Empreiteiro diz que deu R$ 1 milhão em propina à campanha de Renan Filho

Considerado chefe do cartel das empreiteiras que atuava na Petrobras, Ricardo Pessoa diz que valor foi contabilizado como doação oficial por Renan Filho, eleito governador de Alagoas. Peemedebista nega ilegalidade

Incluído na última quinta-feira (14) na relação dos delatores da Operação Lava Jato, o empresário Ricardo Pessoa, dono das empreiteiras UTC e Constran, disse que as doações que fez à campanha do governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB), eram parte da propina paga para manter seus contratos na Petrobras. A informação é da Folha de S.Paulo.

Apontado como líder do cartel de empresas que dominava os contratos na estatal, Ricardo contou que transferiu R$ 1 milhão ao PMDB alagoano, que repassou o dinheiro à campanha do filho do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). As transações foram feitas em duas parcelas, em agosto e setembro. Renan, o pai, também é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF), suspeito de ter recebido propina do esquema de corrupção desmontado pela Operação Lava Jato.

O empresário aceitou o acordo de delação premiada e se comprometeu a detalhar, nos próximos dias, como as empreiteiras atuavam em cartel e quais políticos eram beneficiados pelo esquema. O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa assegura que Renan e outros líderes do PMDB receberam parte dos recursos desviados após terem garantido a ele apoio para se manter no cargo, ao qual havia chegado por indicação do PP.

Renan e Renan Filho negam envolvimento com as irregularidades. O governador disse à Folha que todas as doações que recebeu para sua campanha foram de acordo com a legislação eleitoral. O governador, de 36 anos, teve 40% de sua campanha bancada por empreiteiras acusadas de participar do cartel na Petrobras: OAS, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez, Odebrecht, Camargo Corrêa e Serveng Civilsan.

De acordo com a reportagem, o empreiteiro contou que outro governador e pelo menos dez congressistas também receberam propina de suas empresas. No ano passado, a UTC e a Constran doaram R$ 54,5 milhões a campanhas políticas.

Leia a íntegra da reportagem da Folha de S.Paulo

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