Governo não tem nada a ver com atos de Delcídio, diz líder do PT

Humberto Costa afirma que conduta atribuída ao líder do governo no Senado, o petista Delcídio do Amaral, passou ao "largo do governo". Senadores reagem com perplexidade à prisão do colega

Depois de reunião do bloco governista no Senado, o líder do PT na Casa, Humberto Costa (PE), defendeu que não haja qualquer tentativa de associar o Planalto aos atos que levaram à prisão do senador Delcídio do Amaral (MS), líder do governo na Casa, na manhã desta quarta-feira (25). “É importante registrar que não há em nada do que foi dito até agora qualquer tipo de envolvimento ou participação do governo”, disse. “Não há nenhum fato patrocinado pelo governo. Tudo o que foi dito até agora são questões que correm totalmente ao largo do governo”, acrescentou.

Segundo ele, a situação de Delcídio será discutida em reunião de líderes após as informações sobre a prisão chegarem do Supremo Tribunal Federal (STF) ao Senado. “Entendemos também que esse fato, por mais grave que seja, não deve contaminar a atividade legislativa do Congresso brasileiro”, afirmou o líder petista. “Todos nós estamos sob o impacto disso que aconteceu. Pela primeira vez na história, ocorreu. Vamos analisar os fatos para ter uma posição clara, transparente e, ao mesmo tempo, dar a nação uma resposta”, completou.

Também investigado pela Operação Lava Jato no âmbito do STF por possível envolvimento com o esquema de corrupção da Petrobras, Humberto não declarou quem será o novo líder do governo no Senado. “Isso é uma questão que o governo terá de resolver agora. Certamente terá alguém interinamente”, disse.

Nos bastidores, o líder do governo no Congresso, José Pimentel (CE), é apontado como aquele que assumirá provisoriamente o cargo. Quando chegou para se reunir com o grupo, ele também fez referência ao fato histórico. “É a primeira prisão da República. Com essa gravidade, precisa ser apurada”, disse.

Surpresa e perplexidade

O sentimento de perplexidade e surpresa foram recorrentemente utilizados pelos senadores para definir o clima desta manhã. Paulo Paim (PT-RS) foi o primeiro a deixar a sala onde os petistas estavam reunidos, alegando dores nas costas. “Todos ficaram perplexos e não imaginavam que isso ia acontecer. E, claro, o constrangimento é generalizado aqui na Casa”, avaliou.

Além dos senadores petistas, também estavam presentes aliados do bloco, como Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Telmário Mota (PDT-RR) e Acir Gurgaz (PDT-PR), vice-líder do governo. Ao chegar para o encontro emergencial, a senadora procurou não se manifestar "Não sei quais são os elementos (que levaram a prisão), mas imagino que seja algo muito forte."

Da oposição, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) também disse ter sido pego de surpresa com a notícia. “Fiquei surpreso. Em primeira análise, este não é o perfil que nós conhecemos do senador”, disse ele.

Quanto à futura decisão dos senadores pela manutenção ou não da prisão de Delcídio, em decorrência do foro privilegiado, Randolfe defendeu que o Senado deve analisar as provas e proceder para que “não obstrua nenhuma determinação da Justiça”. “Se o trabalho da Justiça for a manutenção da prisão, nos temos que respeitar o Supremo Tribunal Federal e a Procuradoria-Geral da República”, concluiu.

A senadora Ana Amélia (PP-RS) seguiu a mesma linha de pensamento. “Foi uma determinação de um ministro do Supremo Tribunal Federal e não há o que questionar sobre isso. Todos os ministros têm muito senso de responsabilidade, então ele deve ter razões fundamentadas para solicitar a prisão do senador. É um caso que impacto no Senado e no nosso trabalho todo. Está todo mundo perplexo”, disse ela.

Prisão

A Polícia Federal prendeu Delcídio na manhã desta quarta, em Brasília. A prisão foi autorizada pelo STF depois que o Ministério Público Federal apresentou evidências de que o senador tentou obstruir as investigações da Operação Lava Jato.  O Supremo também autorizou a prisão do banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, do chefe de gabinete de Delcídio, Diogo Ferreira, e do advogado Édson Ribeiro.

Segundo as investigações, o senador tentou impedir a delação premiada de Cerveró, oferecendo-lhe ajuda de fuga, conforme indica gravação feita pelo filho do ex-diretor da Petrobras, uma mesada de R$ 50 mil e R$ 4 milhões para o seu advogado. Em troca, Cerveró se comprometeria a não fazer acordo de delação premiada ou não envolver o senador na investigação.

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