Jornais: Cachoeira deu dinheiro a Perillo e pagou propina a Leréia, diz PF

Relatório da PF mostra que Cachoeira pagou propina embrulhada em jornal para deputado tucano e entregaram "grande quantia de dinheiro" a governador de Goiás, informa o Estado de S. Paulo

O ESTADO DE S. PAULO

Cachoeira deu dinheiro a Perillo, diz PF
O inquérito da Polícia Federal na Operação Monte Carlo indica que intermediários do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, entregaram “grande quantia de de dinheiro” para o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), no Palácio das Esmeraldas, sede do Poder Executivo local. Gravações telefônicas realizadas pela PF no dia 10 de junho do ano passado flagraram o contador de Cachoeira, Geovani Pereira da Silva, informando ao chefe que estava enviando, via dois assessores, uma caixa de computador “com aquele negócio” para ser entregue no Palácio. Tratava-se de dinheiro, segundo trecho de relatório da PF intitulado “Entrega de dinheiro no Palácio do Governo de Goiás”. O agente responsável pela análise observa que era preciso cruzar as informações com dados da movimentação financeira da quadrilha. “Provável grande quantidade de $”, escreve o policial no relatório, ao qual o Estado teve acesso.

De acordo com as investigações, os dois auxiliares de Cachoeira que combinaram a entrega do dinheiro são Gleyb Ferreira da Cruz, apontado como braço direito para assuntos financeiros da quadrilha, e o ex-vereador do PSDB de Goiânia Wladimir Garcez Henrique – ambos presos em fevereiro. As gravações telefônicas da PF mostram que Gleyb buscou o dinheiro com Geovani e se encontrou com Wladimir, que já estava esperando no Palácio das Esmeraldas. Todos os passos dos auxiliares eram monitorados por Cachoeira. As gravações dos registros da PF foram veiculadas na internet pelo blog Quidnovi, do jornalista Mino Pedrosa, no início da noite de ontem. Segundo ele, o montante enviado por Cachoeira a Perillo somava R$ 500 mil.

As conversas indicam que houve um atraso no encontro. Marcado para as 13h, a reunião entre os auxiliares de Cachoeira e o governador teve que ser adiada para depois das 16h. Wladimir explicou para Gleyb, por telefone, que uma pessoa identificada como “tenente”, provável integrante da equipe de segurança de Perillo, o informou que o governador ainda não confirmara o horário do encontro. “Estou o esperando o tenente me ligar. Eu até já liguei lá e ele falou: ‘Wladimir, o governador inclusive falou pra você daqui a pouco vim pra cá (sic), mas não falou que horas, não’. Como eu estou enrolado, eu falei: ‘Não, tenente, vê aí pra mim que você marca e eu chego em menos de 20 minutos’”, diz o ex-vereador para Gleyb, que já estava levando a caixa de computador entregue por Geovani.

Relatório da PF mostra que Cachoeira pagou propina embrulhada em jornal para deputado
O contraventor Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, mandou entregar propina "embrulhada em jornal" para o deputado federal Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO). A informação consta de relatório da PF, sob guarda do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento esmiuça as relações próximas de Cachoeira com o parlamentar. Os dados são apontados no capítulo intitulado "transações financeiras" envolvendo o contraventor e o deputado tucano.

A PF assinala que Cachoeira manda Geovani (Pereira da Silva), seu contador, "passar dinheiro para o deputado Lereia, não sendo possível identificar a que título". Interceptações telefônicas da PF flagraram diálogos entre Cachoeira e Leréia. Também caiu no grampo o contador Geovani,, que está foragido. O contraventor o chama de Geo e pede a ele que providencie pagamentos em dinheiro vivo para Leréia.

Numa dessas conversas, a 1.ª de agosto de 2011, às 14h34, Cachoeira recomenda a Geovani a entrega de R$ 20 mil em dinheiro para Leréia "embrulhados em jornal". Uma assessora do contraventor participa da conversa e informa que o dinheiro foi colocado em um "envelope quadrado". A PF cita ainda o deputado Stepan Nercessian (PPS-RJ) como outro suposto beneficiário de propinas de Cachoeira. Em uma escuta, de 17 de junho de 2011, às 14h53 - a ligação durou um minuto e 41 segundos - Stepan pergunta a Leréia se "entregou a carta que ele mandou".

Braço direito de Cachoeira, Dadá troca de advogado
O advogado Genuino Lopes Moreira não fará mais a defesa de Idalberto Matias de Araujo, o Dadá, tido como braço direito do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Seu novo advogado é Leonardo Gagno do escritório de Edson Maraui, que por sua vez advoga para José Olímpio de Queiroga Neto, apontado pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, como sendo o chefe de uma das facções subordinada a Cachoeira.

Genuino Moreira disse que abandonou a causa na última sexta-feira porque não concorda com a ideia de compartilhar a defesa de seu cliente com advogados contratados por outros envolvidos no esquema. "Ficou difícil. Você quer participar ajudando, mas também não quer compartilhar determinados procedimentos", justificou. "É natural que um advogado queira interferir na estratégia de outro, mas fazer parceria é muito difícil".

Delta pode interromper participação na Transcarioca
Envolvida em 195 obras no Brasil, onde trabalham cerca de 30 mil profissionais, a empreiteira Delta Construções informou nesta quarta, por meio de comunicado oficial, que "continuará a cumprir seus contratos, obrigações e compromissos assumidos com seus fornecedores e clientes, com a habitual regularidade". Mas o quadro real é outro.

Além de ter se afastado das reformas do estádio do Maracanã, a Delta avalia a possibilidade de interromper a participação na construção da Transcarioca, via entre o Aeroporto Internacional e a Zona Oeste do Rio de Janeiro, e da rodovia Arco Rodoviário, obra de grande porte em municípios na Região Metropolitana. Pouco expressiva, a participação da Delta na construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) está mantida por enquanto, até porque os cerca de 15 mil operários da obra entraram em greve há duas semanas.

Deputados querem poder para mudar decisões do STF
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou nesta quarta-feira, 25, proposta de emenda constitucional que permite ao Congresso sustar decisões do Judiciário. Nesta quinta-feira, 26, o Legislativo só pode mudar atos do Executivo. A proposição seguirá para uma comissão especial.

A polêmica proposta foi aprovada por unanimidade após uma articulação de deputados evangélicos e católicos. Para eles, a medida é uma resposta à decisão do Supremo Tribunal Federal, que legalizou o aborto de fetos anencéfalos. Se a regra já estivesse em vigor, os parlamentares poderiam tentar reverter a permissão de interromper a gravidez nesses casos.

O texto considera de competência do Congresso sustar "atos normativos dos outros poderes que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa". Além de resoluções de tribunais e atos de conselhos, há deputados que acham ser possível sustar decisões do Supremo com repercussão geral e até súmulas vinculantes.

'Ponha a mão na consciência'
A pós terem se reunido, no fim do ano passado, para discutir o problema da corrupção no País, um grupo de mulheres paulistanas voltou a se encontrar ontem para outro ato de protesto: pedir que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgue neste semestre o processo do mensalão. Lideradas pela psicanalista lacaniana Maria Cecília Parasmo, nove representantes da sociedade civil passaram a tarde de ontem em um prédio nos Jardins, bairro nobre da capital, debatendo o assunto.

“Nós temos que sair, gritar, berrar: ‘Ministro (Ricardo) Lewandowski, ponha a mão na consciência e devolva o processo para que seja colocado em julgamento’”, bradou Sileni Rolla, do Movimento Mulheres da Verdade. Ricardo Lewandowski, do STF, é o revisor do processo e deve liberar seu voto para que o caso possa ser julgado. Para dar consistência à manifestação, o grupo – batizado de “Ação pela Cidadania” – tentou, sem sucesso, falar com dois ministros do STF pelo telefone: o novo presidente da Corte, Carlos Ayres Britto, e Joaquim Barbosa.

Enquanto o grupo deixava recados a assessores e secretárias dos gabinetes, os ministros estavam no plenário para julgar a questão das cotas raciais nas universidades. As mulheres, no entanto, não se abalaram e prometeram uma ida à Brasília para tentar uma audiência com os membros da Corte. “Já temos umas 15 pessoas dispostas a ir”, disse a advogada Raquel Alessandri. “Já imaginou? Vai ser o povo tomando Brasília.”

Câmara aprova texto básico do Código Florestal
Foi aprovado nesta quarta-feira, 25, pela Câmara dos Deputados, o texto básico do parecer apresentado pelo relator, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), sobre o novo Código Florestal. O documento representa a reforma de lei que regula o uso da terra e propõe ampliar as áreas de cultivo em regiões até agora protegidas, como a Amazônia. Após a votação nominal, com o fim da análise dos destaques, a matéria será enviada à sanção presidencial.

Nessa primeira votação, os deputados apontavam se eram a favor do texto do Senado com parecer contrário de Piau. A maioria rejeitou o dispositivo que foi aprovado no Senado: 274 votos favoráveis ao relatório de Piau e 184 contra o relator, ou seja, concordando com o texto do Senado. "Foram duas vitórias importantes, a do texto do Senado – que melhorou muito o texto da Câmara – e a do meu texto, que melhora o do Senado", disse Piau, segundo a agência Câmara.

Em Brasília, Lula assiste ao documentário de Stuckert ao lado de Dilma
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff afirmaram na noite desta quarta-feira, 25, que não têm nenhum desentendimento quanto aos rumos da CPI do Cachoeira. Segundo informações de bastidores, Lula e Dilma teriam divergido quanto à escolha do relator da CPI. O ex-presidente queria o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) e a presidente Odair Cunha (PT-MG). Prevaleceu a vontade de Dilma.

Indagado se no longo encontro da tarde desta quarta, no Palácio da Alvorada, eles haviam acertado os ponteiros, Lula respondeu: “Nosso relógio é suíço. Jamais ele vai ter de atrasar ou adiantar. Nós nunca temos de acertos os ponteiros”. Já a presidente Dilma afirmou que o encontro e a conversa foram ótimos. “Foi ótimo, a comida estava ótima”, disse a presidente.

Dilma e Lula assistiram juntos à estreia do documentário “Pela Primeira Vez”, no Museu Nacional. Dirigido por Ricardo Stuckert, o filme de 32 minutos, em 3D, mostra o último dia de Lula no Planalto e a passagem da faixa presidencial para Dilma, em janeiro de 2011. Stuckert foi fotógrafo oficial da Presidência nos dois mandatos de Lula.

Serra espera que CPI do Cachoeira atue sem blefes
O pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, disse na noite desta quarta-feira esperar que a CPI do Cachoeira atue sem "blefes" e "chantagens". Após visita a uma faculdade privada de Brasília, ele evitou comentar a situação de tucanos citados nas denúncias da máfia do caça-níquel e disse não se sentir constrangido com as acusações contra representantes de seu partido. Serra disse que a CPI é um fato. "A CPI tem vida própria a partir de agora."

Ao ser questionado sobre as denúncias contra o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), Serra disse que não há ligações do colega de partido com o esquema de irregularidades. "Não vi nada que o comprometesse", afirmou. "Só vi até agora zunzunzum", completou. Ele disse que a citação de assessores de Perillo no relatório da operação Monte Carlo, da Polícia Federal, não configura um envolvimento "direto" do governador. Serra esteve na faculdade para participar de uma homenagem ao ex-ministro da Defesa e da Justiça Nelson Jobim.

FOLHA DE S.PAULO

Câmara derrota Dilma e aprova fragilização de regras ambientais
O plenário da Câmara dos Deputados impôs ontem uma nova derrota ao governo ao aprovar, por 274 votos a 184, o texto do deputado Paulo Piau (PMDB-MG) que reforma o Código Florestal Brasileiro. O projeto atende à bancada ruralista, mas a discussão ainda não se encerrou. Já esperando a derrota, o governo havia mobilizado senadores aliados para que apresentem novo projeto para disciplinar o tema.

Isso será necessário porque a expectativa é que a presidente Dilma Rousseff vete boa parte do texto da Câmara, em particular os dispositivos que cedem demais ao agronegócio e reduzem a proteção às águas brasileiras. Em seu lugar, o governo pode editar medida provisória que retoma o espírito do texto aprovado anteriormente no Senado, defendido pelos grupos ambientalistas.

Grupo enviou dinheiro a governo de GO, diz PF
Gravações feitas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo levantam a suspeita de que o empresário Carlos Cachoeira enviou dinheiro, escondido numa caixa, para um integrante de seu grupo que estava na sede do governo de Goiás, comandado pelo tucano Marconi Perillo. Segundo o site do jornalista Mino Pedrosa e a edição de ontem do "Jornal da Globo", o valor enviado ao Palácio das Esmeraldas foi de R$ 500 mil.

As gravações foram feitas em junho do ano passado. Nelas, aparecem Cachoeira, Gleyb Ferreira da Cruz, um dos principais auxiliares do empresário, e Wladimir Garcez, ex-vereador de Goiânia e apontado como elo do grupo com políticos.

Na primeira reunião, PT centraliza as ações de CPI
Na primeira reunião da CPI do Cachoeira, o PT demonstrou ontem que trabalhará para controlar os rumos da investigação, sem dividir com os partidos aliados a condução da comissão. A ordem no partido é centralizar o comando da CPI nas mãos do relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), sem permitir a aprovação de requerimentos ou pedidos que não passem pelo seu crivo.

Um primeiro exemplo da atuação articulada da bancada petista ocorreu ontem.O senador Fernando Collor (PTB-AL) sugeriu a convocação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, mas o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), impediu que o pedido fosse votado, orientando parlamentares da base que compõem a CPI. Segundo os petistas, se o relator aceitasse a sugestão de Collor, teria que fazer o mesmo com as propostas dos membros da oposição.

Demóstenes afirma que PF adulterou as gravações
Em defesa enviada ontem ao Conselho de Ética do Senado, o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) pede o arquivamento do processo a que responde no órgão. Ele argumenta que a Polícia Federal adulterou áudios de escutas telefônicas das operações que flagraram sua ligação com o empresário Carlinhos Cachoeira.

A defesa do senador contratou perito para analisar os áudios da PF e questiona uma conversa entre Demóstenes e Cachoeira, de junho de 2009, quando o senador teria pedido R$ 3.000 ao empresário para pagar um táxi aéreo. Relatório da PF diz que ela durou um tempo maior do que o do aúdio citado.

Ex-diretor de empreiteira é preso, e presidente se afasta
O ex-diretor da construtora Delta Cláudio Abreu foi preso ontem sob a suspeita de participar de um esquema de pagamento de propina para direcionar uma licitação para a empreiteira no governo Agnelo Queiroz (PT-DF). Segundo as investigações, a Delta tinha interesse na prestação de serviços de bilhetagem do transporte público no Distrito Federal.

O plano era comprar equipamentos de uma empresa coreana, ou fazer parceria com ela, já que a Delta não tinha tecnologia nessa área. Outro diretor da empresa que teve a prisão decretada, Heraldo Puccini, não havia sido localizado pela polícia até a conclusão desta edição.

Novo dirigente da Delta entrega documentos à CPI
O novo presidente da construtora Delta, Carlos Augusto Verdini, encaminhou ontem à CPI do Cachoeira documentos da empresa que, segundo ele, vão ajudar nas investigações da comissão. Verdini, que compareceu pessoalmente ao Congresso, disse que seu objetivo é colaborar com a CPI para preservar os 35 mil funcionários e colaboradores da empresa.

"O interesse da empresa é que seja apurado a fundo. Vamos colaborar integralmente, a empresa coloca-se à disposição." Acompanhado do advogado, Verdini chegou ao Senado com uma caixa com a logomarca da empresa em mãos. Ele entregou aos técnicos da CPI a documentação. "Minha finalidade é colaborar, a empresa precisa seguir em frente", disse.

Comissão da Casa aprova poder de veto a ato da Justiça
A principal comissão da Câmara aprovou ontem uma proposta que amplia os poderes do Congresso para suspender atos do Judiciário. Segundo o deputado Nazaren (PT-PI), autor da proposta de emenda constitucional, hoje o Legislativo pode sustar apenas atos do Executivo.

Petrobras confirma exclusão de construtoraA presidente da Petrobras, Graça Foster, afirmou ontem que deve afastar a construtora Delta das obras que a empresa conduz para a estatal, no Rio de Janeiro. "A tendência é que ela saia", afirmou a executiva. Segundo a Folha antecipou ontem, a empresa vai abandonar as obras no Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) e na Reduc (Refinaria Duque de Caxias), todas atrasadas.

Foster afirmou também que "o que incomoda é o baixo desempenho" da Delta na condução das obras. Ela disse que a Petrobras avalia a situação de outras poucas empresas que também estão com cronogramas atrasados.

Senado aprova remédios em supermercado
O Senado aprovou ontem uma medida provisória que libera a venda de medicamentos em supermercados, armazéns e empórios -desde que não estejam sujeitos a prescrição médica. O texto prevê que os estabelecimentos comerciais devem observar "relação a ser elaborada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)" posteriormente para a venda dos medicamentos, mas não traz nenhuma regulamentação.

O projeto que transforma a medida provisória em lei será encaminhada à sanção da presidente Dilma Roussef. Mas até senadores aliados do governo criticaram a MP. Ex-ministro da Saúde, o senador Humberto Costa (PT-PE) pediu que a presidente não sancione o artigo e disse ainda que a tendência de Dilma é de vetar o projeto.

Lucro da Vale recua 40% no 1º trimestre
Chuvas em excesso que paralisaram minas, fraca demanda por causa da crise europeia e principalmente preço mais baixo do minério de ferro puniram a Vale nos três primeiros meses do ano: o lucro caiu 40,5% na comparação o mesmo período de 2011, para R$ 6,720 bilhões.

Em relação ao quarto trimestre, o recuo foi de 19,6%. Analistas, porém, enxergam desempenho melhor neste trimestre, com recuperação dos preços, consumo ainda em patamar elevado na China (principal cliente) e retomada da produção e dos embarques de minério de ferro.

Segundo a Vale, o resultado foi "profundamente influenciado pela diminuição do preço do minério de ferro" e do efeito dos problemas com o clima. A mineradora sempre produz menos de janeiro a março por conta das chuvas de verão, mais intensas neste ano. Diante dos problemas, a produção de minério caiu 15,6% na comparação com o quarto trimestre.

Petrobras vê choque 'caliente' com Argentina
A presidente da Petrobras, Graça Foster, fez ontem uma defesa dos direitos da estatal brasileira na Argentina e diz que será "caliente" (quente, em espanhol) o embate caso o país vizinho desrespeite os contratos com o Brasil. "Será bastante 'caliente', bastante aquecida a discussão com a Argentina em relação àquilo que nós entendemos que não devemos perder, porque cumprimos o conteúdo exploratório, o programa exploratório exigido", disse.

Durante uma audiência pública na Câmara, Foster defendeu o Brasil como um bom destino de investimentos e soltou uma indireta em relação ao país vizinho: "É seguro investir em energia elétrica, é seguro investir em petróleo no Brasil. Não rasgaremos contratos, como acontece em outros países".

Lula diz que relação com Dilma é como 'relógio suíço'
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que sua relação com a presidente Dilma Rousseff continua harmoniosa. Questionado se havia "acertado os ponteiros" com a presidente durante almoço ontem em Brasília, ele afirmou: "Nosso relógio é suíço. Jamais ele vai ter de atrasar ou adiantar. Nunca temos de acertar os ponteiros".

A declaração foi dada no início da noite de ontem, quando ele chegou para participar da sessão de pré-estreia do documentário "Pela Primeira Vez", dirigido pelo ex-fotógrafo oficial do petista Ricardo Stuckert (leia crítica ao lado). O documentário, no qual o ex-presidente aparece, descreve a chegada de Dilma à Presidência da República.

Por Serra, PSDB desiste de ação contra dissidentes
A Executiva Municipal do PSDB vai abandonar o processo em que pede a cassação do mandato de seis vereadores que deixaram a sigla no ano passado para fortalecer o projeto político do prefeito Gilberto Kassab (PSD). A decisão, tomada ontem à noite por 12 votos a 2, atendeu solicitação de José Serra, pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo e aliado político de Kassab, mas abriu crise entre líderes tucanos.

Na última segunda, aliados de Serra tentaram aprovar a medida, mas não houve acordo. Ontem, a executiva cedeu. Mas a direção estadual promete reagir. O presidente Pedro Tobias diz que enviará carta a filiados contra o que chama de "anistia dos traidores". Em 2011, os vereadores saíram do PSDB para se filiar a siglas da base de Kassab, como PV e PSB, alegando perseguição. O PSDB pediu a cassação por infidelidade partidária.

O GLOBO

Lula vai a Dilma e acerta discurso único para a CPI
No primeiro dia de funcionamento da CPI mista do caso Cachoeira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou quatro horas reunido com a presidente Dilma Rousseff e alguns ministros, no Palácio da Alvorada, para defender sua posição favorável à investigação e unificar o discurso do PT e do governo no Congresso. Nas conversas de ontem, Lula repetiu sua tese de que a investigação será a oportunidade de atacar os opositores do governo que estão sob suspeita, ainda que isso represente eventuais perdas no próprio PT.

Paralelamente à reunião de Lula com Dilma, o presidente do PT, Rui Falcão, teve reuniões com o governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), um dos alvos da oposição na CPI Mista, e, depois, com parlamentares do partido que integram a comissão, também para unificar o discurso. Falcão negou que o PT não esteja apoiando Agnelo, mas, nos bastidores, já se fez o cálculo: se Agnelo tiver problemas com Cachoeira, não terá como ser preservado. À noite, no Congresso, os líderes petistas foram orientados pelo Palácio do Planalto a ter sobriedade e conter os arroubos na CPI, mantendo o foco já estabelecido. Delimitar, por exemplo, a investigação a contratos da Delta que já estão sob suspeitas.

Preso diretor da Delta; dono deixa presidência
Elo entre a máfia dos caça-níqueis e a Delta Construções, o ex-diretor da empreiteira no Centro-Oeste Cláudio Abreu foi preso ontem pela Polícia Civil de Brasília, num desdobramento da Operação Monte Carlo. A ação - deflagrada em Goiás, Brasília e São Paulo - também resultou na prisão de um vereador de Anápolis (GO), berço do esquema de Carlinhos Cachoeira, e de outras duas pessoas, incluindo um ex-servidor do governo do Distrito Federal. Outro diretor da Delta, em São Paulo, teve a prisão preventiva decretada, mas não havia sido encontrado pela polícia até o início da noite.

A Operação Saint-Michel, determinada pela Justiça de Brasília a pedido do Ministério Público, teve como objetivo impedir que o grupo de Carlinhos Cachoeira obtivesse vantagens em contrato milionário de prestação de serviços de bilhetagem eletrônica no transporte coletivo. Cachoeira determinou a integrantes da organização, em interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal, para que atuassem junto ao governo e permitissem à Delta vencer a licitação, cujo edital ainda não foi lançado. Além das prisões, os policiais apreenderam documentos e arquivos de computador, inclusive no Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Dftrans). Cláudio Abreu foi indiciado por corrupção e por associação ao grupo de Carlinhos Cachoeira.

Empresa toca obras de R$ 560 milhões no Rio
O anúncio de mudanças na direção da Delta Construções, por enquanto, não deverá alterar o andamento das obras pelas quais a empreiteira é responsável no município e no estado do Rio. Somente com a prefeitura, a empresa está à frente de quatro grandes projetos que somam R$ 560 milhões. O principal deles é a construção da Transcarioca - corredor expresso de ônibus -, que vai ligar a Barra da Tijuca à Ilha do Governador, passando pela Penha.

Na avaliação do município, caso a Delta desista do consórcio com a Andrade Gutierrez, o edital de licitação estabelece que esta empresa assuma integralmente o projeto. A Delta é responsável por 42% (R$ 319 milhões) do lote 1 vencido pelo consórcio, que consiste na construção de 26km de via até a Penha. A previsão é que todo corredor esteja concluído em dezembro de 2013. Com relação à construção do Parque de Madureira (R$ 66,8 milhões) e do conjunto de obras viárias na Zona Oeste, que também estão a cargo da Delta, a prefeitura informou que as obras já estão em fase de conclusão, devendo ser entregues em junho desde ano.

Novo executivo vai ao Senado defender empresa
Em uma ofensiva para tentar limpar a imagem da empresa, o novo presidente da Delta, o engenheiro Carlos Alberto Verdini, foi ao Senado ontem protocolar documentos para a defesa da empreiteira na CPI do Cachoeira. O rápido crescimento da construtora, baseado em contratos públicos, e suas relações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira viraram um dos principais focos da comissão.

De acordo com o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), a caixa entregue por Verdini continha balanços contábeis da Delta, um portfólio das obras feitas e um comunicado sobre o afastamento de Fernando Cavendish da direção da empreiteira. Em comunicado, também levado ontem ao Senado, a empresa atribuiu o envolvimento com o contraventor ao ex-diretor da construtora no Centro-Oeste Cláudio Abreu, preso ontem, em Goiânia, em operação da Polícia Civil com o Ministério Público do Distrito Federal. Ainda de acordo com o documento, esse fato era desconhecido pela direção nacional da Delta.

Para a PF, um sócio oculto do bicheiro
O engenheiro Cláudio Dias de Abreu, ex-diretor regional da Delta Construções no Centro-Oeste, é identificado pela Polícia Federal como sócio oculto do bicheiro Carlinhos Cachoeira no esquema de lavagem de dinheiro. Em vários trechos de interceptações telefônicas da Operação Monte Carlo, Abreu aparece conversando com integrantes da quadrilha do bicheiro sobre remessa de dinheiro e pagamentos que deveriam ser feitos a pessoas indicadas pelo grupo.

Nas conversas gravadas pela PF, no entanto, Abreu também tratou de suposto pagamento de propina a um servidor do governo do Distrito Federal. Abreu conversou sobre o assunto com Idalberto Matias, o Dadá - um dos principais integrantes da organização de Cachoeira.O diálogo foi em janeiro de 2011. Abreu telefonou para tratar da nomeação para o comando do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), no começo do governo Agnelo Queiroz. A Delta estava interessada em ampliar os contratos com o SLU.

Base quer presença de procurador-geral; e oposição, convocação do ministro da Justiça
A primeira reunião da CPI Mista, ontem, teve apenas a protocolar aprovação de requerimentos solicitando acesso aos documentos das investigações sobre as atividades do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e seu envolvimento com políticos e empresários. Mas os parlamentares já deram o rumo de suas primeiros ações. Os governistas querem a presença na CPI Mista do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. E entre os mais de 70 requerimentos apresentados, a oposição pediu a convocação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso.

O convite a Gurgel deverá ser feito pelo próprio presidente da CPMI, senador Vital do Rego (PMDB-PB), que adotou essa saída diplomática, um convite, depois de o senador Fernando Collor (PTB-AL) ter sugerido a convocação do procurador. Já o requerimento de convocação de Cardozo foi apresentado pelo líder do PPS, Rubens Bueno (PR).

Sem saber do pedido do PPS, Cardozo, em passagem pela Câmara, disse que vai liberar as informações à CPI Mista, como determina a Constituição. - Da minha parte, qualquer senador, em especial o presidente da CPI, se quiser me visitar, será uma honra. Disponibilizarei todas as informações que tenho para que a CPI possa fazer um bom trabalho.

Collor diz que quer impedir vazamento de informações
Um dos 16 senadores titulares da CPI Mista do Cachoeira, o senador Fernando Collor (PTB-AL) discursou ontem no plenário do Senado para expor qual será sua principal função na investigação: impedir o vazamento de documentos sigilosos. Afastado da presidência da Repúlbica há 20 anos, após sofrer impeachment ao final de um processo de corrupção, Collor disse que, na bancada governista, será um verdadeiro bedel, para garantir que informações sigilosas protegidas "por nossa lei maior" não sejam vazadas.

- Buscarei ainda, com a cooperação de meus pares, para que a agenda desta CPMI não seja pautada pelos meios e alguns de seus rabiscadores - avisou Collor. - Afinal, a imagem do Parlamento está em jogo. Temos que trabalhar pelo seu engrandecimento.

Collor disse que aceitou a indicação para compor a CPI como uma missão: - É preciso não deixar que o colegiado se torne instância fadada a servir de mero palco para a vileza política e um campo fértil de desrespeito aos mais elementares direitos constitucionais dos homens públicos ou de qualquer cidadão brasileiro. Muito menos permitir, que em plena democracia, a comissão transforme-se em um autêntico tribunal de exceção.

Contador diz que cumpria ordens
O contador de Carlinhos Cachoeira, Geovani Pereira da Silva, foragido da Justiça há quase dois meses, apresentará hoje sua defesa, onde joga sobre o patrão a responsabilidade por ações atribuídas a ele no inquérito da Operação Monte Carlo. Geovani decidiu que não vai negociar sua apresentação espontânea e buscará a revogação da prisão, determinada pela Justiça Federal de Goiás. Ele é o único foragido da operação.

A Polícia Federal afirma que Geovani era contador da organização e controlava o uso de empresas de fachada para irrigar o esquema, com o envolvimento de políticos e empresários. O contador fez 122 saques nas contas das empresas de fachada. Duas delas, a Brava Construções e a Alberto e Pantoja, receberam R$ 39 milhões da Delta.

Emenda permite que Executivo questione atos do Judiciário
A irritação e o incômodo dos deputados com decisões polêmicas tomadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos últimos anos levaram ontem à aprovação da admissibilidade, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, de uma emenda constitucional que poderá dar ao Parlamento condições de questionar e sustar atos normativos do Judiciário que invadam sua competência. De autoria do deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), a PEC estabelece que é competência do Legislativo sustar atos que extrapolem o que a lei permite.

A aprovação na CCJ é o primeiro passo. O mérito da proposta será discutido em comissão especial e, se aprovado, será submetido aos plenários da Câmara e do Senado. A admissibilidade foi aprovada por unanimidade, em debate do qual participaram 30 deputados.

O mérito promete provocar polêmica. Entre os deputados, há diferentes interpretações sobre o alcance da medida: há os que entendem que a PEC se restringe a atos normativos, ou seja, não se aplicaria a decisões tomadas pela Justiça; mas há quem entenda que é possível questionar decisões judiciais. A emenda ganhou força e foi pautada por uma ação forte de deputados da bancada evangélica que veem nela a possibilidade de questionar decisões do STF, como a possibilidade de aborto em caso de anencefalia.

Código Florestal: governo é derrotado em votação
A Câmara dos Deputados impôs ontem uma derrota ao governo Dilma e aprovou o relatório do deputado Paulo Piau (PMDB-MG), com mudanças no texto do Código Florestal. O governo era favorável ao projeto aprovado pelo Senado no ano passado, sem as mudanças de Piau. Entre outros pontos do texto, acaba a obrigatoriedade de reflorestar a margem de rios com mais de 15 metros de largura onde já havia áreas rurais consolidadas antes de 22 de julho de 2008. Foram 274 votos a favor do relatório, 184 contrários e duas abstenções.

Quando o resultado foi anunciado, houve comemoração da bancada ruralista em plenário, mas os deputados ligados aos produtores rurais já falam em apresentar outro projeto de lei para também acabar com a obrigatoriedade de recompor com vegetação nativa a margem de rios com largura de até dez metros.

A presidente Dilma Rousseff já sinalizou que vai vetar o artigo 62 do Senado, do qual Piau retirou a obrigatoriedade de reflorestar a margem dos rios maiores, e vai editar medida provisória para suprir a lacuna jurídica. O governo avalia que o texto do relator é uma anistia aos desmatadores. O resultado de ontem foi bem menos folgado que o verificado no ano passado, quando foram 410 votos favoráveis ao projeto original e 63 contra.

CORREIO BRAZILIENSE

Caso Cachoeira leva mais gente para a cadeia
No dia em que a CPI do Cachoeira começou oficialmente os trabalhos, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou ontem a Operação Saint-Michel que levou à prisão um dos principais alvos da investigação no Congresso: o ex-diretor da Delta no Centro-Oeste Cláudio Dias de Abreu. Outro executivo da empresa em São Paulo, Heraldo Puccini Neto, teve também a prisão preventiva decretada, mas até o fechamento desta edição era considerado foragido. As casas dos dois representantes da Delta foram alvo de ação de busca e apreensão. Promotores de Justiça e policiais civis do DF cumpriram mandados em Brasília, São Paulo, Goiânia e Anápolis no primeiro desdobramento da Operação Monte Carlo.

Entre os presos da Operação Saint-Michel está o vice-presidente da Câmara Municipal de Anápolis, vereador Wesley Silva (PMDB), um aliado e amigo de Carlinhos Cachoeira, um dos poucos políticos a acompanhar o enterro da mãe do contraventor na semana passada. A investigação do Núcleo de Combate às Organizações Criminosas do Ministério Público do DF provocou a prisão de outros dois suspeitos, Valdir dos Reis e Dagmar Alves Duarte. Eles foram citados em diálogos captados pela Polícia Federal, entre junho e agosto de 2011, durante as interceptações da Monte Carlo que apontaram um esquema de corrupção liderado por Cachoeira, com a influência do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).

Em contato direto com Cachoeira
A PF considerou como contatos de Cachoeira — a partir da análise do conteúdo das conversas telefônicas — Carlos Roberto Pacheco, vice-presidente da Delta até ontem; Heraldo Puccini Neto, diretor da regional Sul e de São Paulo; e Cláudio Dias de Abreu, ex-diretor da empreiteira na Região Centro-Oeste. A relação traz ainda mais seis funcionários da Delta, que mantinham contatos frequentes com Cachoeira. O Correio mostrou no último dia 12 que a mesma lista relacionou 26 políticos, entre eles o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) e o deputado federal Leonardo Vilela (PSDB-GO).

O vice-presidente da Delta deixou o cargo ontem em meio ao escândalo envolvendo a empreiteira, o presidente e proprietário da empresa, Fernando Cavendish (leia mais na página 5). Já Heraldo e Cláudio foram alvo ontem da Operação Saint-Michel, deflagrada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) como desdobramento da Operação Monte Carlo.

Os diálogos telefônicos usados nas investigações mostram a proximidade de Pacheco, Heraldo e Cláudio a Cachoeira. O ex-diretor do Centro-Oeste, inclusive, é sócio do bicheiro em pelo menos dois empreendimentos: a Ideal Segurança, usada para lavar dinheiro do jogo, segundo a PF, e a compra da Fazenda Gama, no Distrito Federal, objeto de tentativa de grilagem a partir da corrupção de servidores de diferentes órgãos no DF, conforme o inquérito da Monte Carlo. Em conversas em agosto do ano passado, Gleyb Ferreira da Cruz — um dos principais assessores do grupo criminoso — fala com Cláudio sobre um projeto de instalação de "casas pré-fabricadas". Eles discutem a presença de Pacheco e Heraldo em reunião com um grupo de coreanos, responsável pela proposta.

Mais construtoras na mira do Supremo
O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por supostamente agir em prol de três grandes empreiteiras — Delta Construções, Construtora Queiroz Galvão e Odebrecht — a pedido do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Gravações telefônicas que embasaram a abertura do inquérito no STF e o início das investigações pela Procuradoria-Geral da República (PGR) apontam indícios de que Demóstenes operou fraudes em licitações para favorecer as três construtoras. Até agora, já se sabia das ações do senador para beneficiar a Delta, por determinação de Cachoeira. A PGR investiga também a suposta atuação do parlamentar por novos contratos da Queiroz Galvão e da Odebrecht.

O primeiro passo dessa investigação foi a expedição de ofícios pelo ministro do STF Ricardo Lewandowski, relator do inquérito, a chefes de governos que podem ter assinado contratos sob a influência de Demóstenes e Cachoeira. O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e o prefeito de Anápolis (GO), Antônio Gomide (PT), receberam cópias desses ofícios. O Correio apurou que Perillo e Gomide foram cobrados a entregar cópias de contratos existentes com as três construtoras.

Guerra de convocações à vista
Em reunião tensa, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista que investigará as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com políticos e empresas públicas e privadas abriu os trabalhos ontem com os parlamentares do colegiado demonstrando que o debate não escapará de uma batalha política. Os primeiros requerimentos aprovados foram pedidos de compartilhamento de informações relativas aos tentáculos da quadrilha do contraventor, que estão em posse do Supremo Tribunal Federal (STF), da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal (PF). Outros 160 requerimentos foram apresentados, a maior parte para convocação de autoridades.

A reunião teve início com a confirmação das eleições do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) como presidente do colegiado e do deputado Odair Cunha (PT-MG) na relatoria. Os requerimentos serão sistematizados e passarão a ser avaliados na próxima sessão, marcada para quarta-feira da semana que vem, às 14h30.

Na esteira das convocações como instrumento de pressão política, o senador Fernando Collor (PTB-AL) chegou a defender a convocação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. A presença do PGR serviria para prestar esclarecimentos sobre as operações Vegas e Monte Carlo, mas também para que explicasse a demora de quatro anos em pedir a abertura de inquérito ao STF. Collor deve apresentar o requerimento na próxima reunião.

Collor se nomeia "guardião"
Vinte anos depois de renunciar para não ter o mandato de presidente da República cassado após uma CPI que investigou denúncias de corrupção em sua gestão, o senador Fernando Collor (PTB-AL), integrante da CPI do Cachoeira, subiu ontem à tribuna do Senado para dizer que irá atuar como uma espécie de "guardião" da comissão, evitando o vazamento de informações sigilosas. Concentrando ataques à imprensa, Collor afirmou que trabalhará para impedir que "certos meios" atuem como "simples dutos condutores de notícias falsas ou manipuladamente distorcidas". O ex-presidente criticou ainda setores da mídia que usariam métodos "desonestos e repulsivos para escamotear a realidade dos fatos e burlar a lei".

"Buscarei, ainda, com a cooperação dos meus pares, que a agenda dessa CPI não seja pautada pelos meios e alguns de seus rabiscadores", atacou. O senador, que nos primeiros anos de seu mandato tentou passar despercebido pela mídia, agora ensaia um retorno aos holofotes. Ele ficou oito anos inelegível após o impeachment, e inabilitado para o exercício de funções públicas. Collor foi indicado para compor a CPI pelo bloco "União e Força", um arranjo entre PR, PTB e PSC.

Cardozo vai liberar dados
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, adiantou ontem que fornecerá as informações dos inquéritos que forem solicitadas pela CPI do Cachoeira. "CPI tem, devido à Constituição, poderes de autoridade judicial", pontuou. Os parlamentares solicitaram à Polícia Federal que envie o material da Operação Monte Carlo.

O ministro da Justiça disse ainda que está aberto para receber o presidente da comissão, Vital do Rêgo (PMDB-PB). Sobre a Operação Saint Michel, da Polícia Civil do Distrito Federal, ele limitou-se apenas a dizer que as prisões cumpriam ordens judiciais. Cardozo defendeu as investigações da Polícia Federal, que chegaram a ligações entre o bicheiro Carlos Ramos Augusto, o Carlinhos Cachoeira, com o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).

Falcão apoia Agnelo
Depois de uma visita ao governador Agnelo Queiroz e aos principais integrantes do primeiro escalão do Executivo local no Palácio do Buriti, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, defendeu ontem a gestão do correligionário. O petista negou a existência de uma crise que contamine o dia a dia da administração no Distrito Federal e sustentou que Agnelo não será consumido pelas investigações da CPI do Cachoeira no Congresso. "Não há nenhum temor, nenhuma prova contra o governador Agnelo. Não há comprometimento com esse delinquente. Quem está sendo objeto são outros partidos e outras pessoas. Essa CPI é uma iniciativa do PT", afirmou.

Falcão disse que se reuniu com Agnelo para conversar sobre projetos e negou um suposto afastamento da direção nacional do partido da gestão na capital do país. Segundo o presidente do PT, o governador do DF sofre as consequências de ter recebido uma administração sucateada por sucessivos escândalos de corrupção. %u201CQualquer caso que envolva má utilização dos recursos públicos tem sido combatido implacavelmente”, disse.

Faxina para sair da crise
A enxurrada de denúncias contra a Delta provocou, na manhã de ontem, mudanças no comando da empreiteira. O empresário Fernando Cavendish, no foco do escândalo, resolveu deixar a presidência do conselho de administração da construtora. O diretor executivo, Carlos Pacheco, seguiu o mesmo caminho. À tarde, o novo presidente da Delta,  Carlos Alberto Verdini, foi pessoalmente ao Senado Federal. Cercado por jornalistas, fugiu da maioria das perguntas e repetiu diversas vezes que a empresa vai colaborar integralmente com as investigações.

Em meio ao tumulto ocasionado pela visita-surpresa, ele entregou documentos na Presidência do Senado Federal e, em seguida, protocolou a papelada na CPI do Cachoeira. Verdini não quis se pronunciar sobre o teor da documentação.

Demonstrando bastante desconforto com as perguntas dos repórteres, o executivo silenciou sobre a prisão do ex-diretor da Delta no Centro-Oeste Cláudio Abreu. Também ficou calado quando questionado se estaria disposto a depor na CPI. O novo presidente da Delta chamou a atenção dos jornalistas porque chegou ao Senado carregando uma caixa com a logomarca da empresa. Ele estava acompanhado pelo advogado José Luiz de Oliveira, o mesmo que defendeu, em 2005, no caso do mensalão, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.

Lula e Dilma estrelam filme em 3D
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o grande destaque da estreia do documentário Pela primeira vez, sobre a chegada da pupila Dilma Rousseff à Presidência da República, lançado na noite de ontem, no Museu Nacional da República. Ao chegar para o evento, por volta das 20h30, acompanhado da presidente, Lula brincou ao ser questionado pelo Correio se o encontro de quatro horas que teve com a sucessora ao longo da tarde serviu para os dois acertarem os ponteiros: "Eu e a Dilma somos como relógio suíço. Jamais ele vai ter de atrasar ou adiantar. Não precisamos parar para acertar os ponteiros".

Sentado entre Dilma e o vice-presidente, Michel Temer, Lula emocionou a plateia no momento em que apareceu em uma cena gravada em 1º de janeiro de 2011, despedindo-se do seu então vice, José Alencar, que lutava contra um câncer intestinal e estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Chorando, Lula acariciou a cabeça de Alencar e disse que ele não poderia ter sido um companheiro mais fiel. José Alencar morreu em 29 de março.

No evento de ontem, estiveram presentes ministros petistas, como Miriam Belchior, do Planejamento; Paulo Bernardo, das Comunicações; e Guido Mantega, da Fazenda; além de personalidades do partido, como os ex-ministros José Dirceu e José Genoino. O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, também assistiu à obra.

Corrida antecipada ao Planalto
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou ontem um projeto de lei que disciplina e permite a antecipação de campanhas e a realização de prévias partidárias entre os candidatos à Presidência da República. A matéria agora será apreciada pela Câmara dos Deputados caso não seja modificada ao ser apreciada no plenário do Senado.

De acordo com a proposta, do senador Alvaro Dias (PSDB-PR), as primárias poderão ocorrer a partir de 1º de abril até o primeiro domingo de junho do ano da eleição. Os meios de comunicação poderão fazer a cobertura das disputas e os candidatos também ficariam liberados para pedir votos sem que a prática seja considerada crime eleitoral, como ocorre atualmente. Ainda de acordo com o texto do projeto, caberá à Justiça Eleitoral administrar e fiscalizar o processo inaugurado a partir das novas regras, que valerá somente para candidatos à Presidência.

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