Manifestantes apoiam Dilma e Lula em atos pelo país

Segundo a PM, 267 mil pessoas participam dos atos pró-governo. Já os organizadores das manifestações dizem que 1,2 milhão de apoiadores foram às ruas do país

Depois de dois dias de manifestações contra o governo e a nomeação do ex-presidente Lula na Casa Civil, hoje (sexta, 18) foi a vez de apoiadores da presidente Dilma Rousseff e contra o impeachment fazerem atos nas 26 unidades da federação e no Distrito Federal. Sob os gritos de “não vai ter golpe” e “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”, os protestos contra a deposição de Dilma e as recentes investigações contra Lula ainda estão em curso em diversos locais do país, principalmente na Esplanada dos Ministérios, Brasília, na Praça XV (centro do Rio de Janeiro) e na Avenida Paulista, em São Paulo.

Segundo a Polícia Militar e as secretarias de segurança pública em todo o Brasil, 267 mil pessoas participam dos atos pró-governo. Já os organizadores das manifestações dizem que 1,2 milhão de apoiadores foram às ruas do país. Os números foram atualizados às 21h, segundo informações coletadas nas 55 cidades com mobilização.

Em Brasília, de acordo com o mais recente boletim divulgado pela Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social, são cerca de seis mil pessoas que, antes concentradas em frente ao Museu da República no final da tarde, percorreram os quase dois quilômetros até o gramado do Congresso. Segundo os organizadores do ato, mais de dez mil pessoas participam das manifestações.

Um total de 1,7 mil policiais militares, 201 bombeiros, 46 agentes de trânsito e 15 policiais civis reforçaram a segurança na Esplanada. Não houve registro de tumulto no local.

A mais numerosa aglomeração foi registrada na Avenida Paulista, onde a polícia diz que 80 mil pessoas manifestaram apoio a Dilma e Lula. Já os organizadores contabilizaram 380 mil manifestantes. No local, o prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), entidade que defende o fim do governo Dilma, ficou às escuras – nas manifestações pró-impeachment, ao contrário, o edifício chegou a estampar uma iluminação com a frase “Renúncia já!”.

Miami

Mais cedo, o ex-presidente Lua afirmou, em discurso na Avenida Paulista, que a oposição não aceitou o resultado das eleições. Por isso, na visão do cacique petista, parlamentares e líderes oposicionistas atuam para atrapalhar o governo.

“Eles, que se dizem pessoas estudadas, não aceitaram o resultado e faz um ano e três meses que estão atrapalhando Dilma a governar esse país. Eles vestem amarelo e verde pra dizer que são mais brasileiros do que nós”, discursou Lula, para quem a oposição brasileira é formada por pessoas “que gostariam de ir a Miami” para fazer compras. “Se a gente não conseguir convencer as pessoas a mudarem de ideia, a gente tem que convencer que a democracia é acatar a maioria do voto do povo brasileiro”, acrescentou.

“Golpe”

As demonstrações de apoio ao governo federal foram convocadas por partidos aliados e sindicatos, como forma de contraponto às manifestações a favor do impeachment e contra o governo que foram às ruas no último domingo (13). Na ocasião, centenas de milhares de pessoas foram às ruas para protestar contra Dilma e Lula.

A reportagem do Congresso em Foco acompanhou os protestos em São Paulo e em Brasília. Na capital federal, entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a União Nacional dos Estudantes (UNE) mobilizaram seus filiados para os atos. Participaram da manifestação políticos como a deputada federal Érika Kokay (PT-DF), o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) e o deputado distrital Chico Vigilante (PT-DF), além do ex-ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República Gilberto Carvalho.

Fábio Góis/Congresso em Foco
Kokay disse à reportagem que o golpe de 1964, que deu início a 21 anos de ditadura militar no Brasil, parece se repetir em 2016. “A democracia brasileira é sólida o suficiente para impedir este golpe. Nós, que superamos as botas e baionetas literais, não vamos permitir que as botas e baionetas metafóricas se imponham”, disse a deputada ao site, depois de discursar para a militância. “Não vai ter golpe.”

Para Kokay, a imprensa se presta nos últimos dias ao mesmo papel que, em sua opinião, desempenhou na época dos anos de chumbo. “O que está em curso no país é m golpe. Se você vê as manchetes dos grandes jornais no dia 2 de abril de 1964, elas são muito semelhantes às manchetes deste março de 2016, no sentido de estimular o próprio golpe. E, para além disso, temos um setor do Judiciário que está impondo um estado policialesco”, acusou a petista, recorrendo ao poeta brasileiro Augusto dos Anjos (1884-1914) para descrever os oposicionistas.

“A mão que afaga a cabeça dos corruptos históricos do PSDB é a mão que apedreja quem ousa construir um país realmente democrático”, acrescentou Kokay, parodiando o poema “Versos íntimos”.

Paulo Pimenta também declarou à reportagem que vê semelhança entre os movimentos de impeachment e o golpe de 1964. Para Pimenta, “os cenários são semelhantes”, com a diferença de que, naquela época, setores das Forças Armadas se aliaram à grande imprensa, a setores do capital financeiro e à indústria de São Paulo – “que hoje, mais uma vez, estão envolvidos nessa tentativa de golpe jurídico-midiático”, disse o deputado, vice-líder do PT na Câmara.

“Hoje esse papel, que naquela época era das Forças Armadas, é da burocracia de Estado – especialmente da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e da Justiça Federal. Acredito que temos em curso uma tentativa de golpe que quer rasgar a Constituição, promover um impeachment sem crime de responsabilidade. Nós temos que resistir e evitar que o Brasil, mais uma vez, mergulhe em um cenário como esse”, reclamou o parlamentar gaúcho.

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