Indicação de Eduardo Bolsonaro tem quatro candidatos a relator no Senado

Com o aval do governo americano em mãos, o presidente Jair Bolsonaro deve enviar ao Senado na próxima semana a indicação do filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), para a embaixada do Brasil nos Estados Unidos. Quatro senadores já estão, portanto, trabalhando para assumir a relatoria da indicação. São dois da oposição e dois da base governista, segundo o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), Nelsinho Trad (PSD-MS), que tem a responsabilidade de indicar o relator e garante que ainda não tomou uma decisão sobre o assunto.

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"Quatro senadores pediram para ser o relator, dois da oposição e dois da situação. Mas, pode apostar, ainda não tem um escolhido", garantiu Nelsinho Trad nesta sexta-feira (9), ao ser questionado sobre o esforço da base governista de colocar um aliado da família Bolsonaro na relatoria da indicação, sem, no entanto, revelar quais são esses quatro senadores. "Ainda estou aguardando a vinda do projeto para poder tomar uma decisão", desconversou Trad, que já prometeu analisar o caso com imparcialidade e revelou que a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional está bem dividida sobre o assunto. "Há um empate técnico", calculou.

Como acontece com toda indicação diplomática, o nome de Eduardo Bolsonaro precisava ser aprovado pelo governo do país de destino do embaixador antes de ser apreciado pelo Senado. Como a autorização do governo americano chegou nessa quinta-feira (8), a expectativa é que o governo formalize a indicação na próxima semana.

Jair Bolsonaro terá que publicar a nomeação no Diário Oficial da União e enviá-la ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que vai encaminhar o pedido à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Casa. O presidente da comissão, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), deverá, então, indicar um relator para o caso. Depois disso, Eduardo Bolsonaro deve ser sabatinado e ter o nome aprovado pela comissão. O indicado ainda precisa ter o nome aprovado pelo plenário do Senado para poder assumir o cargo em Washington.

O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) acredita, por sua vez, que o governo tem maioria para aprovar o nome de Eduardo Bolsonaro na Casa. Mas, como a oposição tem criticado e tentado barrar a indicação através de propostas de emendas constitucionais que ampliam o rol das situações caracterizadas como nepotismo, Bezerra Coelho admitiu que serão feitas negociações. "Vamos aguardar o encaminhamento da indicação para fazer as conversas e negociações", disse.

"Caberá ao Senado Federal dar a palavra final e, se meu nome for aprovado, haverá um intenso e árduo trabalho a ser realizado", admitiu Eduardo Bolsonaro em nota publicada nesta sexta-feira (8) após o aval do governo americano à sua indicação. "Recebi com grande alegria a notícia", disse o deputado, para quem o sinal verde dos Estados Unidos também é motivo de orgulho. Por fim, ele lembrou que seu "êxito dependerá, sobretudo, da colaboração e do diálogo estreito com o legislativo, os diversos ministérios e as forças vivas da sociedade, notoriamente a comunidade brasileira nos Estados Unidos da América".

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