Haddad mantém filha de Temer em sua cota pessoal

Na esteira do rompimento do PMDB com o PT, Luciana Temer, filha do vice-presidente da República, continua filiada ao partido comandado pelo pai e à frente de secretaria na gestão do petista Fernando Haddad

Na contramão da linha de ação de Michel Temer, a filha mais velha do vice-presidente da República, Luciana Temer, pretende seguir à frente da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, do prefeito Fernando Haddad (PT). Filiada ao PMDB, partido presidido pelo seu pai, Luciana vai na contramão do distanciamento entre as maiores legendas do país – PT e PMDB –, que ocorre tanto na esfera federal quanto na local. E na esteira do rompimento do PMDB com a gestão Dilma Rousseff, capitaneado por Temer e formalizado em 29 de março.

"Luciana é indicação pessoal do prefeito Fernando Haddad e é secretária pelo seu perfil técnico", justificou ao Congresso Em Foco o secretário de Comunicação da prefeitura, Nunzio Briguglio Filho. Segundo ele, Haddad não pediu para que Luciana Temer saísse do PMDB para continuar no comando da pasta de Assistência e Desenvolvimento Social. Ainda de acordo com Nunzio, Luciana informou que não pretende se desfiliar do PMDB no momento.

Michel Temer será o maior beneficiado se for concretizado o impeachment da presidente Dilma Rousseff. O vice-presidente está, atualmente, afastado da presidência do PMDB. Porém, em sua gestão o partido saiu da base de apoio de Dilma e deixou o Planalto em situação delicada no Congresso Nacional. Temer já chegou a dizer que preferia que sua filha não participasse do governo petista na capital paulista.

Alheia às divergências entre PT e PMDB, Luciana Temer segue seu trabalho na secretaria municipal, cargo que ocupa desde 2013. Ela é responsável por importantes políticas municipais, como o fim da Cracolândia, grande aglomerado de usuários de crack na capital paulista. Faz, ainda, a ponte para programas sociais bancados pelo governo federal, como o Bolsa Família.

Na corrida eleitoral deste ano para a prefeitura de São Paulo, onde o PMDB provavelmente terá Marta Suplicy como concorrente direta de Fernando Haddad, Luciana deve se manter neutra, porém, mais ligada à frente petista.

Outro secretário que se viu em situação parecida com a de Luciana foi Gabriel Chalita, titular da Educação. Ele, porém, saiu do PMDB e se filiou ao PDT. Chalita alimentava o sonho de ser o candidato do PMDB à prefeitura, mas perdeu força com a chegada da senadora Marta Suplicy ao partido. Agora, o secretário trabalha para ser vice na chapa de Haddad.

Já Luciana segue os passos do pai, que foi secretário municipal de Segurança em São Paulo. Por outro lado, a herdeira do vice-presidente, apesar de ter sido delegada de polícia entre 1993 e 1997, não defende as políticas enérgicas que o pai propunha quando atuou na prefeitura.

Mais sobre o PMDB

Mais sobre a crise na base

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!