Lava Jato: delator detalha propina de R$ 1 mi para senador Edison Lobão

JN teve acesso à delação premiada de Ricardo Pessoa, dono da UTC. Empreiteiro detalhou a investigadores como subornou ex-ministro em negociata sobre usina Angra 3

Reportagem da edição deste sábado do (4) Jornal Nacional (TV Globo), com base em documentos obtidos pelo próprio telejornal, informa que o empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia, detalhou por meio desse material o pagamento de propina ao senador e ex-ministro de Minas e Energia Edson Lobão (PMDB-MA). Os registros apresentados por Pessoa integram o conjunto probatório de sua delação premiada às autoridades da Operação Lava Jato, e dão conta de que R$ 1 milhão foi entregue a Lobão.

Segundo a delação, Pessoa procurou o então ministro de Minas e Energia para que ele interviesse em favor dos interesses do consórcio da usina nuclear de Angra 3, do qual a UTC faz parte no empreendimento. A ingerência política de Lobão serviria para que a empreiteira superasse dificuldades no negócio ou conseguisse algum controle sobre o projeto, diz a reportagem. Ao custo total de mais R$ 15 bilhões, a obra deve entrar em funcionamento em 2018.

De acordo com Pessoa, o pagamento da propina a Lobão foi feito “em duas ou três parcelas”, e foi acertado em duas reuniões oficiais entre maio e julho de 2014. Na ocasião, segundo o JN, o peemedebista teria indicado André Serwi como emissário para receber o dinheiro em seu nome. Ainda de acordo com a delação, Lobão e a família de Serwi têm “relação de muita proximidade”.

“O pai dele e o ex-ministro, ainda segundo Pessoa, foram sócios na década de 1970”, diz a reportagem, que tentou entrevista com Serwi em endereços dele e de parentes em Brasília, mas sequer conseguiu contato por telefone.

O advogado do ex-ministro diz que ele jamais autorizou qualquer pessoa a falar em seu nome, e que Ricardo Pessoa não apresentou provas do que disse. A defesa de Lobão disse ainda que seu cliente só contestaria as denúncias quando tivesse acesso aos autos do depoimento do empreiteiro, e que então esclareceria os fatos apresentados.

Assista à reportagem do JN em vídeo

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