Lava Jato: Moro autoriza prorrogação de prisão de Palocci por tempo indeterminado

De acordo com investigadores da força-tarefa, Palocci orientou a destruição de provas em seu escritório antes da ação da PF, no início desta semana. Em depoimento, ex-ministro afirma que considera a acusação "de boa técnica, mas equivocada"

Reprodução/YouTube
O ex-ministro Antonio Palocci, preso temporariamente desde a última segunda-feira (26), quando a Polícia Federal (PF) deflagrou a 35ª fase da Operação Lava Jato, teve pedido de conversão de prisão para tempo indeterminado. O prazo da prisão temporária estava limitado até esta sexta-feira (30). Procuradores solicitaram a conversão para prisão preventiva do ex-ministro ao juiz Sérgio Moro, que acatou o pedido. De acordo com os investigadores da força-tarefa, Palocci orientou a destruição de provas em seu escritório antes da ação da PF, no início desta semana.

“Foram constatadas que diversas estações de trabalho na empresa (Projeto) estavam plenamente equipadas, à exceção dos gabinetes dos computadores, o que pode indicar que tenham sido até mesmo destruídos ou colocados fora do alcance da Polícia Federal”, detalham os procuradores no documento, que contém 86 páginas.

Leia a íntegra do pedido de prisão preventiva

Em seu primeiro depoimento para a força-tarefa, Palocci afirmou ao grupo de trabalho da operação que pretende demonstrar à PF "que existem equívocos no pedido de prisão" e que considera a acusação "de boa técnica, mas equivocada". Ainda segundo o ex-ministro, houve "equívoco na utilização de documentos à disposição da Polícia Federal, principalmente em mídias de Marcelo Bahia Odebrecht, e na interpretação que foi dada pelas autoridades de persecução criminal".

Leia a íntegra do depoimento de Palocci à PF

Palocci entrou no alvo da Lava Jato após ter sido citado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa em sua delação premiada. De acordo com o delator, o doleiro Alberto Youssef lhe contou que Palocci pediu R$ 2 milhões da cota de propinas do PP para a campanha da ex-presidente Dilma. Nesta fase são apurados indícios de relação criminosa entre Palocci e a direção da Odebrecht. Os investigadores suspeitam que o ex-ministro da Fazenda, no governo Lula, e da Casa Civil, na gestão Dilma, atuou de forma direta para favorecer a maior empreiteira do país. A etapa foi batizada de Omertà, palavra de origem napolitana que define um código de honra de organizações mafiosas do Sul da Itália.

“Tais vantagens, em sua grande maioria traduzidas em dinheiro em espécie, ainda não foram rastreadas a partir desta investigação, motivo pelo qual não existe qualquer medida cautelar diversa da prisão que inviabilize Antonio Palocci Filho e Branislav Kontic – seu funcionário até a presente data – de praticarem atos que visem a ocultar e obstruir a descoberta acerca do real paradeiro e emprego dos recursos em espécie recebidos”, afirmam os delegados no novo pedido de prisão preventiva.

Bloqueio de bens

Moro havia determinado o bloqueio preventivo de até R$ 128 milhões das contas bancárias do ex-ministro e também das contas do assessor de Palocci Branislav Kontic, e do ex-secretário da Casa Civil Juscelino Dourado. Entretanto, de acordo com o Banco Central, não foram encontrados valores nas contas de Juscelino Antonio Dourado. Já Branislav Kontic teve R$ R$ 1.501,03 bloqueados pela autoridade monetária do país.

De acordo com a força-tarefa da Lava Jato, Palocci teve atuação “intensa e reiterada” na defesa de interesses da empreiteira Odebrecht na administração pública federal. Segundo as investigações que resultaram na Operação Omertà, a empreiteira repassou R$ 128 milhões a uma conta que seria gerida pelo ex-ministro.

Conta corrente

Os investigadores acusam Palocci de ter recebido propina para atuar em favor da Odebrecht na Petrobras, no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e no Congresso Nacional. Foram identificados pelo menos 30 encontros entre o ex-ministro e executivos da Odebrecht, a maioria deles na casa ou nas empresas de Palocci. Segundo a procuradora Laura Lessler, “houve intensa atuação de Palocci na defesa de interesses da Odebrecht perante a administração pública federal”.

Nas planilhas apreendidas pela força-tarefa foram encontrados registros de transações até maio de 2015, mesmo com Antônio Palocci fora do governo. Os pagamentos programados para depois de outubro de 2013, porém, não foram executados. Eles somariam mais R$ 70 milhões aos valores registrados por Palocci fruto de acordos com a Odebrecht. Segundo o MPF, as investigações sobre o período entre 2013 e 2015 foram prejudicadas porque os acusados passaram a usar e-mails criptografados.

Palocci entrou no alvo da Lava Jato após ter sido citado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa em sua delação premiada. De acordo com o delator, o doleiro Alberto Youssef lhe contou que Palocci pediu R$ 2 milhões da cota de propinas do PP para a campanha da ex-presidente Dilma.

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