirá a pirâmide social do "movimento" como os ma­rineiros chamam a legenda. As menores doações vêm de centenas de entusiastas, que compram uma camisa de R$ 20, mas o grosso é concentra­do em uma dezena de funda­dores, alguns deles ligados às maiores empresas do País.

Os organizadores do parti­do esperam a obtenção do CNPJ da Rede, que deve sair na próxima semana, para co­meçar a arrecadar as contri­buições. Por enquanto, fo­ram levantados pouco mais de R$ 150 mil, destinados a pagar os custos do evento de lançamento da legenda em Brasília há uma semana.

Os recursos foram obtidos com a venda de 500 camise­tas e outros produtos, mas a maior parte veio de cerca de 80 dos 250 fundadores, entre os quais Neca Setúbal, soció­loga e herdeira do Itaú, e Gui­lherme Leal, copresidente do Conselho de Administração da Natura, que foi candidato a vice na chapa de Marina, pe­lo PV, nas eleições de 2010.

MP investiga denúncias contra Chalita

O Ministério Público Esta­dual investiga denúncia de su­posto enriquecimento ilícito e fraudes com recursos públi­cos envolvendo o deputado federal Gabriel Chalita (PMDB) na época em que ele ocupava o cargo de secretá­rio estadual da Educação no governo Geraldo Alckmin (PSDB).

As denúncias foram feitas pe­lo analista de sistemas Roberto Leandro Grobman, que alega ter prestado assessoria a Chalita em eventos, viagens e servi­ços de tecnologia na área educa­cional. De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, o MP Esta­dual decidiu abrir 11 inquéritos para apurar eventuais irregula­ridades cometidas por Chalita a partir de quatro depoimentos prestado por Grobman. Ainda segundo o jornal, o advogado de Chalita, Alexandre de Mo­raes, pediu arquivamento dos inquéritos argumentando que o ex-colaborador não apresen­tou nenhuma prova que susten­tasse as acusações feitas con­tra o parlamentar.

Em um depoimento presta­do em 6 de fevereiro, Grobman afirma que o deputado, enquan­to chefe da pasta da Educação, comprou por aproximadamen­te R$ 4,5 milhões um aparta­mentona rua Rio de Janeiro, no bairro de Higienópolis. O di­nheiro teria sido desviado de um repasse de R$ 196 milhões no âmbito de acordo interna­cional firmado entre o Ministé­rio da Educação e Cultura (MEC), o Banco Interamerica­no de Desenvolvimento (BID) e o governo do Estado.

Dez anos de Bolsa Família, mas ainda pobre

Inscrita há dez anos em programas de transferên­cia de renda, a família do auxiliar de serviços ge­rais Lauro Antonio Moreira da Silva, de 53 anos, tem renda por pessoa superior a R$ 70 por mês. Mas ainda não conseguiu sair da pobreza. Ele e os filhos James Antonio, de 11 anos, Johnes Antonio, de 12, e Lauro Júnior, de 16, vivem em um casebre alugado no bairro Verde Vale, periferia de Capão Bonito, a 225 km de São Paulo.

Os três filhos recebem R$ 164 mensais por mês do Bolsa-Família, e o mais velho obtém mais R$ 80 do programa estadual Ação Jovem. Eles passam o dia fora de casa, em escolas, onde também se alimentam. O mais velho faz curso integral em escola técnica.

Silva, que teve que lutar con­tra a dependência química após a morte da mulher, quase perdeu a guarda das crianças - mas se recuperou e agora trabalha nu­ma oficina de trabalho da pre­feitura, o que lhe garante mais R$ 300 mensais. A família dis­põe de R$ 136 por pessoa, mas continua vivendo em condi­ções precárias, numa casa pra­ticamente sem móveis. Seus bens se resumem a uma gela­deira velha e um televisor.

O Globo

Crack e cocaína afastam do trabalho mais que álcool

Há 13 anos como funcionário do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, o advogado Maurício Bitencourte, de 40 anos, finalmente havia conseguido em 2006 uma promoção à coordenação do departamento jurídico da entidade sindical. A permanência no posto, contudo, durou apenas um ano. Em 2007, o profissional, pós-graduado em Direito do Trabalho, foi internado em uma clínica de reabilitação. Na época, misturava cocaína e maconha com bebidas alcoólicas. Em 2010, após mais duas internações, foi demitido e começou a consumir diariamente o crack, que era trocado por ternos, camisas, sapatos e um televisor. Com o irmão, Luiz Carlos Bitencourte, consumia o crack nos fundos da casa da mãe. Mês passado, os dois, agora desempregados, conseguiram acesso ao auxílio-doença, entrando numa assombrosa estatística do governo: o consumo de drogas no país cresce a cada ano, e, hoje, cocaína e crack já afastam, em relação ao álcool, mais que o dobro de trabalhadores do mercado profissional. Em 2012, a quantidade de auxílios-doença concedidos a dependentes de drogas psicoativas, como cocaína e crack, cresceu 10,9% em relação a 2011, superando uma realidade que já ficou para trás, a de que a bebida alcoólica era o que mais prejudicava trabalhadores.

No SUS, atendimento médico a usuários cresceu 20% em um ano

Não é apenas o total de auxílios-doença a dependentes químicos de cocaína e crack que tem crescido no Brasil. Nos últimos anos, o número de atendimentos médicos a usuários de drogas em geral também aumentou na rede pública de saúde. Em 2012, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) registraram 7,5 milhões de atendimentos, elevação de 20,6% sobre 2011, quando foram registrados 6,2 milhões. Nos últimos quatro anos, o total de assistências oferecidas, que cresce a cada ano, passou dos 24 milhões e apresentou um salto de 51%.

Os dados inéditos foram obtidos a pedido do GLOBO com o Ministério da Saúde. De 2002 a 2011, o orçamento da pasta para iniciativas de saúde mental, que engloba o que é destinado a dependentes químicos, aumentou três vezes, passando de R$ 620 milhões para R$ 1,8 bilhão. Para reforçar o tratamento a usuários de droga, sobretudo viciados em crack, o Sistema Único de Saúde (SUS) recebeu em 2011 um reforço de caixa de R$ 2 bilhões, montante que deverá ser investido até 2014 e foi destinado ao programa do governo federal "Crack é Possível Vencer".

Dor acompanha filhos de presos torturados

"Mãe, por que você está azul e o pai está verde?", perguntou Janaína Teles à mãe Maria Amélia ao visitá-la na carceragem do Doi-Codi, órgão da repressão subordinado ao Exército, em São Paulo. Tinha apenas 5 anos e ficou presa junto com o irmão Edson, de 4, em uma sala trancada, de onde saíam apenas para ir ao banheiro, sob o comando do general Brilhante Ustra. Ernesto Nascimento, filho de Manoel Dias e Jovelina, já tinha sido entregue à adoção pelos agentes do regime quando os pais foram libertados para serem trocados pelo embaixador alemão.

Telma e Denise Lucena não se esquecem da imagem do pai sendo morto na porta de casa. Gino Guilardini foi torturado aos 8 anos de idade para dizer onde o pai estava. Violência semelhante à que foi submetido Carlos Alexandre Azevedo, quando tinha apenas 1 ano e 8 meses de idade. Ele foi agredido por militares que queriam pressionar seus familiares a fornecer detalhes das organizações contra o regime. Suicidou-se na última semana, após 39 anos de sofrimento e muita dor causada pelos traumas da infância.

A morte de Carlos Alexandre gerou uma rede de solidariedade em torno da família do rapaz nesta semana e motivou a inclusão de um novo tema para resgate pelas comissões da verdade que investigam a história da repressão no país, tanto em âmbitos estaduais (São Paulo e Pernambuco) quanto nacional. As três comissões planejam rever a história de crianças que sofreram em silêncio a violência e o impacto da ditadura militar.

Tortura na infância rendeu traumas e documentário sobre a repressão

Chamada pela direção da escola para uma reunião por causa do comportamento da filha Maria de Oliveira, a atual ministra de Políticas para as Mulheres Eleonora Menicucci identificou de imediato o motivo pelo qual a garota chorava na hora de sair da sala para o recreio: o pátio da escola lembrava a prisão onde a mãe ficou presa.

A experiência da infância motivou a menina a dirigir o documentário "15 filhos", sobre a lembrança de jovens que tiveram os pais presos ou mortos pela repressão. Filmado em 1996, época em que ainda não se falava em instalação de comissões da verdade no Brasil, o filme relata episódios como o gesto violento de uma mulher enfiando a mão e revirando o pacote de pipocas que a menina levava para a mãe na prisão.

Já a lembrança das irmãs Telma e Denise de Lucena, filhas do operário Antônio Raymundo, é ainda mais dolorosa por um motivo: assistiram a execução do pai à queima-roupa, na porta de casa, quando tinham 3 anos e 9 anos de idade, respectivamente.

As cidades onde os vizinhos são chamados a combater o fogo

Com baldes e mangueiras, vizinhos tentam apagar o incêndio em uma casa por duas horas. Um motorista de ônibus agoniza, atravessado por uma barra de ferro, após sofrer um acidente na estrada. Com medo de explosão e sem equipamento adequado, guardas municipais evitam se aproximar de um carro capotado em chamas, e não sabem dizer se o motorista ainda estava vivo antes de seu corpo ser carbonizado. O que falta em todas estas trágicas cenas?

Uma unidade do Corpo de Bombeiros, existente em apenas 11% das cidades brasileiras, segundo estudo feito, com dados de 2009, pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), a pedido do governo federal. Número que o país conheceu depois da tragédia na boate Kiss, em Santa Maria (RS), que completa um mês na quarta-feira.

O percentual esconde a desigualdade: enquanto no Rio 53,3% dos municípios têm Corpo de Bombeiros, em Tocantins somente 3,6% são contemplados com o serviço. Se no país há cerca de 70 mil bombeiros (0,4 por mil habitantes), os EUA têm 344 mil bombeiros (1,5 para cada mil cidadãos). Fora os voluntários.

Governistas brigam por mais espaço no ministério

Fidelidade canina à chapa governista, até agora, só mesmo do PCdoB. Com os principais atores da disputa presidencial de 2014 já entrando em campo, começou pesado o ataque especulativo de partidos da base governista, que procuram se cacifar melhor para levar alguma vantagem na reforma ministerial prometida para março.

Como dona da caneta das nomeações, a presidente Dilma Rousseff é quem mais está sendo atacada pelos partidos aliados periféricos, que foram "jogados fora" na época da chamada faxina ética, e agora veem a chance de dar o troco. Mas não são só PDT, PR, e PP que procuram se reposicionar conversando ora com o tucano Aécio Neves (MG) ora com o presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Ou com todo mundo junto.

Até mesmo setores do PMDB, partido teoricamente casado com o PT na aliança que garante Michel Temer como vice de Dilma, sinalizam que podem inviabilizar a repetição da aliança formal, se não forem bem atendidos e compensados após seu fortalecimento nas eleições municipais e nas presidências de Câmara e Senado. É o caso do PMDB mineiro, que briga por um ministério desde que o deputado Leonardo Quintão renunciou à candidatura a prefeito de Belo Horizonte em favor do petista Patrus Ananias, ano passado.

- Conversam comigo para se valorizar do lado de lá. Eu finjo que sou bobo. O PDT também conversa aqui. Na verdade, está todo mundo conversando com todo mundo - diz Aécio Neves, provável adversário de Dilma em 2014.

Dilma oferece 3 pastas para saciar apetite de aliados

Para saciar o apetite dos aliados assediados por adversários, a presidente Dilma Rousseff tem à mão, para negociar, ministérios para os quais fez indicações pessoais: Transportes, que o PR deseja retomar para voltar à base governista; Trabalho e Emprego, que o PDT de Carlos Lupi quer voltar a comandar; e Agricultura. Leonardo Quintão (PMDB-MG), por exemplo, poderia ir para a Agricultura no lugar de seu colega gaúcho Mendes Ribeiro. A vocação agrícola de Minas ajudaria a justificar a mudança.

No PR, o ex-ministro dos Transportes e presidente do partido, senador Alfredo Nascimento (AM), e o líder na Câmara, deputado Anthony Garotinho (RJ), já estiveram no Planalto negociando seus retornos à base, desde que tenham de volta o Ministério dos Transportes, alvo de cobiça também do PMDB. Mas o PR já estaria disposto a voltar por menos: retomar o poder apenas no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e na Valec, responsáveis pelas obras em rodovias e ferrovias. Mas não será fácil a presidente aceitar essa proposta, pois os dois órgãos foram focos de denúncias de corrupção em 2011.

Formação de palanques será o desafio de Aécio

Pré-candidato à Presidência em 2014 pelo PSDB, o senador Aécio Neves vai precisar se desdobrar para montar palanques fortes nos estados contra o PT da presidente Dilma Rousseff, que tentará a reeleição. Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul e Distrito Federal são as prioridades de Aécio. O partido passará por um processo de reestruturação nesses locais. Na avaliação dos tucanos, são colégios eleitorais importantes e onde a sigla apresentou resultado ruim nas eleições municipais em 2012.

O assunto foi discutido em reunião informal por deputados e senadores do PSDB na última quarta-feira, logo após o discurso de Aécio na tribuna do Senado horas antes do evento de comemoração aos dez anos de governo do PT.

Na caminhada em busca de alianças nos estados, Aécio terá, inicialmente, de convencer o DEM, principal aliado, a apoiar sua candidatura. Em recente encontro na Bahia, o Democratas demonstrou que pode se aproximar do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, caso ele decida disputar a Presidência pelo PSB.

PSB se equilibra entre ficar com Dilma e ser alternativa de poder

Apesar de caminhar em direção ao lançamento da candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, à Presidência da República, o PSB não pretende adotar já no Congresso uma postura de embate direto com o governo Dilma Rousseff. Segundo a avaliação predominante no partido, é melhor ficar na base governista e se fortalecer, enquanto o PSB se organiza nos estados para ter palanques mais consistentes.

Se depender de setores importantes do PSB, a decisão sobre a permanência ou não na base aliada deverá ser tomada só em 2014, quando será possível saber se o partido está forte o bastante para tentar voo solo.

Os socialistas devem agir este ano num sistema de avanços e recuos, com seus parlamentares ora incitando a independência do PSB, ora ajudando Dilma a aprovar medidas para o crescimento econômico.

'Juiz ganha pouco', afirma novo presidente do TST

Primeiro negro a ocupar a presidência do Tribunal Superior do Trabalho (TST), cargo que assumirá em 5 de março, o mineiro Carlos Alberto Reis de Paula, de 68 anos, não foge de polêmicas. Ao afirmar que Justiça é investimento, e não despesa, diz que os servidores do Judiciário são muito bem remunerados, mas, segundo ele, o mesmo não ocorre com os juízes, diante das responsabilidades que os magistrados têm:

- A Justiça paga bem. Os servidores do Poder Judiciário são muito bem remunerados, só perdem para servidores do Poder Legislativo - afirma. - Juiz é bem remunerado, mas sofremos uma defasagem. Vamos ter um reajuste de 5%, como todo servidor. Não temos reajuste há seis anos. Eu ganho pouco mais de R$ 15 mil líquidos (R$ 22 mil brutos). Se falarem que é muito, eu digo: pode ser para vocês que ganham salário mínimo, mas, para o que eu faço e pela minha importância, acho pouco. Não interessa qual o valor justo, eu ganho pouco, afirmo que ganho pouco.

Por outro lado, ataca os chamados penduricalhos.

- Esse negócio de penduricalho é o fim do mundo. Juiz não precisa de auxílio, juiz precisa receber um bom vencimento, digno, compatível com sua realidade e com o país que vivemos. Décimo terceiro acho razoável. Agora décimo quarto e décimo quinto, tenha santa paciência.

Primeiro negro a ocupar a presidência do Tribunal Superior do Trabalho (TST), cargo que assumirá em 5 de março, o mineiro Carlos Alberto Reis de Paula, de 68 anos, não foge de polêmicas. Ao afirmar que Justiça é investimento, e não despesa, diz que os servidores do Judiciário são muito bem remunerados, mas, segundo ele, o mesmo não ocorre com os juízes, diante das responsabilidades que os magistrados têm:

Metade dos contribuintes já paga IR

Mais da metade dos contribuintes brasileiros já pagam Imposto de Renda (IR) para a Receita Federal. Levantamento inédito da consultoria Ernst & Young Terco feito para O GLOBO, com base nos dados mais recentes do Fisco, mostra que 50,3% das pessoas que declararam IR tiveram que pagar imposto ao governo ao fim da declaração em 2011, em vez de terem isenção ou receberem restituição. Isso equivale a mais de 12 milhões de brasileiros, que começam a acertar as contas com o Leão na próxima sexta-feira, 1º de março. Uma década atrás, essa relação era de apenas 36,2%, ou 5,5 milhões de pessoas. Por trás do movimento está o aumento da renda dos brasileiros e o crescimento da formalização do mercado de trabalho. Segundo o levantamento, o rendimento tributável dos brasileiros (salários, aposentadoria e aluguéis, por exemplo) chegou ao marco histórico de R$ 1 trilhão no ano passado, e pode escalar para R$ 1,1 trilhão em 2013. Também influenciaram a maior capacidade de fiscalização da Receita e a falta de atualização da tabela do IR em relação à inflação. Entre 2002 e 2011, essa defasagem foi de 14,33%, segundo cálculos do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco Nacional).

Folha de S. Paulo

Candidatos distorcem renda para garantir Bolsa Família

Em Miracema do Tocantins (TO), numa enorme fila de espera para recadastramento do Bolsa Família, uma dona de casa diz, mesmo repreendida pelas colegas: "Parte da renda lá de casa eu não conto pra eles [prefeitura]. Sem esse dinheirinho, a gente não conseguiria nem comer".

A dona de casa tem cartão do Bolsa Família e, como outros 13,8 milhões de famílias beneficiadas no país, teve de declarar a sua renda mensal para ter acesso ao programa.

As declarações de renda são registradas no Cadastro Único, banco de dados nacional das famílias de baixa renda utilizado pelo governo para erradicar a miséria -uma das principais bandeiras da presidente Dilma Rousseff para tentar a reeleição.

O cadastro é coordenado pelo governo federal e abastecido pelos municípios. Quem aparece listado com renda mensal de até R$ 140 por pessoa tem direito ao Bolsa Família. Acima disso, fica fora do programa.

No Tocantins, essa dona de casa só conversou com a reportagem sob a condição de anonimato. Mas relatos de subnotificação de renda são comuns. Assim como o de pessoas que, ao arrumar emprego, pedem para o empregador não fazer o registro na carteira para não correr o risco de perder o benefício.

Na fila, a dona de casa estava sentada ao lado da manicure Roseana Aquino, 34, que diz ter sido cortada do cadastro após declarar renda acima do limite. Agora ela tenta retomar o benefício. "É que o garoto [filho] está ficando cego de um dos olhos. Preciso de ajuda", diz.

Na última quarta, em Miracema do Tocantins, já passava das 14h e ninguém da prefeitura havia aparecido para atendê-los. No mural de avisos, um papel apontava o início do expediente: 12h.

Novos pobres impedem fim da miséria

Estudiosos do governo trabalham para calcular qual é o limite real da proposta da presidente Dilma Rousseff de erradicar a miséria.

Junto ao Ministério do Desenvolvimento Social, técnicos do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), ligado à Presidência, estudam uma metodologia para saber quantos brasileiros seguirão extremamente pobres a despeito do orçamento e da eficiência dos programas de transferência de renda.

Esse "piso" da miséria corresponde a um contingente que, devido à alta volatilidade de renda, cai na extrema pobreza de maneira mais rápida do que a máquina pública consegue identificar.

Uma vez calculado, o número poderá servir como uma meta, cujo cumprimento significaria a erradicação possível da miséria, segundo o critério monetário do governo -garantir que todos ganhem ao menos R$ 71 mensais.

Na última terça, Dilma anunciou uma nova ampliação do Bolsa Família, que zerará o número de extremamente pobres no Cadastro Único, banco de dados de famílias de baixa renda.

No anúncio, ela reconheceu que ainda faltam cadastrar e resgatar 2,5 milhões.

Prefeitos dão emprego para adversários recém-derrotados

Derrotados nas urnas, ao menos 16 candidatos que disputaram as prefeituras das capitais nas últimas eleições foram nomeados, neste ano, para cargos nos governos estaduais ou mesmo na gestão daqueles que, há alguns meses, eram os seus rivais.

Levantamento feito pela Folha encontrou dez ex-aspirantes a prefeito e seis a vice-prefeito que agora assumiram secretarias, fundações e assessorias especiais (veja no quadro ao lado).

Em pelo menos três casos, os candidatos derrotados foram chamados pelos antigos oponentes para integrar a administração municipal, mesmo após duros ataques feitos durante a última campanha eleitoral.

Wambert di Lorenzo (PSDB), convocado para chefiar o recém-criado gabinete de assuntos especiais na Prefeitura de Porto Alegre, afirma que a "paquera" com o grupo de José Fortunati (PDT), reeleito no primeiro turno, começou em meio a provocações nos últimos debates.

"Fui sarcástico, que é meu jeitinho de ser de vez em quando. No debate posterior, ele agradeceu, acolheu a crítica e trouxe a resposta."

Segundo Lorenzo, a semelhança dos planos de governo colaborou para a reaproximação das duas legendas -embora o PDT apoie o governo de Tarso Genro (PT), maior adversário do PSDB.

"Voltar para casa sem mandato e com todas as informações que tenho sobre a cidade seria um desperdício", diz o agora chefe de gabinete.

Procurador que avaliará conexão de Lula com esquema foi escolhido

O procurador da República Leonardo Augusto Santos Melo, 36, foi escolhido por sorteio na Procuradoria da República em Minas para analisar o depoimento do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza acusando Lula de envolvimento com o mensalão.

Melo já serviu aos governos do PSDB e do PT antes de chegar ao Ministério Público Federal, em 2004. Ele terá de analisar ao menos 13 mil páginas de documentos para verificar se há conexão de Lula com o esquema de corrupção montado pelo PT. Se encontrar conexão, Melo poderá propor ação contra o ex-presidente. Por causa do grande volume de trabalho, não há prazo para conclusão as análises.

Polícia prende mais três médicos de hospital de Curitiba

Três anestesistas que trabalhavam na equipe da médica suspeita de provocar a morte de pacientes em um hospital em Curitiba foram presos na manhã de ontem. Uma enfermeira ainda era procurada pela polícia até o início da noite.

Os quatro trabalhavam com Virgínia Souza na UTI do Hospital Universitário Evangélico, na capital paranaense. Ela está presa desde terça-feira (19) sob suspeita de homicídios qualificados. Segundo a polícia, há indícios de que pacientes do SUS tenham sido mortos para "liberar" vagas para outros que pagariam pelo serviço. Ela nega as acusações.

Acusador de Chalita fazia ameaças, diz ex-executivo

O executivo Nilton Curti, que fez parte do grupo COC e hoje está no SEB (Sistema Educacional Brasileiro), registrou boletim de ocorrência no último dia 5 em que diz ter sofrido ameaças do analista Roberto Leandro Grobman.

O analista acusa o deputado federal Gabriel Chalita (PMDB-SP) de ter recebido propina de empresas educacionais, entre elas o grupo COC, do empresário Chaim Zaher, vendido em 2010 para o conglomerado Pearson. Curti trabalha para Zaher.

Ontem a Folha revelou que o Ministério Público instaurou 11 inquéritos para investigar Chalita por enriquecimento ilícito, corrupção e fraude em licitação a partir de quatro depoimentos de Grobman. O analista diz ter sido assessor de Chalita na época em que ele foi secretário de Educação do governador Geraldo Alckmin (2003-2007) e diz ter presenciado a distribuição de dinheiro.

Líder do PMDB na Câmara sai em defesa de deputado

O deputado Eduardo Cunha (RJ), líder do PMDB na Câmara, defendeu ontem o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP), que será alvo de 11 inquéritos no Ministério Público de São Paulo.

Cunha disse que acredita "em qualquer circunstância" na ética de Chalita.

Segundo o líder, o PMDB vai manter a indicação do parlamentar para a presidência da Comissão de Educação da Câmara. As denúncias contra o deputado se referem ao período em que ele ocupou a Secretaria de Educação de São Paulo, entre 2002 e 2006.

Brasilianista buscará arquivos da ditadura brasileira nos EUA

Documentos armazenados nos Estados Unidos que contenham informações sobre a ditadura militar brasileira serão usados para contribuir com as pesquisas da Comissão Nacional da Verdade.

O trabalho será coordenados pelo brasilianista James Green, professor de estudos brasileiros da Universidade Brown, em Providence, Rhode Island (EUA), que firmou parceria com a Comissão da Verdade. A primeira etapa está prevista para ocorrer de junho a agosto de 2013.

O foco de Green serão telegramas, memorandos e relatórios escritos por diplomatas norte-americanos que viviam no Brasil e enviavam para Washington informações sobre a política brasileira durante a ditadura (1964-1985).

A maior parte desses documentos são originários do Departamento de Estado dos EUA e estão sob a guarda do National Archives and Records Administration, o Arquivo Nacional norte-americano.

Correio Braziliense

A economia é salva pela soja e pelo milho

O Brasil vai colher neste ano a maior safra de sua história: 185 milhões de toneladas de grãos. O volume recorde reforça a expectativa de que o país alcance, até a próxima década, o posto de maior fornecedor de alimentos do planeta, desbancando os Estados Unidos. Pelo menos em soja, essa virada está garantida já em 2013, com uma pequena diferença nas mais de 82 milhões de toneladas colhidas em cada lado. A arrancada no campo, acompanhada do papel de destaque nos negócios da carne, não confirma só uma vocação brasileira para ser celeiro do mundo, revelada nos anos 1970 com a abertura da fronteira dos cerrados. Dá a exata dimensão da âncora estabilizadora da economia nacional.

"Nosso agronegócio cresce de forma interessante. Apesar de ser puxado pelos altos preços dos grãos, continua se diversificando, em vez de se especializar nos produtos mais rentáveis", diz José Garcia Gasgues, coordenador-geral de planejamento estratégico do Ministério da Agricultura (Mapa). Uma prova disso é que o Brasil lidera o comércio mundial de cinco dos 10 principais itens agropecuários — café, açúcar, suco de laranja, soja e carne de frango, além de deter o maior rebanho bovino do planeta, com 213 milhões de cabeças.

As armas de cada um para a disputa em 2014

A eleição presidencial de 2014 começou na semana que passou com eventos midiáticos, como a festa do PT em São Paulo; o discurso de Aécio Neves (PSDB-MG) no Senado; o encontro do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) com prefeitos; e o lançamento do novo partido de Marina Silva, o Rede Sustentabilidade, em Brasília. Mas disputas desse porte são decididas nos bastidores, com a definição das alianças políticas — que trarão tempo de tevê para os candidatos — e na montagem de palanques estaduais fortes para os presidenciáveis visitarem, fatores que só serão definidos no ano que vem.

No momento, a presidente Dilma Rousseff beneficia-se de uma ampla coligação governista, que inclui aproximadamente 14 partidos que apoiam o governo no Congresso. Mas a negociação terá que ser pontual. Até o momento, apenas o PMDB está na chapa de Dilma, indicando o vice-presidente Michel Temer. Reunidos, PT e PMDB somam 170 deputados, o que garante à presidente pouco mais de seis minutos e meio de tempo de tevê, de acordo com os critérios definido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Convite a Reguffe

No périplo pela Feira do Guará, Marina Silva estava acompanhada do deputado federal Reguffe (PDT-DF), a quem convidou para integrar o novo partido. O parlamentar discursou a favor da Rede e da ex-senadora, mas negou que vá filiar-se à legenda de imediato. “Não pretendo deixar o PDT, mas assinei a lista de apoio à criação da Rede e vou ajudar a coletar assinaturas, porque acredito que o Brasil e a Marina merecem”, assegurou. Na relação de fundadores da sigla constam apenas três parlamentares: Domingos Dutra (PT-MA), Walter Feldman (PSDB-SP) e Alfredo Sirkis (PV-RJ).

Enquanto caminhava pela Feira do Guará, a ex-senadora ainda encontrou casualmente o vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC), que passeava com a família. Os dois se cumprimentaram, mas o senador negou-se a assinar a lista de apoio ao partido. Quando uma colaboradora insistiu, a própria Marina Silva vetou: “Melhor não causar constrangimento”.

Marina pede apoio em ritmo de campanha

A presidenciável Marina Silva participou ontem do primeiro ato público de coleta de assinaturas de seu novo partido, o Rede Sustentabilidade, na Feira do Guará. Em clima de campanha, a ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente abraçou eleitores, foi fotografada ao lado deles, fez discurso e criticou adversários. A expectativa do grupo é garantir o apoio de mais de 500 mil eleitores de todo o país até junho, três meses antes do prazo estabelecido pela lei eleitoral para que os integrantes da sigla se candidatem em 2014.

A ação de Marina ocorre na semana em que os outros pré-candidatos à Presidência — Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) — emitiram sinais de que já estão em campanha, antecipando o pleito. A ex-ministra, porém, evita falar sobre o período eleitoral. “Infelizmente na realidade do Brasil sempre foi assim, mas o eleitor está enfastiado de eleição, é preciso primeiro se discutir um projeto de país”, comentou Marina, que nega estar em campanha. “Isso que estamos fazendo faz parte da regra para criar o partido, não tem como ser de outro jeito a não ser pedir o apoio pessoalmente.”

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