Ministro das Cidades nega suspensão do Minha Casa Minha Vida

Bruno Araújo negou qualquer alteração nas modalidades do programa Minha Casa Minha Vida Entidades, FGTS e Rural. "Óbvio que quem perde R$ 17 bilhões tem algum tipo de impacto, mas nós estamos procurando amenizar isso da melhor maneira possível", disse o ministro

O ministro das Cidades, Bruno Araújo, negou qualquer suspensão do programa habitacional Minha Casa Minha Vida. Segundo Araújo, a pasta está trabalhando para "amenizar" os efeitos da redução de recursos destinados ao programa - medida adotada ainda no governo anterior, destacou o ministro. "O programa perdeu recursos sim porque o governo afastado, no ano de 2014, tinha previsto mais de R$ 24 bilhões em recursos para o Minha Casa Minha Vida e o próprio governo afastado, antes de ser substituído reduziu esses recursos para R$ 7 bilhões. Óbvio que quem perde R$ 17 bilhões tem algum tipo de impacto, mas nós estamos procurando amenizar isso da melhor maneira possível", disse Araújo.

Sobre o Minha Casa Minha Vida Entidades, modalidade do programa que busca prover moradia às famílias organizadas por meio de cooperativas habitacionais, associações e demais entidades privadas sem fins lucrativos, Bruno Araújo disse que a modalidade está mantida, e que pasta continua contratando "já vamos esse ano para quase 14 mil contratações das que foram selecionadas do mês de dezembro e no mês de abril", afirmou o ministro.

"Em relação a qualquer outra notícia que o programa poderia estar sofrendo qualquer suspensão: nunca houve isso, nunca foi tratado nada a respeito da matéria", declarou Bruno Araújo, que também afirmou que as modalidades Minha Casa Minha Vida FGTS e Minha Casa Minha Vida Rural serão mantidas. "O programa segue firme e pode melhorar muito, a muito o que ser aperfeiçoado, sem qualquer nível de suspeição".

Assista ao vídeo com esclarecimentos do ministro:

 

O pronunciamento do ministro veio apenas uma hora depois da sessão de perguntas e respostas sobre o programa, promovida pela presidente Dilma Rousseff e a ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Miriam Belchior, na página do Facebook de Dilma. As possíveis alterações no Minha Casa Minha Vida pelo novo governo - como a retirada de subsídios e a redução de contratações - foram duramente criticadas pela presidente afastada. "Acreditamos que eles, do jeito que vão, são capazes de tudo. Mas esperamos que tenham um mínimo de consideração pelas famílias que mais precisam da casa própria", escreveu Dilma.

A presidente defendeu que o programa integra a plataforma do governo eleito, portanto, sua modificação revela uma quebra do compromisso firmado nas urnas. "É um absurdo que o presidente interino e provisório altere tão dramaticamente as políticas decorrentes do programa de governo que recebeu mais de 54 milhões de votos, em eleições diretas. Tenho certeza que o Senado da República já está percebendo os inúmeros retrocessos advindos das decisões equivocadas do governo provisório. Faremos todo o possível para reverter este quadro que só tem prejudicado a população, especialmente a que mais precisa", disse a presidente, que também chamou Temer de "interino golpista".

"É sintomático que o primeiro corte que o interino golpista fez foi no Minha Casa Minha Vida Entidades. Mostra que ele desconsidera a história das lutas pela habitação popular no Brasil", criticou a presidente.

Miriam Belchior alertou que o fim do subsídio do programa representa seu fim, pois não poderá atender às famílias mais necessitadas. "Também na área de habitação, o governo provisório, governo golpista, tá fazendo um novo retrocesso. Que retrocesso é esse? O jornal O Globo deu no sábado passado. O governo golpista vai acabar com o subsídio do Minha Casa Minha Vida, e acabar com o subsídio do Minha Casa Minha Vida é matar o programa. Para as família que têm renda até R$ 3.600 não vai dar para comprar a casa própria, porque sem o subsídio a prestação fica muito alta", declarou a ex-presidente da Caixa Econômica.

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