Jornais: empreiteiras repassaram R$ 90 milhões a doleiro

Segunda fase da operação focará empresas que irrigaram esquema de Youssef, mostra O Globo. O Estado de S.Paulo revela depoimento em que ex-assessor de Padilha é apontado como ponte entre criminosos e Ministério da Saúde

O GLOBO

Empreiteiras repassaram R$ 90 milhões a doleiro

Segunda fase da operação focará empresas que irrigaram esquema de Youssef

Na segunda etapa da Operação Lava-Jato, a Polícia Federal (PF) vai apertar o cerco sobre dirigentes de empresas, especialmente de empreiteiras contratadas pela Petrobras que fizeram pagamentos à MO Consultoria, do doleiro Alberto Youssef, preso desde 17 de março. Em denúncia apresentada à Justiça Federal semana passada, o Ministério Público Federal informa que as construtoras repassaram R$ 89,7 milhões para a MO, de janeiro de 2009 a junho do ano passado. De acordo com a investigação da PF, a MO é uma empresa fictícia e seria usada por Youssef para pagamentos de propina.

No centro dessa nova linha de investigação estão empresas ligadas à construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Entre as empreiteiras que fizeram pagamentos à MO estão OAS, Galvão Engenharia e Coesa Engenharia, entre outras grandes empresas. Pelas informações da força-tarefa de procuradores encarregada de atuar no caso, a OAS fez dois pagamentos no total de R$ 1,6 milhão, entre 8 de setembro de 2010 e janeiro de 2011; a Galvão Engenharia desembolsou R$ 1,5 milhão, entre abril e março de 2011; e a Coesa, R$ 435 mil, em 3 de janeiro de 2011.

Na lista de empresas a serem investigadas estão Jaraguá Equipamentos, Empreiteira Rigidez, Consórcio Sehab, Consório RNEST, JSM Engenharia e Unipar Participações, entre outras. A PF e o Ministério Público Federal suspeitam que empresas pagavam propina à MO, de Youssef, em troca de contratos com a Petrobras ou com empresas contratadas pela estatal a partir de negociações intermediadas por Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras. Costa também está preso em Curitiba.

Líderes da oposição vão se reunir com Renan para cobrar CPI

A informação, divulgada pelo GLOBO, de que a Petrobras gastou quase US$ 2 bilhões com a refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), serviu como lenha na fogueira para que a oposição na Câmara voltasse a insistir na instalação de uma CPI mista com o objetivo de apurar supostas irregularidades na transação. Nesta terça-feira, líderes dos cinco partidos de oposição — PSDB, DEM, PPS, PSB e SDD — vão se reunir com o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), para cobrar a criação imediata da CPI mista.

Além de US$ 1,249 bilhão pagos pela Petrobras na aquisição de Pasadena, a petroleira teve de desembolsar outros US$ 685 milhões em melhorias operacionais, manutenção, paradas programadas e SMS (segurança, saúde e meio ambiente), como admitiu a Petrobras em nota ao GLOBO.

Apesar de ter consumido quase US$ 2 bilhões, a refinaria tem um valor contábil bem abaixo disso. Em abril de 2013 os registros contábeis da Petrobras atestavam que, em novembro de 2012 — ano do fim do litígio com a Astra Oil —, essa cifra era de US$ 572 milhões, enquanto o “valor presente líquido” estava estimado em US$ 352 milhões. Essa expressão contábil refere-se às projeções de fluxo de caixa para os próximos 25 anos.

Conselho de Ética decide nesta terça se abre processo contra Vargas

O relator do processo do deputado André Vargas (sem-partido-PR) no Conselho de Ética da Câmara, deputado Júlio Delgado (PSB-MG), disse na segunda-feira que as novas denúncias de que o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, teria indicado um diretor do laboratório Labogen, que pertence ao doleiro Alberto Youssef, aumentam a importância de se investigar a relação de Vargas com o esquema. Delgado, porém, não incluirá as denúncias em seu parecer, que cita só as primeiras acusações de envolvimento de Vargas com o doleiro, para evitar novo pedido de vista.

A expectativa é que a desfiliação de Vargas do PT reduza o apoio ao parlamentar no Conselho de Ética, que se reúne às 16h de hoje para votar o parecer preliminar de Delgado, a favor da abertura do processo contra o ex-petista, por sua ligação com Youssef. O doleiro foi preso na Operação Lava-Jato da Polícia Federal por lavagem de dinheiro.

Padilha diz que advogados interpelarão judicialmente André Vargas nesta terça-feira

O ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT), pré-candidato ao governo paulista, disse que seus advogados interpelarão judicialmente nesta terça-feira, em Brasília, o deputado André Vargas, (sem partido-PR), para dar explicações sobre as declarações que constam em relatório da Polícia Federal (PF) na Operação Lava-Jato. Em uma conversa gravada com autorização judicial entre Vargas e o doleiro Alberto Youssef, em novembro passado, o deputado menciona que o ex-ministro teria indicado para a diretoria do laboratório Labogen, empresa de fachada que tem o doleiro entre seus sócios, o executivo Marcus Cezar Ferreira de Moura, ex-assessor do Ministério da Saúde.

– A única citação que é feita a mim (no relatório da PF) é por conversa de terceiros, alheios ao Ministério da Saúde. Fiz questão, inclusive, de interpelar formalmente a própria Polícia Federal para ter acesso ao relatório completo. E também meu advogado já foi para o Paraná hoje e amanhã chega a Brasília fazendo uma interpelação direta ao deputado André Vargas, porque naqueles trechos divulgados pela imprensa ele faz uma citação que não é verdadeira. Mente quem disse que indiquei o Marcus Cezar – disse, em entrevista nesta segunda-feira ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

Santander lança oferta para comprar units do Santander Brasil

O espanhol Santander, maior banco da zona do euro, disse nesta terça-feira que lançou uma oferta para comprar 25 por cento das units do Santander Brasil que ainda não detém.

A aquisição, que pode chegar a 4,7 bilhões de euros (6,51 bilhões de dólares), será paga com novas ações do Santander e acionistas existentes receberão um prêmio de 20 por cento sobre o preço de fechamento dos papéis do Santander Brasil.

Justiça condena Paulo Henrique Amorim por injúria

O jornalista Paulo Henrique Amorim foi condenado a pagar dez salários mínimos em favor de instituição pública ou privada de destinação social, por crime de injúria. A ação foi movida pelo jornalista, acadêmico e colunista do GLOBO Merval Pereira, e a sentença determinada pelo juiz Ulisses Augusto Pascolati Junior, do Foro Central Criminal da Barra Funda, do Juizado Especial Criminal de São Paulo. Amorim foi condenado por publicar uma legenda ofensiva de uma foto de Merval no blog Conversa Afiada, onde o acadêmico é chamado de “jornalista bandido”.

Em sua sentença, Pascolati Junior deixa claro que “deve ser assegurado ao querelado (o réu) e a todos os repórteres do Brasil que desempenhem sua função com seriedade, lisura e responsabilidade o pleno exercício da liberdade de expressão e, por consequência lógica, de informação”.

 

O ESTADO DE S.PAULO

Sócio de laboratório diz que ex-assessor de Padilha era ponte com pasta da Saúde

Leonardo Meirelles afirma que Marcus Moura foi contratado pelo Labogen, negócio apontado como carro-chefe do esquema de lavagem de dinheiro do doleiro Youssef, justamente para lidar com o governo; relatório da PF sugere que foi o ex-ministro quem o indicou

Sócio do Labogen, Leonardo Meirelles afirmou nesta segunda-feira, 29, que o ex-assessor do Ministério da Saúde Marcus César Ferreira de Moura foi contratado pelo laboratório justamente para atuar como lobista em órgãos do governo federal, em especial na pasta em que trabalhou. “O Marcus Moura mantinha os contatos institucionais com o Ministério da Saúde”, disse Meirelles ao Estado.

O Labogen é apontado pela Polícia Federal como o carro-chefe do esquema de lavagem de dinheiro comandado pelo doleiro Alberto Youssef.

O laboratório, controlado pelo doleiro, tentou fechar contrato com o Ministério da Saúde durante a gestão do ex-ministro Alexandre Padilha para o fornecimento de remédios de hipertensão pulmonar no valor de R$ 6,2 milhões por ano – pelo prazo de cinco anos.

A parceria foi desfeita após a Polícia Federal deflagrar a Operação Lava Jato, que desmontou em 17 de março deste ano o esquema de Youssef e apontou suspeitas sobre os negócios do Labogen, entre outras transações do doleiro.

Escutas da Polícia Federal flagraram o deputado licenciado André Vargas, que pediu desfiliação do PT em meio ao escândalo da Lava Jato, dizendo a Youssef, por meio de mensagem de texto, que Padilha havia indicado o nome de Moura para um cargo de comando no laboratório. A mensagem interceptada foi enviada ao doleiro em novembro de 2013.

Moura havia trabalhado com Padilha no Ministério da Saúde entre maio e agosto de 2011, como assessor de eventos da pasta do governo federal. Também trabalhou na campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010. Padilha, que é pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, nega que tenha feito a indicação. O Ministério da Saúde afirma que nenhum pagamento foi liberado para o Labogen.

Aliados tentam estender foco da CPI da Petrobrás à gestão FHC

Objetivo dos governistas é trazer ao debate fatos como o afundamento da plataforma P-36 e projeto para renomear a estatal

Diante da determinação do Supremo Tribunal Federal para que o Congresso abra a CPI da Petrobrás, governo e oposição já começaram a preparar seus ataques. Do lado da base aliada, o objetivo é conseguir trazer problemas da gestão Fernando Henrique Cardoso para o debate, enquanto os oposicionistas querem centrar fogo nas disputas internas entre os grupos da presidente Dilma Rousseff e do seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva.

Os movimentos são estudados em paralelo à pressão da oposição por uma CPI mista, incluindo também deputados.

O discurso governista de que a oposição tem como interesse real a privatização da Petrobrás será permeado a ataques pontuais à gestão tucana. Além de martelar a tentativa de troca do nome para Petrobrax - projeto de 2000 que acabou enterrado após gerar polêmica -, os aliados do Planalto querem incluir na pauta da investigação o afundamento da maior plataforma petrolífera do mundo, a P-36, ocorrida em março de 2001.

Reeleição incerta traz à tona o que ficava só no bastidor

O primeiro partido a oferecer apoio oficial à então candidata Dilma Rousseff em 2010 é agora o primeiro aliado a pedir o retorno de Luiz Inácio Lula da Silva ao Planalto.

O que embasa este movimento diz mais sobre uma incerta perspectiva de reeleição da atual mandatária do que sobre a instável relação que ela manteve até agora com esse e outros aliados. O PR foi o primeiro alvo da "faxina ética" de Dilma em 2011, mas nem seu retorno ao bilionário Ministério dos Transportes, dois anos depois, permitiu que a relação com o Planalto fosse ajustada. Isso, porém, é passado. O que importa agora é que Dilma caiu nas pesquisas eleitorais, o efeito eleitoral da Copa do Mundo é duvidoso e o cenário econômico não é promissor.

Ruralista que seria vice de Padilha critica presidente

O empresário Maurílio Biagi Filho criticou ontem o governo federal e a presidente Dilma Rousseff na abertura da 21.ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow), em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

Presidente da Agrishow, Biagi Filho até recentemente era cotado para ocupar a vice na futura chapa encabeçada pelo ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, pré-candidato do PT ao governo do Estado. (...)

"A presidente comete um equívoco ao não comparecer a um evento como esse. Talvez ela não tenha vindo porque aqui é uma região produtora de cana e o pessoal está um pouco bravo com ela", disse. Sem citar nomes, Biagi Filho afirmou que "o País está no caminho errado". "Precisamos de alguém que o coloque no caminho certo."

 

FOLHA DE S.PAULO

Lula não entende a independência da Justiça, diz Barbosa

Bancos derrubam tributos sobre lucros

No Io trimestre, IRPJ e CSLL caíram Receita vai investigar, e Febraban não contenta; arrecadação total cresceu 2,1% no período, abaixo das expectativas

Os bancos e outras instituições financeiras foram os maiores responsáveis pela queda da receita dos tributos incidentes sobre os lucros das empresas neste ano, mostram dados da Receita Federal.

As perdas com o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) contribuíram decisivamente para que a arrecadação fechasse o primeiro trimestre com alta abaixo do desejado. Sem citar setores, a Receita informou que a queda se concentrou em 15 a 20 "grandes contribuintes". Segundo o órgão, haverá uma investigação de rotina — não um procedimento formal— sobre as práticas adotadas pelo grupo, que se valeu de abatimentos previstos 6,5% sobre 2013, em valores corrigidos; na legislação para recolher menos tributos.

Divulgados ontem, os números da arrecadação do primeiro trimestre mostram que o setor financeiro explica a maior parte da piora da receita com os dois tributos.

No período, os pagamentos de IRPJ e CSLL somaram R$ 58,1 bilhões, numa queda de 6,5% em relação aos R$ 62,2 bilhões do ano passado, em valores corrigidos. De longe, a maior redução, de R$ 4,1 bilhões, aconteceu entre as "entidades financeiras", de acordo com o documento da Receita. Em segundo lugar vem o setor de extração de minerais metálicos, com R$ 1 bilhão.

Oposição tentará ressaltar ausência de Dilma em debates

A oposição adotou uma estratégia para tentar constranger Dilma Rousseff toda vez que ela se recursar a ir a um debate televisivo entre os candidatos presidenciais: pressionar para que emissora deixe, e mostre, a cadeira vazia reservada para a petista.

Segundo a Folha apurou, nos convites que recebe, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) vincula essa exigência à confirmação de sua participação no evento. Os candidatos já foram convidados para 11 confrontos públicos, entre os quais um a ser realizado pela Folha, associada ao SBT e ao UOL. Ao discutir as regras do debate com a Folha, contudo, Aécio não fez essa exigência —de que a cadeira de Dilma fosse mostrada vazia.

Candidato à vaga de Dilma no Planalto, Aécio está em segundo lugar nas pesquisas e afirmou a pessoas com quem conversou recentemente que negociará com o ex-governador Eduardo Campos (PSB-PE), que também deve disputar a Presidência, uma ação conjunta com esse propósito.

A tática parte da avaliação segundo a qual um candidato ausente a debates passa a imagem de arrogante e perde votos com isso.

Campos promete inflação de 4,5% ao ano

Em discurso a empresários, na capital paulista, o pré-candidato do PSB à sucessão presidencial, Eduardo Campos, disse ontem que é possível reduzir a inflação até o centro da meta oficial, de 43% ao ano, até 2018. Segundo ele, há espaço também para que, no mesmo período, o PIB (Produto Interno Bruto) cresça a 4% ao ano.

Na avaliação dele, para serem alcançados os dois patamares, é necessário a retomada a credibilidade do governo na área econômica e assegurado o cumprimento efetivo do tripé macroeconômico (câmbio flutuante, superávit primário e metas de inflação).

Dilma turbina programas às vésperas da campanha

A presidente Dilma Rousseff prepara um pacote de anúncios de aditivos a seus principais programas de governo, entre eles a terceira etapa do Minha Casa, Minha Vida, em junho, às vésperas do inicio oficial da campanha ao Palácio do Planalto.

Uma reunião na manhã de ontem com representantes do setor de construções serviu para definir as linhas gerais do novo pacote.

O pedido do empresariado é que, a partir do ano que vem, o programa contemple ao menos 3 milhões de novas unidades habitacionais. O governo, entretanto, ainda não revela valores nem a meta da terceira etapa.

Uma vez confirmado o pleito, será a maior ampliação no escopo do programa, criado no segundo mandato do ex-presidente Lula.

Só a segunda etapa do Minha Casa, Minha Vida, atualmente em curso, tem 23 milhões de unidades contratadas até o momento. A meta inicial era de 2 milhões.

No total, desde o início do programa, Dilma e Lula entregaram 1,6 milhão de casas.

Apesar de o anúncio da ampliação acontecer a quatro meses das eleições, o governo só poderá começar a executar o programa a partir de 2015, num eventual segundo mandato de Dilma.

Haitianos são 'despejados' em SP, afirma secretário de Haddad

Um secretário municipal da gestão Fernando Haddad (PT) disse ontem que imigrantes haitianos recém-chegados do Acre estão sendo "despejados" em São Paulo. É a primeira vez que a administração municipal critica publicamente a ação do Estado do Acre, governado pelo também petista Tião Viana, de enviar haitianos para a capital paulista.

A crítica da gestão Haddad é semelhante à feita semana passada pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB): o Acre não avisou com antecedência que imigrantes estavam sendo postos em ônibus rumo a São Paulo.

'Desertores' do Mais Médicos preferem ser técnicos nos EUA

Em Miami, os cubanos Ramona Rodriguez e Ortélio Guerra não se arrependem da escolha que fizeram: sair do Brasil, onde trabalhavam como médicos no programa do governo federal, para atuar como assistentes ou técnicos em clínicas americanas.

Os dois enfrentam agora o mesmo desafio de todos os médicos cubanos que chegam ao território americano. Diante de um complexo e caro processo de revalidação de diploma, a opção é trabalhar em postos que equivalem ao de auxiliar de enfermagem.

Para Ramona, no entanto, mais vale a segurança de não ser mandada de volta para Cuba. "A minha primeira opção era os EUA. No Brasil, tinha medo de ser deportada, não tinha segurança", disse. "Aqui não se pode trabalhar como médica logo, como no Brasil, porque é preciso revalidar o diploma. Mesmo assim foi uma opção melhor."

 

CORREIO BRAZILIENSE

A guerra de R$ 8 bi que terceirizou a Esplanada

Empresas travam batalha ferrenha para vencer licitações e fornecer mão de obra a ministérios, secretarias e órgãos reguladores.Algumas acusam concorrentes de deslealdade. Mercado bilionário é marcado por fiscalização precária, irregularidades trabalhistas e até calote no governo e nos empregados.

Escândalos: executivo de doleiro era grato a Padilha

Antes do cargo no Labogen, Marcus Cezar Ferreira de Moura teria sido indicado pelo petista à Geap e, segundo ex-dirigentes do plano de saúde, se vangloriava da proximidade com o então ministro.

A oposição no Congresso decidiu como estratégia apurar a relação entre o pré-candidato ao governo de São Paulo Alexandre Padilha (PT) e o doleiro Alberto Youssef no âmbito da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara. A ideia é aprovar um requerimento de convocação, o que obriga o comparecimento do petista. A PF suspeita que Padilha indicou o ex-assessor do Ministério da Saúde Marcus Cezar Ferreira de Moura para trabalhar na Labogen, laboratório de fachada do doleiro. Agora, dois ex-dirigentes da Geap, fundação privada que administra planos de saúde e de previdência, ouvidos reservadamente pelo Correio, atestam que Moura se vangloriava, nos corredores da entidade, de também ter sido indicado pelo ex-ministro da Saúde — ele atuou na instituição logo após deixar a pasta e antes de ser contratado pela Labogen.

A principal trilha é descobrir como Moura virou o principal executivo do laboratório do doleiro. Os oposicionistas acreditam que, se ficasse provado que a ida dele para a Geap também teve o dedo de Padilha, o ex-ministro teria mais dificuldade de negar a relação com o doleiro Alberto Youssef. "O assunto Padilha tem conexão direta com Youssef. Faz parte de uma mesma trama. Claro que essa declaração dos ex-diretores merece investigação", defende o senador Agripino Maia (DEM-RN), líder da legenda no Senado. Os oposicionistas avaliam que levar Padilha a uma CPI da Petrobras poderia abrir margem para o governo alegar novamente que há desvio de foco. "Perderíamos o nosso argumento de uma CPI exclusiva. O caso Padilha deve ser tratado com o devido rigor na Câmara, no âmbito das comissões", completou Agripino.

Ofensiva contra Vargas

O pré-candidato petista ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, voltou a negar que tenha indicado o ex-assessor do Ministério da Saúde Marcus Cezar Ferreira de Moura à Labogen, empresa ligada ao doleiro Alberto Youssef. Ele disse que acionará judicialmente hoje o deputado André Vargas (ex-PT-PR): "Meu advogado foi para o Paraná hoje (ontem) e amanhã (hoje) chega a Brasília para fazer uma interpelação direta ao deputado André Vargas", afirmou. "Vou interpelar não só o deputado, mas qualquer pessoa que tenha usado meu nome em vão. Por isso que eu pedi o relatório (da Operação Lava-Jato) para a Polícia Federal", completou Padilha no programa Roda Viva, da TV Cultura, exibido na noite de ontem.

Em família: distrital dá jeitinho de empregar

Para não ser acusado de nepotismo, Washington Mesquita (PTB) arranjou vagas comissionadas para parentes longe da Câmara. Cinco deles trabalham no GDF; no TCDF e até no Senado.

Ministros do Supremo rebatem Lula

Joaquim Barbosa repudiou declaração do ex-presidente da República de que 80% das decisões no julgamento do mensalão foram políticas. “A desqualificação do STF (...) é um fato grave”, disse. “Os cidadãos brasileiros clamam por justiça.” Outros ministros da Corte também criticaram Lula.

PT quer a relatoria da CPI

O Planalto vai trabalhar para emplacar o nome do senador Humberto Costa (PT-PE) como relator em vez de presidente da CPI da Petrobras. Precisa, contudo, combinar com os demais partidos da base aliada, já que o PMDB, pelo tamanho da bancada, poderá pleitear a vaga, ou contentar-se com a presidência da comissão parlamentar de inquérito. "Nós temos direito à relatoria ou à presidência. Vamos aguardar como será a composição da CPI para definirmos nossa participação", disse o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE).

O governo enxerga na relatoria de Humberto Costa uma zona de conforto maior em uma CPI que pode ser tumultuada às vésperas da disputa eleitoral. Conforme antecipou o Correio na edição de ontem, é intenção do Planalto atrair os tucanos para a vala comum das irregularidades, resgatando casos antigos da Petrobras, como o afundamento da Plataforma P-36 e as negociações consideradas nebulosas com a espanhola Repsol, ambas em 2001, quando Fernando Henrique Cardoso (PSDB) estava na Presidência.

Vale (quase) tudo para combater o preconceito

A atitude de Daniel Alves ante o ato de racismo no futebol desencadeou reação nas redes sociais que, de tão intensa e organizada, ganhou ares de campanha publicitária, acelerada por estratégia de marketing de Neymar. Ativistas da igualdade racial apoiam a iniciativa do jogador em campo, mas fazem ressalvas à associação de negros com macacos. Longe da internet, o racismo no esporte é marcado pela impunidade.

 

VALOR ECONÔMICO

ONS sugere corte de 4% a 6% na carga de energia

Diante do esvaziamento dos reservatórios, técnicos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) têm defendido nos bastidores um corte imediato de 3 mil a 4 mil megawatts (MW) médios no abastecimento de energia do país. O montante equivale a cerca de 4% a 6% da carga diária de eletricidade do sistema interligado nacional. Para o ONS, que já levou recomendação nesse sentido à presidente Dilma Rousseff, isso seria capaz de elevar em oito a dez pontos percentuais o nível dos reservatórios ao término do período seco (fim de novembro).

Há duas formas, na visão dos técnicos, de fazer esse corte sem que haja racionamento. Uma é conversar com indústrias eletrointensivas e negociar a redução voluntária do consumo. Outra é iniciar uma campanha publicitária, voltada a consumidores residenciais, de economia de energia. A primeira opção teria impacto negativo na produção industrial; a segunda pode causar desgaste político. O benefício de uma ou outra é atenuar as chances de um racionamento mais severo em 2015, caso a próxima temporada de chuvas não seja abundante, repetindo a hidrologia desfavorável de 2014.

Seria exagero dizer que o governo está rachado sobre o assunto. Mas não é errado, segundo o Valor apurou, afirmar que o ONS tem adotado postura mais forte e sugerido restrições imediatas ao consumo. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), embora se atendo ao papel de regulador e evitando interferências em questões operacionais, compartilha dessa visão. O Ministério de Minas e Energia e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) seriam mais resistentes à ideia. Todos foram procurados pela reportagem e não quiseram se pronunciar.

Fé no consumo

A gigante global de consumo Procter & Gamble vai investir R$ 1 bilhão no Brasil em dois anos e ampliar a produção, informa o CEO, Alberto Carvalho, a Cynthia Malta e Marina Falcão

Bloqueio já atinge contas de terceiros

A Justiça do Trabalho passou a usar uma nova estratégia para encontrar dinheiro de devedores que usam laranjas para esconder patrimônio. Trata-se do Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro Nacional (CCS), que permite a localização de titulares de contas bancárias

Apesar de recusa, Pfizer insiste com AstraZeneca

A Pfizer confirmou ontem que abordou pela segunda vez a AstraZeneca, agora com uma proposta de aquisição avaliada em quase US$ 100 bilhões, mas a farmacêutica britânica não quis entrar em negociações. A gigante americana acrescentou que está estudando suas opções

Os 7 pecados financeiros dos casais

Nos Estados Unidos, segundo pesquisa da Universidade de Kansas, o dinheiro é a principal causa de divórcios. No Brasil, não há estatísticas sobre as causas das cerca das 340 mil separações anuais, mas evidências indicam que boa parte das brigas de casais tem origem em desentendimentos financeiros

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