Diretor do Datafolha considera hipótese de virada de Freixo sobre Crivella

“Foi uma mudança muito significativa e muito rápida. Não descarto a possibilidade de haver uma surpresa no resultado das eleições do Rio de Janeiro”, observou Mauro Paulino. Bispo da Universal, candidato do PRB perde votos entres os católicos, avalia jornalista

O diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, avalia que uma virada de jogo em favor do candidato Marcelo Freixo (PSol), adversário de Marcelo Crivella (PRB) na disputa pela Prefeitura do Rio de Janeiro, é possível, embora improvável. Cinco dias depois do primeiro turno, a pesquisa Datafolha informava que Crivella, o candidato dos evangélicos, tinha 44% das intenções de voto, enquanto Freixo, associado aos eleitores da “esquerda” brasileira, marcava 27% das opções. Ontem (sábado, 29), no último levantamento Datafolha antes do segundo turno, Crivella aparecia com 58% das escolhas, contra 42% de Freio – diferença dez pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, da última terça-feira (25), quando o candidato do PRB tinha 26 pontos percentuais de vantagem.

A pesquisa Datafolha mostrou queda entre os votos válidos para o senador (de 63% para 58%), que é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus e sobrinho do fundador do grupo, o também bispo Edir Macedo. Ao mesmo tempo, informa o site do jornal Folha de S.Paulo, houve aumento na contagem de votos válidos para Freixo, que saiu de 37% para 42% das preferências.

“Foi uma mudança muito significativa e muito rápida. Não descarto a possibilidade de haver uma surpresa no resultado das eleições do Rio de Janeiro”, observou Mauro Paulino.

Segundo o editor do caderno “Poder” do jornal paulista, Fábio Zanini, pesou contra Crivella – em ambiente de acirramento da disputa e da estratégia de ataque de Freixo – o resgate de discursos que “resvalam na homofobia” e a divulgação de uma música composta pelo próprio bispo licenciado com referência ao famigerado episódio em que um líder da Universal aparece chutando a imagem de uma santa católica, ao vivo, em um programa de TV alugado pela igreja.

Já Bernardo Mello Franco, um dos colunistas da Folha, avalia que o aumento dos votos de eleitores católicos para Freixo é fruto da estratégia do deputado estadual, que partiu para o ataque e mirou nos índices de rejeição à Universal. Como lembra o jornal paulista, o grosso do eleitorado de Crivella está nos evangélicos – 92% das intenções de voto declaradas pelos evangélicos do Rio favorecem o senador e bispo licenciado.

Ruído de comunicação

Também parece ter causado algum efeito nesse quadro de reversão de votos o fato de que Crivella preferiu desistir de debates com Freixo em veículos de comunicação de expressão nacional. Nos últimos dias, e com avisos em cima da hora, Crivella cancelou a participação em programas na TV Globo do Rio, no STB e na rádio CBN.

Além disso, não é o caso de se descartar o efeito das redes sociais. Nos últimos dias, vídeos diversos se propagaram em plataformas como Facebook e Twitter mostrando Crivella em situações delicadas. Em um delas, em um luxuoso apartamento de um endinheirado do Rio de Janeiro, à beira-mar, Crivella e um grupo de famosos brindam e falam sobre a eleição. A certa altura do convescote, Crivella diz como seria...

“Pelo meu perfil, por eu ser evangélico e ter grande penetração nas classes mais populares, eu poderei explicar a eles [pobres], de maneira legítima, o nosso plano – que é de cuidar da Zona Sul com especial cuidado. E dizer ao povo lá de trás... vaciná-los para não vir com aquele discurso que desconstrói a política, que diz: ‘Ah, pronto. Crivella ganhou com os pobres e está fazendo com os ricos. Não! Isso aqui é a nossa vitrine”, discursa o candidato, gesticulando entre os convidados do apartamento com vista para o mar.

Em outro vídeo, este mais antigo, Crivella aparece no púlpito de um dos templos da Universal abordando a parábola bíblica segundo a qual Eva nasceu de uma costela de Adão no Éden. Quando chega à alegoria da costela, Crivella se volta para a plateia e diz, com um sorriso no rosto, que as mulheres devem “obedecer mais” aos homens – algo que soa como um verdadeiro sacrilégio na comunidade feminista, cada vez mais articulada Brasil afora.

Leia mais na reportagem da Folha

 

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