Em ato político contra privatização de usinas, Pimentel desafia gestão Temer: “Não mexa com Minas Gerais”

 

Em evento na Usina Miranda, no município de Indianópolis, em Minas Gerais, o governador do estado, Fernando Pimentel (PT), participou da manifestação pública em defesa das usinas da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e, em tom de desafio, ressaltou que não entregará a empresa para privatizações. Durante o ato político, com público formado por sindicalistas, movimentos sociais e camponeses, Pimentel, acompanhado de deputados federais e estaduais, bem como lideranças da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e de movimentos sociais, criticou a proposta do governo de Michel Temer de leiloar as usinas e convocou a população mineira a entrar na briga.

“Não mexa com Minas Gerais, que nós estamos quietos. Deixa a gente quieto aqui. Deixa nós com nossas usinas, deixa a Cemig produzindo energia, deixa os trabalhadores da Cemig lutando pelo pão deles e produzindo desenvolvimento econômico. Deixa os nossos trabalhadores da pequena produção agrícola, da produção familiar, ter acesso à energia elétrica barata das nossas usinas. Não mexa conosco”, desafiou o governador mineiro durante o evento, em discurso entrecortado por gritos de “fora Temer” desferidos do público.

Pimentel afirmou ainda que lançará uma campanha nos próximos dias para mobilizar a população mineira. “Aos poucos, Minas vai ganhando e conquistando espaço e mostrando que nós somos um povo pacato, ordeiro, sereno, mas que, se precisar, nós sabemos brigar. Neste fim de semana, nós vamos começar uma campanha com palavra de ordem simples: ‘Mexeu com Minas, mexeu comigo. Mexeu com Minas, mexeu conosco’.  Nós vamos defender a Cemig e não vamos entregar usinas que são nossas para estrangeiro nenhum. É com esse brado que nós vamos ganhar”, ressaltou.

Gil Leonardi
[/caption]O governo pretende levar a leilão quatro usinas que envolvem contratos vencidos entre agosto de 2013 e fevereiro de 2017. A intenção do governo federal é arrecadar cerca de R$ 11 bilhões com a privatização das usinas de São Simão (avaliada em R$ 6,7 bilhões), Jaguara (R$ 1,9 bilhões), Miranda (R$1,1 bilhões) e Volta Grande (R$ 1.3 bilhões). À revelia do estado, marcou-se o leilão para o dia 27 de setembro. A estatal mineira, no entanto, tenta paralisar o processo por discordar dos termos impostos para o fim de suas concessões.

A questão foi judicializada e chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), que julgará o caso no próximo dia 25. Nos últimos cinco anos, a empresa já obteve cinco liminares garantindo a gestão das três usinas. Sem dinheiro, a Cemig conta com empréstimo do próprio governo para conseguir manter as concessões.

De acordo com o governo mineiro, caso as usinas sejam leiloadas, a Cemig reduzirá pela metade sua capacidade de geração de energia. Em resposta à negociação pretendida pelo governo federal, a companhia ameaça reajustar a conta de energia, com a consequência de onerar o consumidor mineiro, sob a alegação de que a receita cairá “drasticamente”, impossibilitando a manutenção do preço atualmente praticado.

Manifesto

No dia 26 de julho, o governador de Minas e mais 14 autoridades assinaram carta aberta conjunta, destinada ao governo federal, com intuito de que o pleito seja atendido e encontrados meios para renovar as concessões das Usinas de São Simão, Jaguara e Miranda. Como forma de esforço extra para pressionar o Executivo, um abaixo assinado online foi concebido e já conta com 35 mil assinaturas, com meta de atingir 100 mil. Na Câmara Legislativa de Minas Gerais, os 77 deputados, da oposição e da base aliada de Pimentel, já assinaram o abaixo assinado físico.

O documento também conta com assinatura de cerca de 500 prefeituras mineiras e mais de 20 associações de prefeitos, segundo informações do deputado estadual Rogério Correia (PT), representante da Frente Mineira em Defesa da Cemig. As assinaturas foram entregues ao deputado federal Fábio Ramalho (PMDB-MG), vice-presidente da Câmara, que ficou de encaminhar o manifesto a Temer nos próximos dias.

O presidente da Cemig, Bernardo Alvarenga, disse que, juntas, as três usinas representam 50% da capacidade de geração de energia da companhia. “Fizeram todas as articulações, usaram todas as artimanhas, forjaram todas as justificativas, interpretaram leis, regulamentações e contratos a seu bel prazer com um único intuito: tirar da Cemig a concessão de três das maiores usinas hidrelétricas que nossa empresa, símbolo de Minas e do setor elétrico nacional, construiu, opera e mantém com reconhecida competência”, disse.

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