Jornais: Oscar Niemeyer 1907 – 2012: Morre o maior arquiteto do Brasil

Arquiteto de um “jogo inesperado de retas e curvas”, como ele mesmo se definia, e mundialmente conhecido como criador de Brasília, Niemeyer não resistiu à sua terceira internação hospitalar neste ano

FOLHA DE S. PAULO

Oscar Niemeyer 1907 - 2012: Morre o maior arquiteto do Brasil

Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares morreu aos 104 anos, no Rio.

Arquiteto de um “jogo inesperado de retas e curvas”, como ele mesmo se definia, e mundialmente conhecido como criador de Brasília, Niemeyer não resistiu à sua terceira internação hospitalar neste ano.

Nascido no Rio em 1907, formou-se em 1934 e foi estagiário de Lúcio Costa, com quem projetou a capital. “Quando cheguei lá, a terra era agreste. Tomávamos caipirinha, ríamos, todos juntos, operários, engenheiros; dava a sensação de que o mundo seria melhor”, contou à Folha em 1984.“Quando inaugurou, veio a muralha separando pobres e ricos, e Brasília virou uma cidade como as outras.”A presidente Dilma Rousseff ofereceu à família o Palácio do Planalto para o velório e disse, em nota, que Niemeyer foi um revolucionário. “Sua história não cabe nas pranchetas.”

Morreu ontem, às 21h55, no Rio, Oscar Niemeyer, 104. Arquiteto de um "jogo inesperado de retas e curvas", como ele mesmo se definia, "criador de Brasília", como ficou conhecido popularmente, não resistiu à terceira internação neste ano.

A causa da morte, segundo o médico Fernando Gjorup, foi infecção respiratória. Estava ao lado da mulher, Vera Lúcia, 67, de sobrinhos e netos na hora da morte.

Niemeyer estava internado desde 2 de novembro no Hospital Samaritano, em Botafogo. Ficou lúcido até a manhã de ontem, quando teve uma parada cardiorrespiratória. Os médicos conseguiram reanimá-lo, mas ele teve de ser sedado e passou a respirar por aparelhos.

O velório vai acontecer no Palácio do Planalto, oferecido à família pela presidente Dilma Rousseff. Em nota, ela disse que "O Brasil perde um dos seus gênios".

O corpo de Niemeyer deve seguir para a capital nesta manhã. No fim do dia, será levado de volta ao Rio, onde haverá cerimônia fechada na sede da prefeitura.

Amanhã, o espaço será aberto ao público. O enterro está previsto para a tarde do mesmo dia, no cemitério São João Batista, em Botafogo. O governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes decretaram luto de três dias.

Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares fora internado por causa de uma desidratação. Ao longo das semanas, suas funções renal e respiratória pioraram.

Em outubro, havia ficado duas semanas internado por causa de desidratação. Em maio, enfrentou 16 dias no hospital por conta de desidratação e pneumonia. Nesse período, dividiu o hospital com a filha única, a também arquiteta e galerista Anna Maria Niemeyer, 82, morta em junho devido a um enfisema pulmonar.

A internação dele aconteceu um dia depois de um leilão em que foi vendida parte da coleção de obras de Anna.

Comunista histórico e ateu convicto, fez sua última aparição pública em julho, num vídeo em apoio à reeleição de Paes. "O Sambódromo é um projeto que comecei e o Paes terminou. Graças a ele, meu sonho finalmente foi realizado", disse. Neste ano, a prefeitura adequou o espaço ao projeto original dele, de 1983.

Nascido no Rio em 15 de dezembro de 1907, trabalhou na tipografia do pai e formou-se em arquitetura em 1934, pela Escola Nacional de Belas Artes. Começou como estagiário no escritório de Lúcio Costa e Carlos Leão. Em parceria com Costa, aceitou em 1956 projetar Brasília.

Desde 2009, a saúde se fragilizou, e as internações se tornaram mais frequentes. Naquele ano, retirou a vesícula e um tumor no cólon. Deixa cinco netos, 13 bisnetos e quatro trinetos.

Plano de Dilma tiraria ao menos R$ 8 bi de elétricas

A renovação das concessões das elétricas, proposta por Dilma para baixar a tarifa, traria perdas de ao menos R$ 8 bilhões às empresas de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina, segundo dados das empresas.

As quatro elétricas desses Estados recusaram total ou parcialmente o plano do governo. O cálculo inclui prejuízos com indenizações e receitas de tarifas. Não estão computados números da Cemig, que não revela dados.

Especialistas do setor encaminharam carta à presidente pedindo a revogação da medida provisória. Eles temem pelas consequências que podem decorrer das alterações, como apagões e contratos contestados.

Ontem, Dilma criticou quem não aderiu e sinalizou que garantirá a queda da conta de luz. “O governo não recuará, apesar de lamentar a imensa falta de sensibilidade dos que não veem a importância disso.”

Gráfica desvia doações para políticos, diz relatório da PF

Relatório da Polícia Federal enviado ao procurador-geral Roberto Gurgel diz que a gráfica Soroimpress, que recebeu R$ 5 milhões de 85 políticos nas eleições de 2010, foi usada para desviar recursos de doações de campanha.

O esquema envolveu duas idosas doentes como "laranjas", uma pessoa "fabricada" com documentos falsos, e quadrilha composta por quatro pessoas de São Paulo.

O relatório final da PF sobre o caso Soroimpress, revelado há dois anos pela Folha, foi enviado a Gurgel para que seja apurada a participação de políticos no esquema.

Buscaram os serviços da empresa 85 políticos de diferentes partidos: os principais clientes foram o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), a ex-governadora Ana Júlia (PT-PA) e o governador Teotônio Vilela Filho (PSDB-AL).

A investigação começou após denúncia do então candidato ao governo do Rio Fernando Gabeira (PV) apontando a empresa como fornecedora de Sérgio Cabral (PMDB), reeleito em 2010.

A apuração da PF analisa com detalhe apenas a contratação do peemedebista e aponta haver indícios de que o serviço não foi prestado. A PF diz que o preço pago por 30 mil adesivos (R$ 33.450) não cobriria a confecção, plastificação, embalagem e transporte do produto.

Senadores suspendem indicação de procurador para conselho

Senadores do governo e da oposição fecharam acordo ontem para suspender a votação da indicação de Luiz Moreira Gomes Júnior para o Conselho Nacional do Ministério Público até que procuradores que fazem acusações contra o indicado sejam ouvidos pelos parlamentares.

O acordo prevê que dois procuradores de Goiás e São Paulo falem na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado antes da votação no plenário da Casa.

Eles acusam Gomes, que seria reconduzido ao cargo, de ter ligações com o ex-deputado José Genoíno (PT-SP) -a quem teria cedido carro oficial do conselho.

O indicado nega as acusações e diz que, mesmo sendo amigo do petista, condenado pelo mensalão, não permitiu o uso de carros oficiais do conselho por terceiros.

Mônica Bergamo: Lula falou com Rosemary após operação da Polícia Federal

CALMA, ROSE

Uma linha direta foi estabelecida entre Lula e Rosemary Noronha, ex-secretária da Presidência da República em SP. Os dois conversaram depois de deflagrada a Operação Porto Seguro, que indiciou a ex-servidora sob acusação de tráfico de influência e corrupção.

CALMA, ROSE 2

A conversa de Lula com Rose, como é conhecida, teve o objetivo de "acalmar" a ex-secretária.

LATERAL

Rose tem cobrado dirigentes do PT. Ela quer que o partido saia em sua defesa, assim como sempre faz com Lula. "Mas quantos votos ela tem?", diz um petista, sob a condição de anonimato.

TÔ FORA

Lula, até agora, não pediu para que o PT a defenda. Ao contrário: a interlocutores, ele diz que ficou surpreso com as informações da investigação policial. Rose é acusada de pertencer à máfia de venda de pareceres liderada por ex-diretores de agências reguladoras do governo.

Governo pode liberar FGTS para imóvel de R$ 750 mil

Em mais uma tentativa de estimular a economia, o governo estuda elevar de R$ 500 mil para R$ 750 mil o valor máximo dos imóveis que podem ser comprados com os recursos do FGTS, informam Sheila D’Amorim e Valdo Cruz. A medida é reivindicação antiga das construtoras e tem a simpatia do ministro Mantega (Fazenda).

A palavra final caberá à presidente Dilma. Parecer da Caixa Econômica Federal, gestora do fundo, não vê na adoção da medida um problema para o FGTS.

O preço do imóvel subiu nos últimos anos, principalmente nas grandes cidades, o que dificulta encontrar moradias novas no limite atual do fundo.

Portos têm pacote com critério complexo

Após meses de dificuldades para decidir o novo modelo para portos, o governo lança hoje um pacote com um complexo critério para escolher as empresas que irão operar os futuros terminais. O investimento no setor será de cerca de R$ 60 bilhões.

Foi justamente a indecisão sobre como faria a concessão dos terminais que levou o Executivo a discutir, meses a fio, como seria a dinâmica dos novos leilões.

A maioria dos portos é gerida por órgãos públicos, as companhias Docas, que transferem à iniciativa privada áreas para armazenagens e circulação de cargas (terminais) e ficam responsáveis por cuidar da infraestrutura, como acessos dos navios e caminhões aos terminais.

Pelo modelo, haverá pelo menos três diferentes critérios para a escolha desses operadores: menor tarifa, maior movimentação de cargas e maior investimento.

Hoje, o leilão é definido quase sempre pelo maior valor de arrendamento, com definição prévia de movimentação mínima e investimento.

O elemento "menor tarifa" é, portanto, a aposta da presidente Dilma para tentar reduzir o valor dos custos portuários, considerados altos.

Veto à distribuição dos royalties vai a voto no Congresso

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), prometeu iniciar o processo que pode levar o Congresso a votar o veto da presidente Dilma Rousseff à distribuição de royalties do petróleo.

Após pressão de congressistas de Estados não produtores de petróleo, que são contrários ao veto, Sarney marcou para terça-feira a votação que decidirá se a questão deve ser considerada urgente. Com isso, ela furaria a fila dos 3.060 vetos presidenciais que aguardam análise.

A medida de Dilma impediu uma distribuição mais igualitária das receitas de exploração do petróleo em áreas já licitadas.

Novo secretário da Segurança diz que facção ‘não é lenda’

O secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, ex-procurador-geral de Justiça, disse que demorou de "dois a três dias" para aceitar o convite e que, antes de assumir o cargo, temia ser vítima da onda de violência.

Humorista ganha vaga de vereador na Câmara de SP

Documentário traz história de vítimas da talidomida no país

Supremo rejeita proposta que reduziria penas do mensalão

O STF rejeitou a proposta do ministro Marco Aurélio Mello de unificar os crimes do mensalão, o que reduziria as penas de 16 dos 25 condenados. Para Mello, à exceção da prática de quadrilha, um ato “contra a paz pública”, todos os outros crimes são “lesão à administração pública”. Apenas o revisor, Ricardo Lewandowski, seguiu Mello.

 

 

 

O GLOBO

 

Dilma deve usar Tesouro para baixar conta de luz

A presidente Dilma deixou claro que o governo federal não recuará e deve manter o compromisso de redução média de 20,2% na contas de luz a partir de 2013. Sem citar governadores tucanos, ela reclamou da "insensibilidade" de quem não aderiu às novas regras da medida provisória (MP) 579. Foi o caso das concessionárias de São Paulo, Minas, Paraná e Santa Catarina. O Tesouro deverá arcar com o custo da redução de novos encargos.

Obituário/O Arquiteto do Brasil: Oscar Niemeyer

Ícone brasileiro e mundial da arquitetura, inventor de uma nova forma de lidar com o concreto armado que revolucionou a concepção urbana, defensor da luta contra os excessos da razão, morreu às 21h55m de ontem, a dez dias de completar 105 anos, Oscar Niemeyer. Criador de Brasília, visitada por estudiosos e amantes da arte e do urbanismo, deixou sua marca em várias cidades do mundo ao longo do século XX. Fiel a suas ideias, foi um árduo porta-voz do comunismo, mesmo após a queda do Muro.

Ministro da Justiça compara Rosemary a Demóstenes

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, fez ontem, ao depor da CCJ do Senado, uma comparação da denúncia contra Rosemary Noronha, ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, com o caso do senador cassado Demóstenes Torres (sem partido-GO), que perdeu o mandato depois de comprovadas suas ligações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. A comparação pode estar justificada pela forma como Rosemary e Demóstenes usavam sua influência para obter favores nos órgãos públicos para seus aliados.

- Nós erramos, eu o recebi várias vezes no ministério, o admirava - disse o ministro, referindo-se a Demóstenes.

Como lembrou Cardozo, Demóstenes usou de seu prestígio político para favorecer o bicheiro Carlinhos Cachoeira, como para tentar tirar um dos principais agentes da Polícia Federal de uma das investigações sobre a exploração ilegal de máquinas caça-níqueis e videopôquer pelo grupo de Cachoeira.

Cardozo lembrou que o ex-senador foi recebido na Secretaria Nacional de Justiça, conforme apontou a PF, para pedir que o agente José Luiz da Silva fosse transferido de Anápolis, centro da investigação, para Goiânia. O senador fez o pedido no segundo semestre de 2009, no auge da investigação que resultou no relatório sobre as ligações de Demóstenes e outros parlamentares com Cachoeira.

Planalto orientou Adams a se desvincular de Weber

Antes de depor ontem no Senado, o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, recebeu um recado do Palácio do Planalto: ele deveria começar a se desvincular de seu ex-adjunto José Weber Holanda Alves, indiciado pela Polícia Federal na Operação Porto Seguro, para que sua permanência no governo não fosse questionada. No fim do dia, a avaliação no Palácio foi a de que Adams se saiu bem no depoimento, e cumpriu o combinado.

Adams foi avisado por diversos emissários da presidente Dilma de que exagerou na dose ao defender Weber, publicamente, em duas ocasiões distintas. Na primeira vez, logo após a operação da PF, Adams destacou que era amigo de Weber há cerca de dez anos e que, inclusive, frequentava sua casa. "A pessoa que conhece o ser humano Weber acredita que ele vai esclarecer tudo", disse, na ocasião.

Em um segundo momento, ele defendeu a capacidade do ex-braço-direito e voltou a afirmar que Weber iria esclarecer os fatos. Após as declarações de Adams, os recados do governo foram claros: se ontem, no Senado, repetisse a dose, sua situação se complicaria.

Reforma política: anteprojetos de lei apresentados na Câmara

O relator da reforma política, deputado Henrique Fontana (PT-RS), apresentou ontem, no plenário da Câmara, os anteprojetos de lei e de emenda constitucional para modificar minimamente o sistema de votação do país, estabelecer o financiamento público exclusivo das campanhas eleitorais, acabar com as coligações nas eleições proporcionais e promover a coincidência das eleições municipais e gerais.

Alguns líderes destacaram a importância da reforma, mas em conversas reservadas reconhecem que nada será votado este ano. Em reunião mais cedo acertaram que tentarão votar alguns pontos semana que vem.

Fontana fixou como data para a coincidência das eleições municipais e gerais o ano de 2022. Para isso, nas eleições municipais de 2016, os prefeitos já seriam eleitos para mandatos de seis anos. Mesmo esse ponto, que era considerado o mais consensual, já virou motivo de divergências. O fim das coligações nas eleições de deputados e vereadores também é considerado mais fácil de ser aprovado.

Ayres Britto: 'Entre imprensa e sociedade a linha é direta'

A relação entre a sociedade e a imprensa é direta, sem espaço para intermediação do poder público, do Estado. A opinião foi manifestada ontem pelo ex-ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Ayres Britto, que enfatizou ainda que não cabe regulamentação da liberdade de expressão e de pensamento. Nem mesmo por meio de aprovação de emendas à Constituição.

- Liberdade de imprensa desempenha um papel mais que importante, mais que fundamental, vital. Entre a imprensa e a sociedade a linha é direta e se a linha é direta não se admite a mediação, intermediação, do Estado. Qualquer tentativa de relativização da liberdade é insuscetível de legiferação (legislação), ainda que por emenda à Constituição - afirmou Ayres Britto, ao participar, ontem na Câmara, de solenidade de lançamento da publicação sobre os sete anos de debates da Conferência Legislativa sobre liberdade de expressão. - As liberdades de pensamento, de expressão e de informação são todas expressões de direitos individuais. Elas começam no artigo 5º da Constituição, os direitos e garantias individuais, são cláusulas pétreas. Por isso não podem ser objeto de reforma nem por emenda constitucional.

Presidente está em 18º na lista da Forbes

A presidente Dilma Rousseff aparece na 18ª posição entre as pessoas mais poderosas do mundo, segundo a lista publicada ontem pela revista "Forbes". Ela é a terceira mulher no ranking, atrás da chanceler alemã Angela Merkel (segundo lugar geral) e a presidente do Partido do Congresso da Índia, Sonia Gandhi (em 12º).

A lista leva em consideração a população sobre a qual essas personalidades exercem poder, os recursos que controlam, o número de áreas que sua influência alcança e como a utilizam. Dilma, que dirige a sexta maior economia do mundo, está na lista porque "colocou ênfase no fomento do empreendedorismo que inspirou uma nova geração de empresários", segundo a revista. Em 2011, ela ficara na 22ª posição.

Seis mulheres estão na lista: além de Dilma, Merkel e Sonia, aparecem a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, a francesa Christine Lagarde (38º), a diretora-geral da Organização Mundial da Saúde, a chinesa Margaret Chan (58º), e a secretária de Saúde dos EUA, Kathleen Sebelius (68º).

Futuro em xeque - Royalties: governo quer garantir veto

Após pressão de governadores de estados não produtores de petróleo, Dilma quer evitar que o Congresso derrube o veto à redistribuição dos royalties. José Sarney tentará adiar para 2013 a apreciação do veto.

STF mantém penas do mensalão

O Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou ontem, por sete votos a dois, uma proposta do ministro Marco Aurélio Mello que, na prática, significaria a redução das penas aplicadas a 16 dos 25 réus condenados no processo do mensalão. Caso a tese de Marco Aurélio fosse aceita, a pena do operador do mensalão, Marcos Valério, passaria de 40 para menos de 11 anos de reclusão. Apenas o revisor da ação, ministro Ricardo Lewandowski, o acompanhou. O relator e presidente da Corte, Joaquim Barbosa, e os demais ministros preferiram manter as penas anteriormente definidas.

Mordomia no Maracanã

Ficou pronto ontem o primeiro dos 110 novos camarotes do estádio.

 

 

O ESTADO DE S. PAULO

 

Após PIB fraco, governo anuncia plano de R$ 100 bi

O governo lançou novas medidas para conter o fraco desempenho do PIB no ano e ampliou em R$ 100 bilhões a linha de crédito para estímulo ao investimento do BNDES. A ação ainda baixa para 5% ao ano a Taxa de Juros de Longo Prazo, usada como referência em empréstimos pela instituição. O governo espera elevar em 8% os investimentos, após cinco trimestres de queda. A medida ajudaria o País a crescer 4% no ano que vem, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega. A presidente Dilma Rousseff reconheceu o “desempenho precário da indústria”, mas disse “ter certeza” de que as medidas “vão se difundir pelo sistema econômico e sinalizar novo estágio de desenvolvimento”. Hoje, será anunciada reforma nas regras do setor de portos.

Dilma sinaliza que bancará corte de 20%

A presidente Dilma Rousseff criticou a “insensibilidade" das empresas que não aceitaram renovar contratos de concessão de energia elétrica e disse que buscará o “máximo esforço" para reduzir as tarifas aos 20% pretendidos pelo governo, usando recursos do Tesouro, se preciso. Ela falou um dia depois de os governos de SP, MG e PR, do PSDB, desistirem da renovação.

Agente federal foi preso ao tentar vazar operação

A Justiça decretou a prisão preventiva do agente da Polícia Federal Marcus Vinícius Gonçalves Alves, sob suspeita de tentar vazar a Operação Porto Seguro - investigação sobre tráfico de influência e corrupção envolvendo Rosemary Noronha, ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo.

Alvo de outra operação da PF, a Durkheim - investigação contra 33 doleiros e arapongas que espionavam políticos e empresários -, Vinícius caiu no grampo um dia antes do estouro da Porto Seguro, dia 23 de novembro, uma sexta-feira.

Segundo a PF, o agente insiste em marcar encontro com seu interlocutor, identificado como doleiro que teria contato com algum alvo da Porto Seguro. "Eu preciso falar com você porque amanhã vai acontecer uma coisa", disse Vinícius, na ligação do dia 22, quinta-feira. "Mas hoje eu não posso, tenho compromisso, um churrasco no clube", respondeu o doleiro.

Gabinete foi usado em reunião, diz delator

Autor das denúncias de corrupção investigadas pela Operação Porto Seguro, Cyonil Borges afirmou à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal que Paulo Vieira, apontado como chefe do esquema, usou o gabinete da Presidência da República em São Paulo, em 2008, para uma reunião em que os dois discutiram dificuldades do setor portuário - área que concentrou parte das fraudes reveladas pelo inquérito.

O encontro teria sido o primeiro contato formal entre eles. No ano anterior, Cyonil, que era auditor do Tribunal de Contas da União (TCU), havia emitido um parecer técnico contrário à ocupação de uma área do Porto de Santos pela empresa Tecondi, que Vieira tentava beneficiar, de acordo com as investigações.

Em 2009, um ano depois da reunião no gabinete da Presidência em São Paulo, Vieira teria oferecido R$ 300 mil a Cyonil para que ele produzisse um parecer técnico a favor da Tecondi.

Segundo um documento de 12 páginas apresentado por Cyonil à Procuradoria da República em São Paulo, a que o Estado teve acesso, o delator do esquema teria sido convidado por Vieira ao gabinete - que era utilizado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus ministros em viagens à capital paulista.

As investigações da Operação Porto Seguro revelaram que Vieira, à época ouvidor da Agência Nacional de Transportes Aquáticos (Antaq), tinha uma relação próxima com a então chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, indiciada por tráfico de influência, corrupção passiva e falsidade ideológica. Segundo a PF, ela recebia favores de Vieira em troca de reuniões com autoridades e indicações para cargos públicos.

Rubens Vieira vai ao Congresso, mas data é indefinida

O ex-diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Rubens Vieira aceitou o convite para depor na Comissão de Infraestrutura do Senado. Ele foi afastado do cargo, juntamente com seu irmão Paulo Viera, ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), após a Operação Porto Seguro da Polícia Federal constar que atuavam como chefes da quadrilha encarregada de vender pareceres técnicos de órgãos públicos para benefício particular.

A PF também descobriu que a ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha, acertou a nomeação dos irmãos Vieira com o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Autor do convite a Rubens, o líder do PSDB, senador Alvaro Dias (PR), disse que ele respondeu ao ofício da comissão dizendo que não poderia comparecer ontem, mas que estará disponível numa nova data.

Supremo mantém pena de 40 anos para Valério

O STF confirmou ontem pena de 40 anos, 4 meses e 6 dias para o empresário Marcos Valério e de 10 anos e 10 meses para o ex-ministro José Dirceu. O colegiado decidiu que não é possível unificar em um único crime as penas de seis delitos, como propôs o ministro Marco Aurélio Mello, o que daria a Valério pena idêntica à de Dirceu. A discussão da matéria consumiu toda a sessão, adiando a definição sobre se os deputados federais deverão perder ou não o mandato automaticamente.

Auditoria aponta convênios ilegais em secretaria

Auditorias da Secretaria de Controle Interno da Presidência e do Tribunal de Contas da União (TCU) confirmaram que o ministro da Secretaria Especial de Portos (SEP), Leônidas Cristino (PSB-CE), e seu secretário executivo, Mário Lima Júnior, usaram um convênio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para burlar a lei e contratar, sem licitação ou concurso público, pessoal administrativo para gabinetes em Brasília.

As auditorias foram feitas após o Estado mostrar, em fevereiro, que a SEP contratou a Fundação Ricardo Franco (FRF), entidade ligada ao Instituto Militar do Exército (IME), para cooperação técnico-científica em ações do PAC. Firmada em outubro de 2011, a parceria, de R$ 20 milhões, serviu na prática de cabide para empregar secretárias e recepcionistas, não raro familiares de servidores da pasta.

Haddad deve 25% de toda a dívida eleitoral da disputa de 2012

Contas de petista teve déficit de R$ 26 milhões; ao todo, campanhas encerraram pleito com rombo de R$ 97,5 milhões

A dívida de campanha do prefeito eleito de São Paulo, o petista Fernando Haddad, equivale a 25% do rombo somado de todos os 900 candidatos do País que ficaram no vermelho após a disputa de 2012. O PT, que assumirá a dívida de Haddad, foi o partido mais deficitário: responderá por metade das contas pendentes. O saldo negativo total das campanhas é de R$ 97,5 milhões.

A campanha do prefeito eleito teve custo total de R$ 68 milhões, e foram arrecadados apenas R$ 42 milhões - diferença de R$ 26 milhões. Em segundo lugar no ranking dos endividados, depois de Haddad, aparece outro ex-candidato à Prefeitura de São Paulo: o peemedebista Gabriel Chalita, que ficou devendo quase R$ 10 milhões, ao arrecadar 11,7 milhões e gastar R$ 21,6 milhões. Já o tucano José Serra declarou à Justiça Eleitoral ter recebido R$ 33.574.236 e gastado R$ 33.574.236 - superávit de R$ 2.

Para secretário, letalidade da PM é ‘inaceitável’

O secretário da Segurança de SP, Ferrando Grella Vieira, disse, em entrevista ao Estado, que deve haver um esforço para reduzir a letalidade policial. Entre outubro de 2011 e setembro de 2012, 447 pessoas morreram em tiroteios com PMs. Ele também prometeu resposta à matança de policiais.

Caso Rubens Paiva ganha mais detalhes

Documentos oficiais sobre o desaparecimento do ex-deputado Rubens Paiva, sequestrado e morto em 1971 por integrantes da repressão política no País, comprovam a mobilização da ditadura para tentar montar uma história que a livrasse da acusação de responsabilidade no caso. Guardada no Arquivo Nacional, a papelada inclui correspondência entre os então ministros Orlando Geisel (Exército) e Alfredo Buzaid (Justiça).

Os papéis incluem ainda o relatório de uma sindicância da Força sobre a suposta "fuga" do ex-parlamentar e autos de uma perícia no carro que, em versão fantasiosa, conduziria Paiva quando fugiu. Contraditoriamente, parte dos papéis comprova que o oposicionista estava em poder de militares quando "desapareceu" - na verdade, morreu sob tortura, segundo grupos de defesa de direitos humanos comprovaram, há anos.

Confrontos no Egito deixam dois mortos

Número de varejistas bilionários cresce 32%

Ministra pede na COP doação de países ricos

COI se exime de possível benefício a empreiteiras

Projeto de lei em tramitação no Congresso prevê isenções fiscais para empreiteiras envolvidas com obras para a Olimpíada de 2016, no Rio. O COI diz que não exige isenção para esse tipo de empresa.

Dora Kramer: Privilégio às avessas

Deputado condenado em 2010 está solto e no exercício do mandato. Por que os culpados do esquema do mensalão teriam tratamento diferente?

 

 

CORREIO BRAZILIENSE

 

Adeus

O coração do homem que forjou a alma brasiliense em arrojadas curvas de concreto e vidro parou de bater às 21h55 de ontem, no Rio, a 10 dias de completar 105 anos de idade. Poucos arquitetos projetaram e construíram tanto por tão longo tempo quanto Oscar Niemeyer. Suas obras, diversas e carregadas de brasilidade — catedrais, cassino, escolas, museus, praças, torres, pontes, palácios —, estão espalhadas pelos quatro cantos do planeta. “O Brasil perdeu um dos seus gênios”, destacou a presidente Dilma, em nota oficial. Sua morte foi lamentada no mundo inteiro. O corpo será velado hoje no Palácio do Planalto. E o enterro está marcado para amanhã no Rio de Janeiro.

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