Leia a entrevista com Denise Leitão Rocha

A advogada exonerada pelo senador Ciro Nogueira fala com exclusividade ao Congresso em Foco

Quem divulgou o vídeo? E com que intenção?
Com várias intenções, e isso está tudo no processo. Pode ter mais de um [culpado pelo vazamento]. Quem está nos autos eu não posso falar, porque o processo está em segredo de Justiça. Só o que eu posso falar: quem foi espalhar isso no Senado? Tem que chegar ao computador de quem espalhou. Está nas mãos do Senado. Por isso não posso falar que foi só o meu ex-namorado. Pode ter sido o meu ex e mais alguém – que se chamam co-autores do crime.

Como você interpreta tudo o que aconteceu depois da exibição do vídeo e da consequente exoneração?
Eu fico pensando... Como é que cada um que fala [critica] veio ao mundo? Todos criticam [o ato sexual], mas a gente está aqui como? ET? Cegonha? Só no Brasil mesmo... Agora, quanto aos escândalos de corrupção, está todo mundo lá [no Congresso], eles não vão ser cassados. É o poder, não é? Poder entre aspas – porque isso para mim não é poder, tem outro nome.

Como advogada, o que você espera do processo que move sobre o episódio do vazamento do vídeo? Há processo contra a exoneração no Senado?
Espero que tudo seja logo esclarecido para toda a sociedade. O processo pode demorar. Porém, na minha consciência, ele já esta esclarecido há muito tempo. Com relação ao Senado, não sei de onde tiraram que eu iria processar a Casa... O cargo em que eu estava lotada era de confiança, portanto, demissível ad nutum [decisão de livre arbítrio do autor, sem exigência de formalidade ou amparo legal para justificá-la].

Por falar em Senado, como você vê o Parlamento atual? Câmara e Senado ainda são instituições moralistas?
Temos muitos parlamentares sérios, sim, e que realmente se dedicam às bandeiras que abraçam no exercício do seu mandato. Com relação ao ocorrido comigo, tem coisa muito pior que acontece na Casa legislativa e não dá em nada. Acho melhor não me alongar sobre vários episódios já notoriamente conhecidos.

Diante da reviravolta em sua vida, e como ex-assessora de um senador em uma comissão parlamentar mista de inquérito, como você vai passar a lidar com a atividade parlamentar? Como está sua relação com esse mundo?
Totalmente prejudicada. Eu vou passar, vão olhar... Eu vou cumprimentar os senadores, deputados, e vou achar que eles estão me vendo pelada. A impressão vai ser essa. Por isso estou indo ao psicólogo, ao psiquiatra. Estou tomando remédio e tudo...

A imprensa te ajudou ou prejudicou com o noticiamento do caso?
No início, dei minha palavra de que não falaria com a imprensa, e fui bombardeada – como a exemplo de que eu tinha feito [o vídeo de sexo] nas dependências do Senado, o que sabemos não ser verdade. Ou falarem como se fosse algo recente e no exercício do cargo [de assessora parlamentar], sendo que o mal [a divulgação do vídeo] foi feito há seis anos. Obviamente, eu estava ainda em início de faculdade, e muito mais jovem. Porém, não os julgo [membros da imprensa], pois estavam noticiando com o que tinham em mãos. Hoje, já mais informados, entenderam a minha situação.

O Congresso em Foco não publicou uma linha até a formalização da sua exoneração, não achamos que a vida pessoal de uma servidora do Senado seja notícia...
Realmente, não vi nenhuma nota de vocês [sobre o vídeo de sexo]. Acompanho o trabalho de vocês. Eu o acho sério, no sentido de não abaixarem a cabeça por causa de senador, deputado. Vocês vão para a linha de frente, mesmo.

O que você espera fazer daqui em diante, profissionalmente falando?
Entreguei a Deus. Ele sabe o que é melhor para mim, sabe quem fez isso comigo e o coração que tenho.

Como você pretende lidar com a superexposição de sua imagem? O fato de você ser uma mulher bonita pode atrapalhar ou ajudar na busca por um espaço no mercado de trabalho?
Sempre atrapalhou. Muita gente não consegue assimilar uma mulher bonita, inteligente, advogada, que ama trabalhar, porém gosta de se cuidar, como todas as mulheres – melhor que muitas pessoas hipócritas, que não se cuidam mas se drogam de todas as formas. Desde quando cuidar de você, da sua saúde, virou crime?

Como sua família tem lidado com essa situação? O que você tem feito para esquecer o episódio?
Minha família está sofrendo demais, mas sabem quem fez a maldade, que irá pagar por isso. Quanto a mim, tento esquecer, pois não sou nenhuma criminosa. Vou ao médico, psiquiatra, psicólogo, mas não consigo [esquecer o que aconteceu] ainda...

Que recado deixaria para quem te "condenou" depois da exibição do vídeo?
Para não julgar sem saber o que realmente acontece... O processo chegará ao fim, e eu estarei lá com o meu Deus, minha família e minha vida.

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