Lava Jato: PF pede ao STF quebra de sigilos de Renan e Collor

Requerimentos chegaram ao Supremo em 7 de maio e foram distribuídos para o relator dos inquéritos. PF também solicitou diligências contra os deputados Aníbal Gomes e Eduardo da Fonte, além do senador Valdir Raupp

A Polícia Federal (PF) pediu nesta quarta-feira (13) ao Supremo Tribunal Federal (STF) a quebra dos sigilos fiscal e bancário do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e do senador Fernando Collor (PTB-AL). Ambos são investigados em inquéritos da  Operação Lava Jato abertos em 6 de março, com base nos depoimentos de delação premiada do doleiro Alberto Youssef, delator da Lava Jato e um dos principais operadores do esquema de corrupção descoberto na Petrobras. Apesar dos indícios, tanto Renan quanto Collor têm negado qualquer tipo de envolvimento nos desvios da petrolífera.

Os requerimentos de quebra de sigilo chegaram ao Supremo no dia 7 de maio, e foram distribuídos para o julgamento do ministro Teori Zavascki, relator dos processos da Lava Jato. A PF também solicitou autorização para empreender diligências contra os deputados federais Aníbal Gomes (PMDB-CE) e Eduardo da Fonte (PP-PE), líder do partido na Câmara, além do senador Valdir Raupp (PMDB-RO), todos no âmbito da investigação da Lava Jato no STF.

As complicações de Collor com a Lava Jato são reportadas pelo Congresso em Foco desde agosto do ano passado - em 6 de março deste ano, ele passou a integrar a lista de investigados no Supremo, por recomendação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Como este site adiantou naquele mês de 2014, a  suspeita sobre o ex-presidente foi remetida ao STF pelo juiz Sérgio Moro depois de a Polícia Federal identificar comprovantes bancários com depósitos feitos pelo doleiro Alberto Youssef, um dos operadores do esquema de corrupção na Petrobras, no valor de R$ 50 mil, na conta do senador. Segundo a PF, o repasse foi dividido em oito depósitos em espécie: R$ 1.500, R$ 9 mil, R$ 1.500, R$ 9 mil, R$ 8 mil, R$ 9 mil, R$ 8 mil e R$ 4 mil.

Além dessa acusação, o senador é suspeito de ter recebido R$ 3 milhões em propina por negócio firmado com uma subsidiária da Petrobras. Na noite de terça-feira (12), Collor ajuizou quatro representações contra Janot, por crime de responsabilidade, com pedido de impeachment do procurador. Nas representações, Collor acusa Janot de selecionar “como bem entende” os políticos a serem investigados, de abuso de poder, autopromoção e desperdício de dinheiro público.

Bois de Alagoas

Já Renan não deve se preocupar só com a Lava Jato. Como este site mostrou um mês antes de o senador virar investigado nesse inquérito, ele ainda convive com os fantasmas que o fizeram deixar a presidência da Casa pela porta dos fundos e que quase lhe custaram o mandato parlamentar. Renan é alvo de outras duas investigações no STF, denunciado por improbidade administrativa na Justiça do Distrito Federal no ano passado. Mas ainda não há decisão da Justiça sobre esses processos.

A acusação mais grave contra Renan remonta a 2007, ano em que renunciou à presidência para preservar o mandato e escapou duas vezes, em votação secreta no plenário, da cassação. No Inquérito 2593, ele é acusado pelo Ministério Público Federal de ter cometido os crimes de peculato (desvio de verba ou bem público por funcionário público), falsidade ideológica e uso de documento falso no chamado caso dos “bois de Alagoas”.

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