Ministro do PMDB diz que resolução contra filiações do partido é arbitrária

Decisão da executiva teve origem na ala oposicionista da sigla, que teme adesão de deputados anti-impeachment. “Nunca vi o PMDB rejeitar filiações. É um arbítrio muito grande”, diz Marcelo Castro

O ministro da Saúde, Marcelo Castro, que também é deputado do PMDB do Piauí, estranhou a resolução aprovada nesta quarta-feira (16) pela Executiva Nacional do seu partido que exigirá uma autorização prévia da direção da legenda para acatar ou não a filiação de deputados. “Nunca vi o PMDB rejeitar filiações. É um arbítrio muito grande”, disse Castro. Hoje o ministro participou de audiência pública na Câmara sobre as epidemias transmitidas pelo mosquito aedes aegypti.

Castro questionou os critérios a serem adotados pela Executiva Nacional do partido para decidir se um deputado tem ou não condições de se filiar. “Quem vai vetar? Nunca vi nenhum partido fazer isto”, comentou o ministro. Ele está no cargo indicado pela direção do PMDB como representante do partido que ainda faz parte oficialmente da base de apoio político da presidente Dilma Rouseff.

Em fevereiro quando ainda exercia o mandato, Castro disputou a liderança da legenda com outros quatro colegas na Câmara e perdeu para Leonardo Picciani (RJ), que há uma semana foi destituído e substituído no cargo por Leonardo Quintão (MG). “Esta resolução não é boa nem saudável para o partido”, disse Castro.

Ele não quis comentar as declarações do presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), de que a resolução da Executiva é um retrocesso político. A resolução foi proposta pela ala oposicionista do PMDB que receia a entrada de deputados governistas de outras legendas no partido, recoloque o ex-líder Leonardo Quintão na liderança e vote contra o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

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