Lula discursa no PT: “Eu tomei a decisão de ser preso”

Solto há uma semana, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva revelou aos companheiros de partido nesta quinta-feira (14) que escolheu ser preso. Ao participar da reunião da Executiva Nacional do PT, Lula explicou que poderia ter escapado da cadeia refugiando-se em alguma embaixada aliada, mas preferiu ir para a prisão para não ser tratado como fugitivo e poder provar sua inocência. No fim, disse que saiu da cadeia com mais fé nos seus ideias, tanto que não se furtou a alfinetar o governo Bolsonaro e garantiu que o PT vai continuar polarizando as eleições. Veja a íntegra do discurso abaixo.

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"Quando eu fui preso, eu queria confirmar uma coisa, eu tomei a decisão de ser preso para que eu não fosse tratado como um fugitivo. Eu poderia ter ido para a embaixada de algum país, mas eu tomei a decisão de ir para pertinho do Moro porque eu queria provar o canalha que ele foi. Foi por isso que eu fiquei lá", contou Lula, logo no início do discurso de quase uma hora que realizou no evento que reúne as principais lideranças do PT em Salvador nesta quinta-feira.

Aclamado pelos companheiros de partido, Lula ainda contou detalhes dos dias de prisão. Disse que sentiu falta da família, mas foi surpreendido por toda a solidariedade recebida nos 580 dias em que ficou preso em Curitiba. "Quero agradecer de coração toda solidariedade que tenho recebido. Aqui e no mundo inteiro. Nunca imaginei essa acolhida. Até brinquei que estava mais popular no mundo do que o presidente eleito", ironizou.

Lula ainda disse que aproveitou esse tempo de reclusão para fazer reflexões sobre a realidade brasileira, o que lhe motivou a seguir na política. "Eu não sai da cadeia mais forte, eu sai da cadeia mais humano, com mais fé nas lutas que eu tenho que fazer. E eu aprendi umas coisas importantes. Eu li muito sobre a história desse país e posso dizer que esse país nunca teve a sua verdadeira história contada. Nossos heróis nunca aparecerem em nenhuma fotografia", discursou Lula.

Veja o discurso de Lula na reunião da executiva do PT:

Apesar de dizer que não quer vingança porque ninguém vai lhe devolver os 580 dias que ficou na prisão, o ex-presidente também aproveitou a ocasião para alfinetar o governo Bolsonaro e o atual ministro da Justiça, Sergio Moro, que, enquanto juiz, conduziu o processo que o levou à prisão. Ele criticou medidas como o plano de privatizações do governo federal e disse que espera que as instituições brasileiras de fato garantam a democracia. Lula ainda afirmou que confia muito na Justiça, mas ressaltou que os juízes devem julgar pelos autos e pelas provas do processo. "Juiz não pode ter opinião pública", disse, fazendo referência a Moro.

Lula ainda disse que quem cobra uma autocrítica do PT, como o presidente Jair Bolsonaro, deve fazer a sua própria avaliação crítica. Isso porque, segundo ele, muita coisa deve ser esclarecida no Brasil.

"O que eu quero é lutar democraticamente para que o povo brasileiro recupere seus direitos. E que as instituições responsáveis garantam nossa democracia. Esse país tem que recuperar a verdade, o que está aí é uma grande mentira", concluiu, dizendo que, por conta disso, o PT vai continuar polarizando as próximas eleições brasileiras. "Não existe tradição política como a desse partido. Eles não vão tirar o PT da disputa eleitoral desse país. com Lula ou sem Lula, PT não nasceu para ser partido de apoio", afirmou Lula.

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