Eunício diz que não vai apoiar Meirelles para presidente e desafia Temer: “Não vou sair e ninguém me tira”

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), não vai apoiar a candidatura de Henrique Meirelles, de seu partido, à Presidência da República. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Eunício diz que Meirelles nunca foi nem é do MDB e que vai apoiar algum candidato do campo de alianças que costura em seu estado, que inclui o PT, do governador Camilo Santana, e o PDT, de Ciro Gomes.

Eunício reagiu ao recado do presidente Michel Temer que ontem convidou a se retirar do partido quem se recusar a apoiar Meirelles. Respondeu em tom de desafio:

“Eu vou ficar no MDB e vou tomar a minha própria decisão em relação a coligações estaduais e à Presidência da República. Não vou sair e ninguém me tira. Tenho 45 anos de partido e uma única filiação. Nasci no MDB, numa família de emedebistas.”

Eunício considera inviável a candidatura de Meirelles e critica a forma com que ele entrou para o partido, apenas para concorrer ao Planalto.

“Eu lamento que a direção nacional não tenha construído uma candidatura viável do partido. Aqui no Senado eu já vi gente se filiando de manhã para ocupar lugares na Mesa Diretora à noite. Sinceramente, eu não tenho nenhuma relação pessoal com o ex-ministro Meirelles. O conheci como presidente do BC (Banco Central). Ele nunca exerceu nenhum mandato pelo MDB. Não sei nem por quais partidos ele passou. Sei que do MDB ele não é”, critica.

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O emedebista conta que jamais teve relacionamento com o presidenciável de seu partido. “Meirelles é um candidato ruim? Nunca comi uma colher de sal com ele. Estou há quase dois anos na presidência do Congresso e nunca tive relacionamento com ele quando era ministro da Fazenda. Acredito que seja um brasileiro capaz. Agora, uma coisa é um brasileiro capaz e outra é um militante partidário.”

O senador também atacou a política de preço dos combustíveis implantada pelo presidente da Petrobras, Pedro Parente. “Entre os ‘Parentes’ e os consumidores, eu vou ficar com os consumidores. É abusivo o que aconteceu no Brasil. Olha que eu sou ponderado. São 11 aumentos em 16 dias. E que ninguém venha me dizer que foi em função do dólar. Essa explicação não me convence”, afirma.

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