Nos jornais: crise na base vai virar sangue, diz ministro

Acusado de oferecer mesada de R$30 mil para os deputados do PP, Negromonte diz que está disposto a ir até a CPI e desafia deputados de seu partido, destaca O Globo. Em jantar, PMDB reafirma parceria com Dilma

O Globo

Crise na base vai virar sangue, diz ministro

Um dia depois de ser advertido de que, se insistisse em se meter na disputa interna do PP, seu partido, poderia perder o cargo, o ministro das Cidades, Mário Negromonte, partiu para o ataque e alertou a legenda das consequências do racha na bancada: "Em briga de família, irmão mata irmão, e morre todo mundo. Por isso que eu disse que isso vai virar sangue." Acusado de oferecer mesada de R$30 mil para os deputados do PP, ele diz que está disposto a ir até a CPI e desafia qualquer deputado do partido a formalizar a acusação contra ele.

Numa conversa de duas horas, Negromonte disse ao GLOBO que foi procurado por um grupo de deputados porque o ex-ministro das Cidades Márcio Fortes começou a colher assinaturas para derrubar o deputado Nelson Meurer (PP-PR), o ex-líder substituído pelo deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). Fragilizado no cargo por falta de sustentação política, ele reconhece que a sua situação é ruim e diz que não tem apego ao cargo. Mas manda um recado ao PP: se ele cair, o ministério não vai nem para um grupo nem para o outro. Mas, sim, para um terceiro nome, numa referência ao que aconteceu com o Ministério dos Transportes: Dilma não aceitou indicação do partido e efetivou o ministro Paulo Sérgio Passos.

Líder do PR na Câmara assina proposta oposicionista para criar CPI da Corrupção

O líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (MG), assinou ontem a proposta da oposição de criação da CPI da Corrupção. Encerrada uma reunião de líderes com o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), Portela procurou o líder do PSDB, Duarte Nogueira (SP), e assinou o requerimento. Ele é o primeiro líder de um partido que ajudou a eleger a presidente Dilma Rousseff a aderir ao movimento.

Na semana passada, o PR deixou formalmente a base aliada, mas não entregou os cargos. O partido assumiu uma postura de "apoio crítico" ao governo Dilma Rousseff. O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, é filiado ao PR, mas não é reconhecido como indicação do partido. Ontem, de acordo com a postura de independência, Portela também não compareceu ao almoço semanal de líderes de partidos da base aliada.

Ministro não descarta uso de avião de empreiteira que fez obra no PR

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, não descartou ontem que tenha usado avião da empreiteira Sanches Tripoloni, para não ser "desmentido caso aparecesse uma foto mostrando". Ele admitiu que conhece Paulo Tripoloni e André Sanches, sócios da empresa. Blindado pelo PT contra perguntas sobre denúncia da revista "Época", contou, em audiência pública na Câmara para discutir rádio digital, que participou de uma festa em Maringá em comemoração à liberação de verbas para a obra Contorno de Maringá, incluída no PAC e investigada pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

- Não posso descartar (que tenha voado em aeronave da empreiteira). Não conheço o avião - disse o ministro.

Ele destacou que fazia a declaração por questão de prudência, porque em diversas "outras ocasiões", quando era deputado, ou durante a campanha, pegou carona em aviões particulares. Frisou, porém, que não se lembrava dos prefixos das aeronaves:

- Daqui a pouco, pode aparecer uma foto de oito anos atrás, mostrando.

Aeronave não consta de declarações

As prestações de contas de candidatos a cargos majoritários no Paraná apoiados pelo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, não mencionam supostos pagamentos pelo uso de uma aeronave King Air, matrícula PR-AJT, pertencente ao empresário Paulo Francisco Tripoloni, sócio da Construtora Sanches Tripoloni, que teria sido usada pelo ministro, como informou a revista "Época".

Em nota divulgada anteontem, Paulo Bernardo informou que ano passado participou de campanhas eleitorais no Paraná durante fins de semana, feriados e férias, o que é permitido por lei. A nota afirma que "para isso, utilizávamos aviões fretados pela campanha, o que incluiu aeronaves de várias empresas, que receberam pagamento pelo serviço".

Na prestação de contas de sua mulher, Gleisi Hoffmann, atual ministra da Casa Civil que concorreu ao Senado em 2010, não há nenhum pagamento para a Tripoloni por uso de aviões. A assessoria de Gleisi informou que ela gastou R$56.980 com transporte aéreo. As despesas ocorreram com duas empresas: Hércules e Helisul, ambas do Paraná. Gleisi recebeu da Tripoloni R$510 mil para sua campanha.

'Carta branca é coisa forte', diz general

A Comissão de Infraestrutura do Senado aprovou ontem, por unanimidade, a indicação do general do Exército Jorge Ernesto Pinto Fraxe para a diretoria geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Sabatinado pelos parlamentares, ele prometeu uma gestão saneadora, voltada para coibir as irregularidades. Mas admitiu não ter autonomia para estender a "faxina" da presidente Dilma Rousseff às superintendências regionais, em sua maioria controladas por apadrinhados do PR, partido envolvido nas denúncias de corrupção em obras rodoviárias.

Questionado se tem aval de seus superiores para desalojar os superintendentes nos estados, Fraxe respondeu:

- Essa questão de carta branca é uma coisa muito forte, sabe?

O general explicou que eventuais exonerações terão de passar pelo Ministério dos Transportes e dependem também de acordos com os partidos.

Agricultura: novo titular afirma que agirá com cautela

Empossado ontem, o novo ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, anunciou que vai aguardar o resultado das auditorias promovidas pela Controladoria Geral da União (CGU) para fazer mudanças na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e também nos quadros do ministério.

- Algumas pessoas podem ter errado. E esse trabalho (de apuração) está sendo feito pela CGU. Espero que tudo seja resolvido com a maior rapidez possível. Estou chegando agora, mas terei maior cautela do mundo para agir. Mas vou agir - disse Mendes Ribeiro.

O ministro afirmou que irá levar pessoas ligadas a ele para o ministério, mas não confirmou a manutenção de Gerardo Fontelles na secretaria-executiva. Fontelles é ligado ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, e sua indicação para o cargo, semana passada, foi avaliada pela presidente Dilma Rousseff.

Depoimento de Novais vira ato de desagravo

A audiência de ontem da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado acabou se transformando num ato de desagravo em favor do ministro do Turismo, Pedro Novais. Em contraponto ao grupo de 35 deputados peemedebistas rebelados, que está pedindo sua cabeça, pelo menos sete senadores do PMDB fizeram questão de manifestar publicamente seu apoio à permanência do ministro no cargo. Entre eles, o líder da bancada, Renan Calheiros (AL), e o presidente nacional do partido, senador Valdir Raupp (RO).

- Não é hora de o partido sacrificar nenhum de seus ministros - sentenciou Raupp.

Acompanhado por uma claque de assessores, Novais saiu aplaudido de uma coletiva ao ser indagado se achava que estava firme no cargo:

- O que você acha? - ironizou o ministro.

Sobre o levantamento da Controladoria Geral da União (CGU), que apontou irregularidades em 100% dos convênios do Turismo analisados até dezembro de 2009, como mostrou O GLOBO, respondeu:

- Acho difícil que 100% tivessem irregularidades.

Temer tenta conter PMDB e Henrique Alves

Preocupado com o racha no PMDB e a guerra fratricida de grupos por cargos, o vice-presidente Michel Temer saiu a campo para tentar contornar o impasse na bancada. De um lado, apelou ao líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), para voltar atrás na indicação do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na relatoria do Código de Processo Civil. De outro, advertiu a bancada de que não é hora de desestabilizar o ministro do Turismo, Pedro Novais, fragilizado com denúncias de corrupção na sua pasta.

Segundo deputados peemedebistas, Temer teme que a guerra interna deixe o PMDB enfraquecido, e, por isso, tenta viabilizar proposta de segurar Novais por enquanto. A estratégia do comando do PMDB é substituir Novais numa reforma ministerial, que deve acontecer na virada do ano. A própria presidente Dilma Rousseff tem dito de forma reservada que não quer mais efetuar mudanças no seu ministério, e que só fará isso se for extremamente necessário.

PMDB reafirma parceria com Dilma

O vice-presidente Michel Temer abriu ontem à noite os salões do Palácio do Jaburu para que os caciques do PMDB reafirmassem a parceria no projeto de Dilma Rousseff.

Cerca de 150 peemedebistas foram convidados, incluindo deputados, senadores, ministros, governadores e ex-ministros. Entre os que tinham presença confirmada estava o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim, que deixou o governo há 20 dias, depois de criticar as ministras Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Ideli Salvatti (Secretaria de Relações Institucionais).

A presença do ministro do Turismo, Pedro Novais, cuja pasta é alvo de denúncias de irregularidades, era considerada delicada. Setores da bancada do PMDB na Câmara - que indicou Novais para o cargo - defendem a sua demissão, embora líderes do partido, como o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e o senador Valdir Raupp (PMDB-RO), presidente interino, digam que ele tem a confiança da presidente.

Procurador condena supersalários

O procurador regional da República no Distrito Federal, Renato Brill de Góes, criticou duramente ontem a decisão do presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, desembargador Olindo Menezes, que liberou o pagamento de salários acima do teto do funcionalismo público a servidores do Senado. Para o procurador, a decisão de Menezes é "absurda e falaciosa", pois tem como justificativa evitar grave lesão à ordem pública. Na última sexta-feira, o desembargador acatou recurso do Senado e suspendeu liminar da Justiça Federal de primeira instância que proibia o pagamento de salários acima do teto, no valor de R$26.723,13 mensais.

- Qual a lesão à ordem pública? Ele (desembargador) está defendendo o interesse privado dos servidores - atacou Brill de Góes.

O procurador considerou "risível" o argumento do presidente do TRF-1 de que a suspensão do pagamento de salários acima do teto "põe de joelhos o normal funcionamento dos serviços públicos do Senado Federal". A liminar bloqueava apenas a remuneração que excedesse R$26.723,13 mensais.

Entidades apresentam medidas anticorrupção

A Frente Suprapartidária de Combate à Corrupção e à Impunidade começa a ganhar adesões na sociedade organizada. Reunidos ontem em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado, representantes de dez entidades apresentaram propostas. Os participantes do evento reforçaram a importância de aproveitar o momento de mobilização da sociedade a favor da faxina nas instituições públicas.

Entre as propostas, estão a votação prioritária de projetos sobre o tema que tramitam no Congresso, a redução dos cargos de confiança e a necessidade de pressionar o Judiciário para o julgamento rápido de processos que se arrastam, como a definição sobre pontos pendentes da Lei da Ficha Limpa, no Supremo Tribunal Federal (STF).

Movimento quer Lei da Ficha Limpa válida em 2012

Segundo um dos coordenadores do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, juiz Márlon Reis, é preciso que não haja dúvidas sobre a validade da Ficha Limpa para 2012. A lei, que veda a candidatura de políticos fichas-sujas, acabou não sendo aplicada em 2010.

FH culpa Lula por 'corrupção sistêmica'
Sem citar o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso responsabilizou ontem o "governo anterior" pelo que chamou de consolidação da "corrupção sistêmica" que toma conta do Estado:

- É preciso acabar com a corrupção sistêmica que, na verdade, foi o que foi sendo consolidado no governo anterior. Isso é tarefa de todos nós - disse Fernando Henrique, após participar de evento com empresários ligados ao setor de crédito.

Durante a palestra, FH afirmou:

- Não se consegue mais exercer o poder sem a corrupção, fruto do toma lá dá cá. Ou me dá isso ou não voto em você. E aí não se discutem políticas para o país.

Aos jornalistas, FH classificou como "conversa fiada" as reações no PSDB e no PT por causa de sua aproximação com a presidente Dilma Rousseff.

Cresce o número de jornalistas assassinados

Balanço divulgado ontem pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) mostra que o número de jornalistas assassinados no Brasil cresceu. Entre agosto de 2010 e julho de 2011, cinco profissionais foram mortos em função do exercício profissional. O levantamento anterior, referente a um período de 24 meses - agosto de 2008 a julho de 2010 -, havia registrado um único homicídio.

O mais recente Relatório de Liberdade de Imprensa da ANJ revela também a ocorrência de 12 casos de censura judicial - decisões da Justiça que impediram veículos de comunicação de noticiar determinados assuntos. O número é menor do que as 19 situações de censura apontadas no balanço de 2008 a 2010. A diferença, porém, é que os 12 casos divulgados ontem foram registrados ao longo de um ano, enquanto os 19 ocorreram no dobro do tempo, em dois anos.

PSD pula norma para poder obter registro a tempo da eleição de 2012

Numa corrida contra o tempo, o PSD entrou ontem com pedido de registro partidário no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sem o crivo dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). Sob comando do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, a nova legenda tenta viabilizar o registro definitivo antes de outubro deste ano, para poder participar das eleições municipais de 2012. Partidos que perderão parlamentares para o PSD, no entanto, vão questionar na Justiça a decisão da legenda de entrar no TSE antes de obter o registro nos TREs, norma prevista pelo TSE. O PSD contesta a resolução, e a decisão caberá ao plenário da Corte.

Segundo resolução aprovada em 2010 pelo TSE, uma nova legenda precisa obter primeiro o registro em pelo menos nove tribunais regionais eleitorais e obter o apoio de 492 mil eleitores, para depois ir ao TSE. O advogado do PSD, Admar Gonzaga, entrou no TSE alegando que a Lei dos Partidos, de 1995, não faz tal exigência, e que uma norma não pode se sobrepor à lei.

O Estado de S. Paulo

Gleisi gastou só R$ 56,9 mil com jatinhos

Dona da campanha eleitoral mais cara entre os candidatos ao Senado no Paraná, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT), envolvida em polêmica recente sobre o uso de jatinhos particulares, declarou em sua prestação de contas despesas de apenas R$ 56,9 mil com empresas de táxi aéreo, o equivalente a 0,7% dos quase R$ 8 milhões que informou ter gasto na disputa.

Na segunda-feira, em resposta à reportagem publicada na revista Época sobre a utilização de um avião particular da construtora Sanches Tripoloni ao lado do marido Paulo Bernardo - hoje ministro das Comunicações e na ocasião ministro do Planejamento -, a ministra divulgou nota dizendo ter feito seus voos durante a campanha apenas em avião fretado e com contrato de aluguel. Procurada ontem pelo Estado com questionamentos sobre a prestação de contas da campanha, Gleisi foi econômica nas explicações.

A ministra confirmou ao Estado gastos de R$ 56,9 mil com aviões que, segundo ela, se referem a 26 horas de voo pagas às empresas Hércules e Helisul. Ela afirma ter feito outros deslocamentos aéreos "em conjunto com outros candidatos", mas não especificou os seus nomes.

PT blinda ministro de perguntas sobre aviões

Num sintoma da preocupação do Planalto com o novo foco de crise, uma tropa de petistas foi escalada para blindar o ministro Paulo Bernardo, durante depoimento na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara. No Senado, o PSDB apresentou à Comissão de Fiscalização e Controle requerimento de convite a Bernardo.

Apesar de voltar a negar troca de favores com empresários do Paraná responsáveis por obras federais no Estado quando ainda chefiava a pasta do Planejamento, o ministro admitiu conhecer os sócios da empreiteira Sanches e Tripoloni e disse que pegou caronas em aviões alugados em 2010 pela campanha ao Senado da ministra da Casa Civil - sua mulher -, Gleisi Hoffmann. O ministro, porém, manteve a versão de que não sabia quem eram os donos das aeronaves.

Negromonte dá impulso ao ''PAC Glorense'' da Bahia

O carinho do ministro Mário Negromonte (Cidades) pela pequena Glória, cidade de 14 mil habitantes no norte da Bahia, não começou agora. Desde que sua mulher, Ena Vilma, assumiu a prefeitura do município, em 2009, ele resolveu fazer o possível para colocar a cidade de uma vez no mapa. Desde então, Glória vem bombando.

Para dar uma forcinha à mulher recém entronada, o então deputado Negromonte (PP) aprovou uma emenda de sua autoria em 2008 no valor de R$ 1.350.000, dinheiro que permitiu a aquisição de retroescavadeira, patrol, caminhões basculantes e outros equipamentos para uma espécie de "PAC Glorense".

Já nomeado ministro, em janeiro deste ano, Negromonte participou da entrega dos equipamentos em carreata juntamente com a mulher e o filho, Mário Júnior, eleito deputado estadual (PP). Como rei do pedaço, ele prometeu mais benefícios à cidade, o que de fato vinha cumprindo até agosto, quando entrou na mira da faxina desencadeada pelo Palácio do Planalto. O vídeo do evento mostra a prefeita, num momento de grande entusiasmo, agradecendo "o empenho do ministro em suas ações voltadas para Glória". Ela disse ter "a mais absoluta certeza de que essa será a tônica tanto do ministro Negromonte quanto do deputado Mário Júnior".

Novais culpa antecessores no Turismo

Com o dedo apontado para petistas que o antecederam na pasta, o ministro Pedro Novais disse ontem que o Turismo é cheio de "informalidades". "As irregularidades são das administrações anteriores a 31 de dezembro de 2010", afirmou na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado. O peemedebista se referiu a Luiz Barreto Filho e à senadora Marta Suplicy (SP), os dois últimos antecessores de Novais na pasta, ambos ligados ao PT.

O ministro reiterou que não deixará o cargo, alegando ter apoio dos colegas do PMDB. Novais disse que tem lido na imprensa "rumores sobre insatisfeitos na bancada quanto ao seu desempenho e por outras atividades do partido". "Eu até gostaria, mas não pretendo ter a vaidade de dizer que tenho a unanimidade. Ficarei feliz em me contentar com a maioria."

Ministério Público apura 15 convênios de R$ 4,5 milhões

O Ministério Público Federal (MPF) anunciou ontem que investiga, por meio de três inquéritos civis, 15 convênios firmados entre a Associação Brasileira das Empresas de Transporte Aéreo Regional (Abetar) e o Ministério do Turismo. Assinados entre 2006 e 2010, os convênios previam a realização de eventos diversos, a cargo da Abetar, como a participação brasileira em eventos de aviação regional no exterior, a edição de guias, estudo para a regulação do setor e dois congressos da entidade.

O Ministério do Turismo investiu R$ 4,51 milhões nesses convênios. As apurações que constam de dois inquéritos revelaram "indícios contundentes que apontam para o desvio e a má utilização de parte dos recursos públicos federais repassados à Abetar".

Segundo o MPF, "para a execução dos convênios, a Abetar contratava empresas privadas sem os devidos procedimentos de licitação". Algumas dessas empresas teriam sido criadas pouco antes da celebração do convênio, "não têm sede ou funcionários, tampouco clientela, o que demonstra que somente existiam no papel".

Escolha para relatoria desagrada à ala do PMDB

A divisão na bancada do PMDB da Câmara ficou explícita com briga pela relatoria do Código de Processo Civil. O estopim da insatisfação de uma ala do partido é a indicação do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para ser o relator geral da proposta. A comissão especial que vai analisar o projeto será instalada hoje e deverá ser presidida pelo deputado João Paulo Cunha (PT-SP), que também comanda a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

"Não vejo por que rever a escolha de Eduardo Cunha", afirmou ontem o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). Desde a semana passada, ele está sendo pressionado por integrantes do partido a indicar outro relator. O principal argumento é que Eduardo Cunha não é jurista e sim economista. O deputado fluminense rebate as críticas de seus detratores e lembra que presidiu a CCJ da Câmara.

Folha de S. Paulo

Dilma diz a aliados insatisfeitos que não fará novas demissões

O Palácio do Planalto comunicou aos partidos aliados que a presidente Dilma Rousseff, numa tentativa de conter a insatisfação crescente da base governista com as mudanças na Esplanada dos Ministérios, não pretende fazer novas demissões.
Os ministros Pedro Novais, indicado pelo PMDB para o Turismo, e Mário Negromonte, nome do PP nas Cidades, foram acusados de irregularidades e entraram na linha de tiro nos últimos dias, mas Dilma avisou que não cogita demiti-los agora.
Na prática, se não surgirem novas denúncias contra eles, isso significa que o futuro de ambos dependerá do humor das bancadas de seus partidos no Congresso, onde os ministros enfrentam dificuldades para obter apoio.

Ministro diz que obra em andamento após emenda sua não foi nem licitada

O ministro do Turismo, Pedro Novais, afirmou em depoimento no Senado que ainda não ocorreu nem a licitação de uma obra em Barra do Corda (MA) para a qual ele destinou cerca de R$ 1 milhão quando era deputado.
Porém, a empresa foi escolhida, operários trabalham no local e há uma placa com o nome do engenheiro responsável e a logomarca do ministério.
Como a Folha revelou no sábado, a empresa vencedora da concorrência, a Planmetas, é de fachada. O engenheiro responsável pela obra diz desconhecer a empresa.
Ontem, Novais disse que a obra não começou: "Não é verdade que empresa x, y ou z vá fazer a obra. Porque não houve licitação (...) Não há um metro de ponte iniciado".
O convênio foi assinado ano passado e neste ano a prefeitura fez a concorrência.
Procurado pela Folha após o depoimento de Novais, o ministério informou que não houve repasse de recursos para a obra porque o contrato está suspenso.

Ministro diz não se lembrar se voou em jato de empresa

O ministro Paulo Bernardo (Comunicações) disse que não descarta a possibilidade de ter voado em uma aeronave da empreiteira Sanches Tripoloni, que tem obras com o governo federal no Paraná, seu Estado de origem.
Durante audiência pública na Câmara, o ministro disse que não se lembra dos prefixos dos aviões privados nos quais já "pegou carona" e que sua "prudência" é para depois não ser surpreendido com uma foto dele de "20 anos atrás" na aeronave.
"Eu não conheço o avião. Eu falei que, quando fui deputado, por exemplo, em algumas ocasiões eu pedi carona em aviões. Eu não posso descartar", disse.

Queda de católicos atinge todas as classes

De 2003 a 2009, a queda na proporção de brasileiros que se dizem católicos, de 74% para 68%, ocorreu em todas as classes sociais. Ao mesmo tempo, aumentou a porcentagem dos sem religião em todos os grupos de renda.
Esses são dados de um estudo divulgado ontem pelo economista Marcelo Neri, da FGV, feito a partir da POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares), do IBGE.
Pelas contas de Neri, houve também uma diminuição no ritmo de crescimento dos evangélicos pentecostais de igrejas como Assembleia de Deus, Universal do Reino de Deus ou Congregação Cristã do Brasil. No período analisado, a proporção de pentecostais variou de 12,5% para 12,8% no total da população.
A tendência da década passada só será mais bem conhecida quando o IBGE divulgar os dados do Censo de 2010 sobre religião. Para Neri, porém, a POF indica que os pentecostais, que na década de 90 praticamente dobraram de proporção, podem estar perdendo fôlego.

Os sem religião avançam nos extremos da pirâmide social

Um dos grupos que mais têm crescido nas séries do IBGE é o dos sem religião. Nos anos 60 era uma categoria residual, com apenas 0,5% da população. Mas, de lá para cá, experimentou um crescimento bastante significativo.
Pelos dados da POF (é metodologicamente temerário misturá-los aos do Censo), os sem religião somavam 5,1% em 2003 e 6,7% em 2009. São quase 13 milhões de pessoas.
Embora o grupo seja em geral identificado com ateus e agnósticos, trata-se de uma rubrica bem mais ampla, que inclui quem migra de uma fé para outra ou criou seu próprio "blend" de crenças. Em comum, têm apenas o fato de não pertencer a nenhuma instituição e não ter medo de dizê-lo em alto e bom som.
O trabalho de Marcelo Neri reforça a tese da heterogeneidade dos sem religião ao mostrar que eles crescem nos extremos do espectro social.

Novo titular da Agricultura diz que não vai "mudar o que não precisa"

O novo ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, afirmou ontem em sua posse que não pode chegar ao ministério "querendo mudar o que não precisa".
"Guardarei as mudanças ao que for necessário, e chegarei ao necessário por orientação da Presidência da República."
Na solenidade, a presidente Dilma Rousseff afirmou que o novo ministro estará "na vanguarda" de "um dos momentos mais significativos" da história da agropecuária do país.
Ela agradeceu a "colaboração" do ministro Wagner Rossi e declarou que o peemedebista deixou uma "herança de êxitos e bons resultados".
Mendes Ribeiro também agradeceu ao seu antecessor, que pediu demissão após várias acusações sobre a pasta: "Muito obrigado, Wagner, obrigado mesmo", declarou.

Correio Braziliense

Devassa no Turismo chega à Copa

O ministro do Turismo, Pedro Novais (PMDB), prorrogou convênio alvo de fraude e de desvio de dinheiro público, apesar das apurações do Ministério Público Federal. A pasta repassou R$ 1,1 milhão para a Associação Brasileira de Transportes Aéreos Regionais (Abetar) para capacitação profissional visando a Copa do Mundo. O inquérito materializa a preocupação do Palácio do Planalto com a corrupção envolvendo projetos para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. O dinheiro fazia parte do programa Bem Qualificar Copa.

A decisão do ministro, que assinou a prorrogação do convênio, foi publicada no Diário Oficial da União em 17 de março de 2011, quase um ano depois da prorrogação assinada pelo então secretário-executivo Mário Moyses. A pasta já havia desembolsado no ano anterior todo o valor previsto no contrato. Antes mesmo do fim do convênio, em 7 de julho, a Abetar pediu ao ministério um novo prazo para concluir os cursos e o aditivo de R$ 553,8 mil. Com base em nota técnica assinada pela ex-coordenadora de Qualificação Freda Dias, o pedido foi aceito e a prorrogação de ofício, validada até 2013 pelo ex-secretário executivo Frederico Silva da Costa.

Respaldo no Senado

O ministro do Turismo, Pedro Novais, respaldou ontem o trabalho da Associação Brasileira das Empresas Brasileiras de Transporte Regional (Abetar). A entidade é investigada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal por fraudes em um convênio para cursos de qualificação da Copa do Mundo de 2014. Durante depoimento na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado, Novais confirmou que a associação está elaborando um estudo, a pedido do ministério, para analisar as alternativas para a aviação regional brasileira. A Abetar também prepara um levantamento para adequação da infraestrutura aeroportuária nas regiões de interesse turístico.

Falso pastor é preso ao oferecer propina
A Polícia Legislativa da Câmara prendeu ontem em flagrante um falso pastor acusado de oferecer dinheiro a deputados em troca de apoio para convencer lideranças evangélicas a se filiarem a um suposto Conselho Federal de Teólogos — que não existe. Walter da Silva Filho, do Rio de Janeiro, foi indiciado por corrupção ativa e uso de documentos falsos. No início da noite, foi encaminhado ao Departamento de Polícia Especializada da Polícia Civil do Distrito Federal.

A denúncia partiu dos deputados da bancada evangélica Paulo Freire (PR-SP), filho do pastor José Wellington — presidente da Assembleia de Deus, e Fernando Francischini (PSDB-PR), delegado licenciado da Polícia Federal. O falso pastor procurou Paulo Freire no início de julho e ofereceu R$ 50 mil a cada R$ 200 mil que fossem arrecadados de novos filiados cooptados pelo parlamentar. Walter da Silva explicou que o dinheiro viria de contribuições no valor de um salário mínimo anual pagas por cada pastor filiado e entregou documentos falsificados que comprovariam a existência do conselho.

Enxurrada de emendas ao Código Florestal

A tramitação da proposta do novo Código Florestal Brasileiro no Senado fez surgir dois grupos de senadores diretamente interessados no projeto. Eles são autores das 37 emendas protocoladas até agora, antes mesmo da conclusão do primeiro relatório a ser apresentado em uma das quatro comissões envolvidas no processo. De um lado, estão os responsáveis por emendas que diminuem áreas de preservação permanente (APPs) e reservas legais a tamanhos inferiores aos aprovados na Câmara. De outro, um grupo de governistas tenta restaurar o texto original, sem as mudanças validadas pelo relator na Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), e pelos deputados em plenário.

As emendas serão analisadas no momento da discussão do mérito do projeto nas Comissões de Agricultura, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia. O relatório relacionado à legalidade da proposta seria lido hoje na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), conforme intenção do relator, senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC).

O novo endereço da crise

Entidades representantes do Ministério Público em vários níveis decidiram reforçar o coro de parte da bancada peemedebista e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para que o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), e o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), indiquem um jurista para relatar o projeto do novo Código de Processo Civil (CPC). Ontem, presidentes de cinco entidades de procuradores federais enviaram ofícios com apelos a Maia e ao vice-presidente da República, Michel Temer, para que intercedam pela troca do relator indicado, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Alves resiste a substituí-lo: "Da Câmara, cuida a Câmara. Não vou ao presidente da OAB pedir relator A ou B para qualquer parecer", disparou Alves. Diante do impasse, a presidente Dilma Rousseff aconselhou o deputado João Paulo Cunha, indicado para presidir a Comissão Especial do CPC, a avaliar se vale a pena comandar o colegiado.

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